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02/03/2017 | 19h30

Carreira

Habituado ao Brasil, Drouin assume Jaguar Land Rover AL

Ex-Peugeot, executivo substitui Frank Wittemann, que foi para a China


PEDRO KUTNEY, AB

Frédéric Drouin: de volta ao Brasil na JLR com o mercado pela metade
Depois de pilotar durante um ano a operação da Jaguar Land Rover (JLR) na América Latina, em ambiente de profunda crise no Brasil que se misturou à inauguração da primeira fábrica do grupo britânico na região, Frank Wittemann foi promovido para comandar a fabricante em seu maior mercado, a China. Para seu lugar foi contratado o franco-suíço Frédéric Drouin, que acumula 10 anos de experiência em duas passagens pelo Brasil, quando trabalhava no Grupo PSA – de 1997 a 2000 foi diretor de marketing da Peugeot no País, de 2007 a 2010 voltou para dirigir o Banco PSA, passou para a direção comercial da Peugeot América Latina e a partir de 2012 assumiu também a direção geral da marca francesa no Brasil, onde ficou até 2014, ao ser transferido para a PSA na Suíça.

Drouin volta ao País em ambiente muito diverso do que deixou. “Desde que saí o mercado caiu pela metade, mas temos duas marcas com grande herança e bom potencial na América Latina. A Land Rover já está bem estabelecida e a Jaguar tem possibilidade de crescer mais”, disse o executivo em seu primeiro encontro com jornalistas, dois dias assumir seu posto em São Paulo. Com a experiência que já tem por aqui, ele é cauteloso a fazer qualquer previsão: “As coisas mudam rápido no Brasil, mas o mais provável é que 2017 seja um ano estável, com volta do crescimento somente em 2018”, arrisca.

Após cinco anos de crescimento contínuo no Brasil, as vendas da Land Rover recuaram 24% em 2016, com 6,7 mil unidades, o que foi parcialmente compensado pelo desempenho da Jaguar, com avanço de 113%, mas sobre números ainda incipientes, totalizando 796 unidades vendidas no ano passado. O alento é que a queda foi abaixo da retração da média registrada do segmento de veículos premium no País, que declinou em torno de 30%. “Isso mostra que o consumidor de faixa mais alta de renda também está cauteloso”, avalia Drouin.

MERCADO PREMIUM

Com menos de 50 mil emplacamentos em 2016, o mercado de veículos premium continua travado no Brasil, representa muito pouco, menos de 3% das vendas e bastante abaixo de outros países. Assim como a maioria dos analistas, Drouin acredita que esse porcentual deverá se aproximar da casa dos 10% nos próximos anos. “Muitos que poderiam comprar um carro premium no Brasil ainda não fazem isso porque têm algum medo. O custo de manutenção preocupa, assim como outros fatores como segurança ou condições de financiamento”, diz.

Ele avalia que isso deve melhorar com o tempo e algumas ações dos fabricantes. “Uma dessas ações, por exemplo, é o plano de manutenção de cinco anos com preços fixos que vamos lançar (semana que vem) para toda nossa linha de veículos”, revela. “Outra iniciativa foi oferecer blindagem com certificação de garantia de fábrica”, acrescenta.

“Com sua experiência aqui e o domínio do idioma, Frédéric vai nos ajudar a desenvolver este mercado para a Jaguar Land Rover. O Brasil continua a ser um mercado importante para o nosso crescimento global e deveremos ver sua recuperação nos próximos anos. Apesar das condições ruins (do ano passado), conseguimos ganhar algum market share e vamos seguir avançando”, afirmou Dimitry Kolchanov, diretor de mercados internacionais da JLR, divisão que reúne cerca de 114 países na América Latina, África, Rússia e Ásia com exceção da China.

À ESPERA DO INOVAR-AUTO 2

A fábrica da JLR em Itatiaia (RJ), inaugurada em junho do ano passado com boa parte do programa de investimento da empresa no Brasil de R$ 750 milhões até 2020, opera em ritmo lento uma linha de montagem em CKD de dois modelos Land Rover, o Range Rover Evoque e o Discovery Sport, que juntos representam cerca de 60% das vendas da marca no mercado brasileiro. “Para crescer no Brasil é importante ter presença industrial”, destaca Drouin.

Para seguir com os próximos passos do projeto, incluindo instalação das áreas de soldagem e pintura, a empresa aguarda as decisões em relação à política industrial para o setor automotivo, na possível segunda fase do Inovar-Auto – o programa atraiu investimentos de fabricantes como a JLR ao sobretaxar veículos importados, mas termina no fim deste ano e ainda não há definições sobre sua continuação.

“Temos expectativas de como o Inovar-Auto continuará e esperamos por uma posição positiva do governo para decidir os próximos passos no Brasil”, afirma Kolchanov. A próxima etapa do programa de desenvolvimento da indústria automotiva no País também deverá influir sobre a decisão de começar (ou não) a exportar os Land Rover feitos em Itatiaia. “Precisamos esperar por essas definições para ampliar as etapas produtivas e exportar”, diz.

Da maneira como está hoje, a planta de Itatiaia monta veículos com grande volume de componentes importados, boa parte deles, incluindo motores, com redução de imposto de importação a 2%, pois foram enquadrados em regime especial ex-tarifário, para itens sem similar nacional. Isso torna inviável ou desabilita os produtos para exportação aos mercados mais óbvios do Mercosul, onde existem exigências mínimas de localização dentro do bloco.

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