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14/03/2017 | 19h01

Tecnologia

Montadoras precisam de parceiras para inovar, diz Accenture

Segundo consultor, buscar soluções fora de casa é mais rápido e barato


GIOVANNA RIATO, AB

Firmar parcerias com startups, empresas de tecnologia ou usar plataformas já desenvolvidas para oferecer novos serviços são alguns dos caminhos que as montadoras podem seguir para inovar e se digitalizar. As sugestões são de Eduardo Dias, líder da área automotiva na Accenture e defensor de buscar ajuda externa para identificar oportunidades no mercado.

-Veja aqui o estudo completo da Accenture
-Confira mais estudos e estatísticas em AB Inteligência

“Com a crise, há grande capacidade ociosa e as empresas estão fazendo programas internos para tentar mapear chances de negócio. A questão é que, ao abrir esta discussão, é possível chegar a tecnologias diferentes das disponíveis internamente”, diz, ao comentar o estudo sobre digitalização da indústria automotiva elaborado pela consultoria e já disponível em AB Inteligência. “As montadoras precisam firmar parceria com outras empresas e provocar disrupção no setor automotivo antes que alguém de fora faça isso”, alerta.

Segundo Dias, internacionalmente, as montadoras já começam a fazer alianças importantes com empresas de outros segmentos, como meios de pagamento, compartilhamento de carros e de transporte, ou com companhias da área de TI, como a IBM, que firmou parcerias para a aplicação do Watson, seu sistema de inteligência cognitiva, em carros. “Você pode alavancar algo a partir de uma plataforma já desenvolvida por outra empresa ou por uma startup. Isso é oportunidade de exponencializar ganhos”, avalia.

Localmente, ele diz, as fabricantes de veículos começam a demonstrar interesse em abrir as portas para inovar. Segundo o consultor, a crise torna qualquer investimento mais desafiador, algo que tem freado este processo. Por outro, diz, há companhias empenhadas em inovar para largar na frente na hora da retomada. “Cada empresa enfrenta uma situação diferente. Algumas foram muito prejudicadas pela queda nas vendas, outras conseguiram, inclusive, ampliar a participação no mercado”, lembra. E complementa: “Não sei dizer em quanto tempo vamos perceber essa mudança de abordagem para inovar, mas a discussão já começou a acontecer, o que é um bom sinal.”

DISRUPÇÃO DO SETOR

Segundo o estudo da Accenture, a digitalização deixou de ser diferencial para se tornar necessidade bárica para a indústria automotiva. O levantamento aponta que, no lugar de concentrado em produto, o negócio deverá ser centralizado em serviços. Dentro desse formato, é necessário repensar a experiência do cliente, a relação com as concessionárias, com os fornecedores, as tecnologias e sistemas implementados nas fábricas e até mesmo as ferramentas de gestão da companhia.

“É possível usar plataformas digitais como machine learning e robótica para processos da área de contabilidade. Internet das Coisas (IoT) para digitalizar e melhorar a experiência dentro da fábrica e, no departamento de RH, implementar um chat bot para melhorar os processos”, dá o exemplo, citando tecnologias que hoje são cogitadas apenas para os carros ou, no máximo, para o atendimento ao consumidor. Dias enfatiza que é importante digitalizar as empresas internamente, não só da porta para fora.

O estudo indica que, com a digitalização, há potencial para aumentar em US$ 2,3 bilhões o faturamento anual de uma montadora padrão, cuja receita líquida gire hoje em torno de US$ 55 bilhões. Já a lucratividade teria incremento ainda mais relevante, da ordem de 43% até 2020, caso a empresa apostasse em digitalização total, buscando novos modelos de negócios e investindo em inovação.

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