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Balanço | 23/02/2017 | 20h00

Grupo PSA registra novo lucro na América Latina

Brasil ainda dá prejuízo, mas resultados também melhoram

PEDRO KUTNEY, AB

Em 2016 o balanço do Grupo PSA na América Latina continuou a ser escrito com as letras azuis. A empresa dona das marcas Peugeot, Citroën e DS não divulga os números financeiros regionais recortados, mas informa que a região passou de “três dígitos de prejuízo para três dígitos de lucro” em milhões de euros nos últimos dois anos. “Nossa rentabilidade duplicou neste mercado no ano passado e (exceto pelo Brasil) os volumes vendidos também cresceram. Isso quer dizer que vendemos mais e melhor, além de continuar reduzindo custos, que baixaram 60% entre 2012 e 2016, sendo 21% só no ano passado. Isso explica o resultado positivo”, resumiu Carlos Gomes, presidente do grupo no Brasil e América Latina, em entrevista após a divulgação dos resultados globais da companhia, na quinta-feira, 23 (leia aqui).

Segundo o executivo, estão sendo aplicadas na região sob sua supervisão as mesmas diretrizes do plano estratégico “Push to Pass”, lançado no ano passado, após a companhia se recuperar de seguidos anos de prejuízo que quase a levaram à falência. A principal meta é crescer com rentabilidade sustentável, sem preocupação com participação de mercado, mas por meio da valorização das marcas e venda de produtos e serviços que trazem lucro. No caso da América Latina, o resultado palpável divulgado dessa política é a expansão de volumes para 183,9 mil veículos vendidos em 2016 nos países da região, 17,1% a mais na comparação com 2015, o que garantiu ligeiro aumento de 3,3% para 3,6% no market share regional.

BRASIL AINDA NO PREJUÍZO

Os países que mais contribuíram para o resultado positivo latino-americano da PSA, pela ordem, foram a Argentina – onde a participação avançou mais de um ponto porcentual, de 11,7% para 12,8%, com embalo trazido pelo lançamento do Peugeot 2008 feito no Brasil – e o Chile, com ampliação em ritmo parecido, de 5,4% para 6,9% e liderança entre as marcas europeias de veículos. O Brasil continuou a registrar prejuízo, com modesto avanço de market share de 2,4% para 2,5%. “Claro que não estou satisfeito com isso, queremos e podemos mais. A PSA não está bem no País, mas está melhor do que estava. Houve progressos, o Brasil foi o país que mais evoluiu em qualidade de serviços e isso gerou melhor reconhecimento de nossas marcas”, ponderou Gomes.

“O mercado brasileiro continuou a cair e por isso não ajudou em termos de volumes, mas nós caímos menos, e se não conseguimos vender mais, vendemos melhor, mantendo a disciplina comercial, sem guerras de descontos ou publicidade de bananas”, destacou o executivo, que diz esperar por estabilidade de vendas em 2017. “A queda continuou forte em janeiro, demonstrando que a recuperação ainda pode demorar. Deverá ser um ano em que o segundo semestre compensará o primeiro”, avalia. “Nesta fase, não estou otimista, mas não estou mais pessimista.”

Uma das fontes do esperado aumento da rentabilidade no Brasil poderá vir da superação das metas de eficiência energética previstas no Inovar-Auto, que pode render de um a dois pontos porcentuais de desconto no IPI. “Foi para isso que lançamos aqui o motor 1.2 PureTech (que equipa Peugeot 208 e Citroën C3)”, lembra Gomes. Segundo ele, a PSA está otimista com os resultados aferidos, mas terá de aguardar a medição oficial pelo Inmetro para confirmar ou não o incentivo fiscal.

METAS MANTIDAS

Mesmo com o declínio do mercado brasileiro, o maior da região, Gomes destaca que as metas da PSA traçadas para a América Latina continuam ambiciosas. Em 2017 a estimativa é vender 200 mil unidades em países latino-americanos. Até 2021 a empresa fará 16 lançamentos no Mercosul, com ofensiva na área de veículos comerciais e a introdução da plataforma modular CMP de veículos compactos, com produção em Porto Real (RJ), no Brasil, e na Argentina, onde a planta de El Palomar vai passar por transformação e recebe investimentos de US$ 320 milhões para introduzir a nova plataforma. No mesmo período o objetivo é duplicar os volumes vendidos, triplicar a rentabilidade e aumentar a localização de componentes para 85%.

“O mercado brasileiro agora não nos conduz à necessidade de novos investimentos em ampliação. Mas Porto Real já recebeu muitos investimentos de 2011 a 2015, hoje é uma das plantas mais produtivas do grupo no mundo e continuará a receber as modernizações necessárias”, disse Gomes em resposta à pergunta sobre o porquê do aporte anunciado só para a Argentina.

A planta brasileira produziu 82 mil carros em 2016 e a argentina 59 mil. Ambas exportaram cerca de metade da produção, mas quase boa parte das vendas externas das duas unidades foi de um país para o outro. Um volume significativo de mais de 50 mil veículos vendidos na América Latina no ano passado foi importado da PSA Europa. Gomes avalia que as exportações das fábricas do Mercosul para países sul-americanos têm potencial para crescer nos próximos anos, mas não há meta fixada para isso. Ele diz que a montadora segue buscando oportunidades, citando o exemplo da venda para o Egito do Citroën Aircross feito no Brasil.

Sobre a provável compra pelo Grupo PSA da alemã Opel da GM, Gomes diz que de imediato, se o negócio for confirmado, há pouco ou nenhum impacto sobre a operação na América Latina. “Hoje a Opel praticamente não existe na região”, disse. Mas o executivo avalia que é uma boa oportunidade de expansão para o grupo francês que tem € 1,3 bilhão em caixa. “Hoje isso é mais do que têm muitas companhias maiores do setor. A PSA não nega que está em busca dessas oportunidades, como aconteceu com a aquisição recente da Proton na Malásia, que faz cerca de 100 mil carros por ano e já chegou a fazer 300 mil”, lembra.



Tags: Grupo PSA, América Latina, PSA, Peugeot, Citroën, balanço, resultado, lucro, prejuízo.

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