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16/02/2017 | 17h47

Crédito

Bancos de montadoras projetam leve recuperação em 2017

Alta dos licenciamentos deve elevar volume de crédito e saldo das carteiras


SUELI REIS, AB

Gilson Carvalho, presidente da Anef, faz balanço e divulga projeções para financiamentos
Com a expectativa de alta de 4% das vendas de veículos para 2017, para algo em torno de 2,13 milhões de unidades, entre leves e pesados, as montadoras preveem um desempenho pouco melhor que o de 2016 nos negócios que envolvem os financiamentos do setor. A Anef, associação dos bancos de montadoras, espera por crescimento, ainda que tímido, de 2,5% no saldo das carteiras, para R$ 166,7 bilhões contra os R$ 162,7 bilhões do ano passado, volume que representou queda de 11,4% sobre o resultado do exercício anterior. A Anef e os bancos associados às montadoras respondem por 65% do total de veículos financiados atualmente.

- Veja aqui o balanço completo dos bancos das montadoras (Fonte: Banco Central);
- Veja aqui outros dados de financiamentos de veículos;

“Será uma pequena recuperação, que não é forte, mas esperamos um crescimento no saldo”, reforça o presidente da entidade, Gilson Carvalho, durante a apresentação do balanço do segmento financeiro em 2016, na quinta-feira, 16, em São Paulo. “Neste primeiro semestre, o mercado deverá manter o ritmo, ainda influenciado pelo baixo nível de confiança e ninguém quer comprometer sua renda ou ficar inadimplente. Mais adiante, nossa expectativa é de crescimento no volume de negócios, mas ainda muito inferior aos anos anteriores”, completa o executivo.

A projeção da Anef também aponta que o total de recursos liberados pelos bancos do setor para o financiamento de veículos também deverá se elevar em 5,5%, passando de R$ 82,2 bilhões em 2016 para R$ 86,7 bilhões neste ano, considerando CDC e leasing. No ano passado, devido à baixa demanda por crédito, as concessões diminuíram quase 10%, retornando ao patamar de 2008.

“O fraco desempenho da economia impactou fortemente na concessão de crédito ao mesmo tempo em que os bancos foram mais rigorosos em razão do aumento dos riscos. Com isto, muitos consumidores optaram por adiar as compras com medo de não quitar a dívida. Foi um ano de muita cautela, tanto por parte das pessoas quanto por parte das instituições financeiras”, avalia Carvalho.

Aliada à baixa confiança, a tendência de alta do nível de desemprego esperada para este ano ainda deverá afetar a inadimplência do setor, que em 2016 fechou em 4,6% para pessoa física e em 5% para a jurídica.

O presidente da Anef confirma que o nível ficou abaixo das expectativas e que continua crescendo. “Pode piorar um pouco, com um pico mais para a metade do ano; economistas falam ainda de uma elevação residual na taxa do desemprego, o que deve elevar um pouco os atrasos nos pagamentos. A partir do segundo semestre deve alcançar a estabilidade, mas acreditamos que para o fim deste ano, o nível deverá ser menor que os 4,6% de 2016”, projeta.

O difícil cenário durante 2016 mexeu na fatia de participação das modalidades: considerando o segmento leve, embora o CDC continue como a principal opção dos consumidores na hora de financiar um automóvel, a ferramenta perdeu espaço, passando de 53% para 49% do total de financiamentos do segmento em 2016. Ao mesmo tempo, os pagamentos à vista cresceram de 40% para 44% em um ano, enquanto consórcios e leasing ficaram estáveis, com 5% e 2%, respectivamente.

No segmento pesado, o movimento não foi diferente: as vendas à vista subiram de 15% para 17%, enquanto o financiamento via Finame diminuiu de 66% para 62%. “Apesar disso, o Finame vai continuar como o carro chefe dos financiamentos de pesados, continuam com taxas mais próximas do mercado”, comenta Diego Marin, representante da Anef para o setor de veículos comerciais.

Por outro lado, para o setor de duas rodas, o consórcio se mostra como a melhor opção, uma vez que a concessão de crédito para este consumidor está mais restritiva do que para os demais. Em 2016, a participação dos consórcios para aquisição de motocicletas chegou a 36% contra os 35% do ano anterior, enquanto os pagamentos à vista caíram de 32% para 30%. Os financiamentos totalizaram 34% dos negócios sobre os 33% de um ano antes. Para se ter uma ideia, há 10 anos, os financiamentos de motos chegava a 56%, curva que começou a cair em 2011.

“É o segmento que mais sentiu a queda da disponibilidade de crédito”, afirma Ricardo Tomoyose, vice-presidente setorial de motocicletas da Anef.

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