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Primeiro trimestre esfria expectativa para caminhões
Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços da Mercedes-Benz

Mercado | 24/03/2017 | 16h54

Primeiro trimestre esfria expectativa para caminhões

Para Leoncini, da Mercedes-Benz, prévia pode indicar ano mais difícil que 2016

SUELI REIS, AB

Para quem esperava por um ano melhor do mercado de caminhões, 2017 começou decepcionante. Após um primeiro bimestre pífio, com pouco mais de 5 mil unidades emplacadas no País e queda de 33% das vendas, a Mercedes-Benz começa a enxergar a possibilidade de um ano ainda mais difícil do que foi 2016 ao analisar os números preliminares de março, que apontam para o fechamento do primeiro trimestre em nova retração pronunciada.

Para Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços para caminhões e ônibus da Mercedes-Benz, o que se vê até agora é que, embora todos os indicadores apontem para a retomada da economia este ano, não há nada de concreto para sustentar o cenário de recuperação, nem mesmo o agronegócio, que apesar da safra recorde de mais de 200 milhões de toneladas de grãos prevista para o período, não é capaz de resolver o problema da baixíssima demanda do mercado de veículos comerciais pesados.

"A única coisa que sabemos é que amanhã teremos uma nova surpresa, e que nem sempre é boa", lamenta o executivo. Contudo, ele justifica os contínuos investimentos que a montadora realiza no Brasil. O resultado de um deles está sendo lançando este mês, o interior renovado das cabines dos modelos Atego, Axor e Actros (leia aqui). As melhorias e modernização do cockpit foram projetadas pelo centro de desenvolvimento da fabricante junto à fábrica de São Bernardo do Campo (SP). Leoncini afirma que esta modernização faz parte de uma série de investimentos contínuos que a empresa dedica anualmente para desenvolvimentos na área de produtos, mas que não são divulgáveis.

“Há dois ou três anos a Mercedes-Benz vem apresentando resultado negativo [no Brasil]: temos uma fábrica com capacidade para montar 80 mil caminhões em um mercado total de 47 mil dividido por 12 montadoras. Temos de fazer a lição de casa, reajustar. Não é fácil convencer o board da matriz a fazer investimentos aqui, mas é um país continental, com uma frota com idade média muito avançada e cerca de 240 mil veículos rodando com mais de 30 anos. Isso revela que é um dos mercados que tem o maior potencial de renovação de frota do mundo”, argumenta.

Atualmente, estão em curso diferentes programas de investimento da Mercedes-Benz no Brasil, com um total de R$ 1,4 bilhão entre 2015 e 2018. Deste total, R$ 500 milhões estão sendo dedicados justamente para a modernização da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), responsável pela produção de caminhões e ônibus da marca, além de agregados, como motores, caixas de câmbio e eixos. Outros R$ 230 milhões são aplicados na planta de Juiz de Fora (MG), onde são montadas as cabines dos caminhões produzidos em São Paulo. Além disso, há ainda R$ 70 milhões para a construção do campo de provas de veículos comerciais em Iracemápolis (SP), que a empresa planeja inaugurar em breve.

Apesar do cenário catastrótfico para o setor, Leoncini garante que a empresa seguirá com lançamentos previstos para este ano.

“A gente está sempre modificando alguma coisa e teremos mais novidades neste ano. Parte delas estamos antecipando aqui, mas teremos muito mais a apresentar, em produtos e principalmente em serviços, na Fenatran, que este ano vamos participar. Não sei se a condição agora não é pior do que a da última edição [2015], quando decidimos não participar. Pela lógica, então, não deveríamos ir novamente, mas em respeito ao setor de transporte de carga e aos clientes estaremos lá.”



Tags: Mercedes-Benz, mercado, caminhões, comerciais pesados, Roberto Leoncini.

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