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10/03/2017 | 20h00

Entidades

Governo torna-se o maior cliente da AEA

Associação de Engenharia Automotiva dá suporte técnico à legislação


PEDRO KUTNEY, AB

Orikassa: passivo técnico amplia atuação da AEA
Fundada em 1984 como um braço técnico dos fabricantes de veículos associados à Anfavea, a Associação de Engenharia Automotiva, AEA, vem expandindo seu campo de atuação e, em anos recentes, converteu-se em relevante consultoria técnica para embasar decisões governamentais, políticas e legislações que regulam o setor automotivo nacional. “O governo é hoje o maior cliente da AEA”, resume Edson Orikassa, engenheiro da Toyota que assumiu a presidência da entidade em 2015 e recentemente foi reeleito para um novo mandato de mais dois anos (leia aqui).

Nos últimos anos foram criadas novas diretorias para atender as demandas atuais de regulação e desenvolvimento da indústria automotiva, como por exemplo a diretoria de Novas Políticas Setoriais, para tratar de temas relacionados principalmente ao Inovar-Auto e o programa que deverá sucedê-lo a partir do ano que vem. “Existe um enorme passivo técnico a discutir no País. Vimos a chance de aumentar a representatividade da AEA e nos tornamos uma ferramenta do governo para fornecer suporte técnico às decisões”, justifica Orikassa.

Entre as colaborações mais importantes fornecidas ao governo nos últimos anos, Orikassa cita alguns incentivos extras incluídos no Inovar-Auto, como o desconto maior de imposto para os fabricantes que desenvolverem motores a etanol mais econômicos, que tenham relação de consumo com a gasolina superior a 75% (na média nacional, um carro movido a álcool hidratado roda 70% do que outro abastecido com gasolina). Outra regulamentação introduzida no Inovar-Auto foi a concessão de benefícios, na hora de medir a eficiência energética de cada veículo, para os modelos que adotam equipamentos off-cycle para reduzir o gasto de combustível como start-stop, indicador de troca de marchas, monitor de pressão dos pneus e grade frontal ativa (que fecha a determinada velocidade para reduzir o arrasto aerodinâmico do veículo).

Mais recentemente, a AEA finalizou um manual de auditoria para orientar os técnicos do governo que vão fiscalizar se as empresas cumpriram as obrigações assumidas ao se habilitar ao Inovar-Auto. Entre as exigências do programa estão investimentos em engenharia, pesquisa e desenvolvimento, medição de consumo dos carros pelo Inmetro e o cumprimento de etapas industriais mínimas no País para a fabricação de veículos. “O manual já está pronto e falta agora a publicação pelo governo”, revela Orikassa.

A AEA também já forneceu suporte técnico para outras regulações do setor, como formulação de testes com biodiesel B10, legislação de segurança (por exemplo, adoção obrigatória do controle eletrônico de estabilidade, ESC) e regulação de emissões – a entidade trabalha com o Ibama para formular as próximas fases do Proconve, o programa nacional de controle de emissões veiculares de poluentes.

PRÓXIMOS DESAFIOS

Orikassa divide em três os principais focos de atuação da AEA nos próximos anos: novas políticas para o setor automotivo, indústria 4.0 e o Programa Brasileiro de Controle de Combustíveis, Tecnologia Veicular e Emissões (PCVE). “Este programa insere o Brasil nas melhores práticas globais”, diz o presidente da AEA.

Segundo ele, dentro do escopo do PCVE a AEA já conduziu no País testes de emissões e consumo em cerca de 1,4 mil com veículos a gasolina, flex e diesel de todas as marcas disponíveis no mercado. “Esse enorme banco de dados é fundamental para aferir em qual estágio nos encontramos e para simular o futuro, para onde devemos ou podemos ir como indústria”, explica.

Sobre o suporte técnico às novas políticas industriais do governo que deverão suceder o Inovar-Auto, que termina no fim deste ano, Orikassa diz que o papel da entidade será o de “evitar jabuticabas”, ou de demover a adoção regras que criem produtos só vendáveis no Brasil. O dirigente entende que o próximo programa de fomento à indústria automotiva deverá incentivar a produção de veículos globais no País, com base em um tripé já defendido por membros do governo e dos fabricantes: incentivo contínuo à pesquisa e desenvolvimento, novas metas de eficiência energética e apoio ao adensamento da cadeia nacional de autopeças, tudo com visibilidade de longo prazo, estabelecendo objetivos para algo em torno de 10 anos à frente.

E para poder produzir veículos globais, Orikassa avalia que é fundamental o avanço no Brasil da chamada indústria 4.0, com alto grau de automação, em que máquinas e robôs trabalham conectados em rede. “Precisamos acompanhar a evolução global se quisermos fazer carros modernos aqui”, afirma.

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