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Fornecedores resistem após enxugamento, diz Mercedes-Benz
O diretor de compras Erodes Berbetz durante a cerimônia de premiação dos fornecedores da Mercedes-Benz

Autopeças | 31/03/2017 | 21h00

Fornecedores resistem após enxugamento, diz Mercedes-Benz

Prêmio Interação completa 25 anos e lembra recessão dos anos 90

PEDRO KUTNEY, AB

Quando foi criado, há 25 anos, o Prêmio Interação da Mercedes-Benz foi a primeira premiação regular de uma fabricante de veículos instalada no País para incentivar o desenvolvimento e reconhecer os avanços da cadeia de suprimentos do setor automotivo nacional, então combalida pela chamada “década perdida” dos anos 80 e afetada pelas incertezas políticas e econômicas do início dos 90, quando a inflação ainda galopava à razão de 25% ao mês (1.100% naquele ano) e o governo Collor tinha caído após abrir o mercado para veículos importados. Montadoras e fornecedores foram obrigados a se reinventar para sobreviver. Aqueles que sobreviveram promoveram profundas reestruturações e modernizações, e aproveitaram o mercado que voltou a crescer depois. Na situação atual de nova derrocada da economia e da política, com três anos seguidos de aprofundada recessão, muita coisa lembra 1992, especialmente a parte da necessidade da reinvenção para resistir aos maus tempos e continuar vivo para quando a recuperação acontecer. Novamente, a indústria de autopeças está se adaptando para reviver. Essa foi a tônica da 25ª edição do Prêmio Interação.

No evento do ano passado, a Mercedes-Benz pediu essa resistência aos seus fornecedores, destacando que também depende deles para continuar a fabricar seus caminhões e ônibus no País. Um ano depois, o cenário continua tão árido quanto estava, mas a maioria das 400 empresas que fornecem autopeças à montadora conseguiu se reestruturar para sobreviver e continuar atendendo as necessidades da montadora. “Neste último ano precisamos ajudar alguns fornecedores (da cadeia de suprimentos), com adiantamento de pagamentos, compras de matéria-prima e mesmo enviando pessoal nosso para auxiliar na adoção de processos produtivos mais eficientes. Apesar da situação muito difícil, a maioria resistiu, eles enxugaram custos e se adaptaram. No monitoramento constante que fazemos, menos de 5% deles estão em uma condição crítica”, afirma o diretor de compras Erodes Berbetz.

SEM FALTA DE PEÇAS

“Temos uma relação muito próxima com as empresas fornecedoras e o nosso negócio ainda é saudável, mas reconhecemos que o momento é muito difícil, de grande dificuldade para toda a cadeia”, destacou Philipp Shiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO do Grupo Daimler na América Latina. O executivo lembrou que o ritmo de produção de caminhões e ônibus no País caiu a níveis tão baixos que muitos fabricantes do segmento estão com capacidade ociosa na casa dos 80%. Os fornecedores foram obrigados a se adaptar a esse cenário a ponto de, em alguns casos, até faltar alguns itens básicos que eram feitos por empresas menores que tiveram de fechar as portas. Mas isso, garante Schiemer e Berbetz, são problemas pontuais que estão sendo acomodados e não há falta de peças.

“Só haveria problema se a demanda voltasse a crescer muito, porque aí as empresas que reduziram não teriam como atender. Esse problema sempre acontece na subida [do mercado], quando falta capital de giro para investir em aumento da produção. No quadro atual isso não acontece”, diz Shiemer. Para Berbetz, mesmo se este ano as vendas de caminhões crescerem de 10% a 15% não provocará gargalos de fornecimento de componentes. “Se aumentar além dos 15% a cadeia começará a ter problemas [para entregar peças], porque já enxugaram bastante”, estima o diretor.

A Mercedes-Benz também tem incentivado os fornecedores brasileiros a aproveitar o câmbio mais favorável para ganhar competitividade e exportar a outras fábricas do grupo no mundo. “Procuramos estreitar e favorecer esse contato com outras plantas para dar essa oportunidade aos nossos fornecedores. Já temos meia dúzia de empresas que estão fornecendo componentes a unidades da Daimler em outros países”, conta Berbetz.

REINVENÇÃO


Schiemer fala à “casa cheia” de fornecedores e defende reformas na 25ª edição do Prêmio Interação

Após defender as propostas de reforma trabalhista e o arrocho fiscal e previdenciário do atual governo como único caminho para que o País volte a crescer, Schiemer disse aos fornecedores presentes na cerimônia de premiação que reconhece a dureza dos tempos atuais, mas rebateu na tecla que é preciso se tornar mais eficiente e se preparar para a retomada da economia.

“Aproveitamos a chance para enxugar custos, nos preparamos para o futuro com investimentos de R$ 730 milhões na modernização de nossas fábricas. Nós enfrentamos nossos problemas e acreditamos no caminho da reinvenção. Vocês (fornecedores) e nossos colaboradores (empregados) são fundamentais para ganharmos rentabilidade. Dependemos de vocês para continuar melhorando”, reforçou, após lembrar que em 2016 a Mercedes-Benz reconquistou a liderança do mercado nacional de caminhões e ampliou para quase 60% a participação nas vendas de ônibus. “Isso só aconteceu porque fizemos as mudanças necessárias. Ficamos felizes, mas queríamos mais, infelizmente o mercado não reagiu”, lamentou.

Falando à mesma numerosa plateia, o diretor de compras Erodes Berbetz relembrou as dificuldades não muito menores de 25 anos atrás, quando a Mercedes premiou pela primeira vez seus fornecedores. “A crise culminou no Plano Real e na estabilização da moeda. Isso mudou o foco da indústria, que reduziu os desperdícios e começou a produzir com mais qualidade e produtividade. O Prêmio Interação mostra essa evolução. Se há 25 anos as empresas precisaram se reinventar, precisam fazer isso de novo agora. O desafio é administrar volumes [de vendas] de 20 anos atrás com os custos atuais”, analisou. “O crescimento da economia ainda não veio, mas há sinais que isso vai acontecer. O País tem potencial para isso e precisa incentivar a produtividade. O Brasil precisa dar esse passo e as empresas também”, definiu.

PREMIAÇÃO

Na 25ª edição do Prêmio Interação a Mercedes-Benz premiou 11 empresas, sendo oito em cinco categorias pelo fornecimento de componentes e sistemas utilizados diretamente na produção de caminhões e ônibus, além de três fornecedores de serviços e materiais indiretos. Das oito premiadas nas categorias produtivas, metade são companhias de capital nacional – algo cada vez mais raro no cenário automotivo brasileiro. Veja abaixo os vencedores:

INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

- Robert Bosch: a empresa foi premiada pelo desenvolvimento e disponibilidade de testes de novas tecnologias de motores, como o recente Dual Fuel, que permite a operação com gás natural ou diesel.

EXCELÊNCIA OPERACIONAL EM QUALIDADE

- Flamma Automotiva: maior unidade do grupo brasileiro Aethra, a empresa executa em Pouso Alegre (MG) a estampagem de componentes de grande e montagem de cabines dos caminhões Atron e LN, que foram terceirizados pela Mercedes.
- Voss Automotive: localizada em Diadema (SP), a subsidiária alemã do Grupo Voss, fornece tubulações e engates rápidos para sistemas de freio, de combustível e de redução catalítica seletiva (SCR).

EXCELÊNCIA OPERACIONAL EM LOGÍSTICA

- ThyssenKrupp Metalúrgica Campo Limpo: sediada em Campo Limpo (SP), atua há mais de 57 anos no Brasil, tendo como especialidade o desenvolvimento e a produção de diversos componentes forjados, como virabrequins, bielas, pistões e componentes de suspensão e transmissão. Em parceria com a Mercedes-Benz do Brasil, desenvolveu e implementou em 2016 o projeto logístico E2E (End to End) para a entrega da família de virabrequins dos motores BR 300, BR 400, BR 457 e BR 900.
- Schulz: fundada em 1963 em Joinville (SC), fornece grande variedade de peças fundidas, usinadas e pintadas para aplicações em praticamente todas as áreas de produção da Mercedes no Brasil: caminhões, ônibus, motores, eixos e câmbios. Foi premiada por atender à complexa variedade de pedidos seguindo estritamente as quantidades e os prazos estipulados pela montadora.

EXCELÊNCIA EM CUSTOS

- Iochpe-Maxion: a quase centenária empresa brasileira fornece diversos componentes estruturais de aço à Mercedes, com as longarinas de chassis. Segundo a fabricante, a flexibilidade e conhecimento em processos industriais da Iochpe-Maxion colabora com a difícil missão de redução nos custos sem o comprometimento da qualidade.
- Dana: a centenária empresa norte-americana a Dana desenvolve e fornece no Brasil diversas peças para o trem-de-força dos veículos comerciais da Mercedes-Benz, incluindo a viga e mangas do eixo dianteiro, cardan, flange e yokes. Segundo a montadora, a Dana desempenhou papel estratégico nos diversos projetos e desafios apresentados pela Mercedes-Benz do Brasil em 2016.

EXCELÊNCIA EM MATERIAL INDIRETO E SERVIÇOS

- Alis Armazenamento, Transporte, Logística e Serviços: especializada na logística de pré-entrega de veículos zero-quilômetro, atende a Mercedes-Benz do Brasil desde 1998, como responsável pela movimentação, transporte e armazenagem de caminhões, chassis de ônibus e veículos comerciais leves na planta da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), bem como nos pátios da região.
- Eisenmann Juiz de Fora Manutenção Industrial e Comércio de Peças Automotivas: a empresa iniciou atividades na América do Sul em 1996, atuando no desenvolvimento e implantação de instalações industriais. Na planta da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG) foi a responsável pelas adequações nas instalações da pintura dentro do projeto StarPro Futura. Permanece na unidade desde 2013, por meio de contrato de manutenção e limpeza técnica para todo o processo da pintura e para os transportadores entre prédios.
- Ferramentas Gedore: fundada em 1919 na Alemanha, a Gedore está presente em diversos países. No Brasil, fabrica ferramentas profissionais em São Leopoldo (RS). O fornecimento kits para os veículos Mercedes-Benz do Brasil teve início em 1995. Foi destacado para a premiação o trabalho em conjunto realizado em 2016 para unificação das bolsas de ferramentas dos caminhões das linhas Axor, Atron e Atego.

CATEGORIA ESPECIAL

- Maxiforja Componentes Automotivos: a empresa brasileira começou sua trajetória há mais de 50 anos com uma pequena fábrica de materiais elétricos e apenas três colaboradores em uma área de 550 m2 no Sul do Brasil. Com sede em Canoas (RS), hoje é uma das maiores forjarias do Brasil. Fornece para a Mercedes componentes e conjuntos forjados para motores, transmissões e eixos, como anéis, braços, flanges e yokes. A Maxiforja foi premiada especialmente pelo conjunto do trabalho desenvolvido, superando as expectativas com comprometimento, qualidade e agilidade.

7º PRÊMIO DE RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Durante a cerimônia do Prêmio Interação, também foram anunciados os vencedores do 7º Prêmio Mercedes-Benz de Responsabilidade Ambiental. A iniciativa reconhece as boas práticas ambientais dos fornecedores em seus processos industriais e instalações. Os trabalhos inscritos foram submetidos à avaliação de uma comissão julgadora formada por membros da Mercedes-Benz e das universidades UFABC e FEI. Os vencedores este ano foram:

Usiminas: Projeto “Junto e Misturados - Baia de Mistura”. A lama fina do processo de limpeza do gás de aciarias, com características inadequadas para uso, era descartada em aterro industrial. O projeto revisou práticas operacionais, adequou e adaptou equipamentos já existentes, o que viabilizou a reciclagem desse rejeito, em substituição ao uso de minério e antracito na sinterização. Com economia anual de R$ 3,4 milhões, o investimento de R$ 782 mil teve retorno em 2,8 meses. Houve também ganho ambiental, com redução da disposição em aterro industrial de 6.000 t/mês, que representa 60% de toda a geração de lama fina na usina. Houve também redução de 550 viagens/mês de caminhões em vias públicas, para transporte da lama ao aterro, diminuindo impactos no trânsito e na emissão de poluentes e gás de efeito estufa. O número de viagens desses veículos foi reduzido em cerca de 60%.

ZF do Brasil: com o projeto “Otimização do Consumo de Óleos Protetivos e Redução de Geração de Resíduos”, buscou diminuir resíduos oleosos, promover o uso de produtos menos voláteis e desenvolver o processo de reúso, minimizando riscos ambientais. A nova maneira de realizar a proteção anticorrosiva nos componentes metálicos do conjunto embreagem passou a ser feita por meio da aplicação de óleos protetivos. Como principal resultado, a planta da ZF de São Bernardo do Campo (SP) cortou 83% da geração de resíduos, 70% do consumo de óleos protetivos e mitigou o manuseio de produtos com alta evaporação. Também houve redução de 47% dos pontos de consumo do produto, diminuindo o manuseio de produtos químicos e o risco de contaminação do solo e da atmosfera.

Companhia Siderúrgica Nacional (CSN): “Aproveitamento da Energia Cinética dos Gases Gerados no Alto Forno #3 para Geração de Energia Elétrica” é o nome do projeto implantado pela CSN na Usina Presidente Vargas, de Volta Redonda (RJ), para gerar 20 MWh de energia elétrica, diversificando assim a matriz energética da empresa em busca da autossuficiência e, consequentemente, fornecendo energia elétrica para o sistema elétrico brasileiro.



Tags: Mercedes-Benz, Prêmio Interação, fornecedores, premiação, autopeças.

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