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14/02/2017 | 17h37

Indústria

Volvo anuncia investimento de R$ 1 bilhão nos próximos 3 anos na América Latina

Aporte focará em desenvolvimento de produtos, atualização em Curitiba e em serviços


SUELI REIS, AB

Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo na América Latina, anuncia novo investimento na região
“Estamos prontos para a retomada”. Foi com estas palavras que Wilson Lirmann, o primeiro presidente brasileiro do Grupo Volvo para a América Latina, anunciou um novo ciclo de investimento na região. O aporte de R$ 1 bilhão será aplicado entre 2017 e 2019 e terá como foco o desenvolvimento de novos produtos, a atualização da fábrica de caminhões e ônibus de Curitiba (PR) e incremento na área de serviços.

A maior parte do investimento, cerca de 90%, será destinada ao Brasil, afirmou o executivo durante encontro anual com a imprensa brasileira para divulgar o balanço de 2016, realizado na terça-feira, 14, em São Paulo.

“A ideia é complementar a oferta [de produtos] e manter a dianteira”, reforça Lirmann. Ele explica que o novo ciclo sustentará a meta da companhia em manter-se líder no mercado em que atua – caminhões acima das 16 toneladas de PBT ou os denominados semipesados e pesados – cuja participação da marca chegou a 28,8% em 2016, seu terceiro ano consecutivo à frente deste segmento. No ano passado, as vendas totais destes modelos no mercado brasileiro ficaram em 29,6 mil unidades, uma queda de quase 30% sobre 2015.

O último ciclo de investimento do grupo na América Latina foi equivalente a US$ 500 milhões no período entre 2013 e 2015, o que incluiu a última grande renovação da linha de caminhões, com a nova geração dos modelos da Linha F, lançada em 2014. Lirmann garante que 2016 não ficou de fora dos investimentos da empresa, mas que a Volvo prefere não divulgar o valor por critério da matriz sueca. Ele cita as novidades apresentadas no ano passado, como a versão do semipesado VM de 32 toneladas, indicado para o mercado de construção civil (leia aqui), além do lançamento da sexta geração da caixa automática iShift, que equipa praticamente 100% dos caminhões que saem da fábrica (leia aqui).

UM ANO DE OPORTUNIDADES

O segmento de pesados e semipesados em que a Volvo atua no Brasil é o que mais caiu nos últimos três anos, chegando a perder volume em mais de 70% desde 2013. Como efeito, o cenário obrigou a companhia a rever sua operação: “Quando o mercado está deste jeito, temos que nos ajustar à velocidade do mercado – e o fizemos”, afirma o diretor de caminhões Volvo no Brasil, Bernardo Fedalto. “Foi um ano de sacrifícios, lamentavelmente reduzimos o quadro”, afirma. No ano passado, a empresa dispensou 400 empregados de sua sede em Curitiba, a maior parte por meio de um programa de demissões voluntárias (PDV). Hoje, a fábrica que ainda atua com ociosidade de 70%, em linha com a indústria nacional de veículos pesados, conta com 3 mil funcionários.

A queda generalizada do mercado brasileiro, entre caminhões e ônibus, consequentemente também mexeu com os resultados da companhia: o faturamento passou de R$ 5,5 bilhões em 2015 para R$ 4,8 bilhões em 2016 na região da América Latina, que hoje responde por 5% do faturamento global. “Já fomos 10%; em 2011”, lembra o presidente Lirmann. “Equilibramos os resultados, mas está longe de ser satisfatório”, completa. Globalmente, o Grupo Volvo também diminuiu seu faturamento de um ano para o outro, em 3%, para US$ 33,7 bilhões. O Brasil, que já foi o segundo maior mercado da Volvo no mundo, figura hoje como o quinto, atrás de Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França, nesta ordem.

Na América Latina, foi fora do Brasil que o grupo encontrou alento: as exportações para outros mercados da região cresceram 30,6% em 2016, fazendo aumentar a fatia de participação das exportações na produção nacional, que passou de 29% em 2015 para 42% em 2016, em detrimento da participação do mercado brasileiro.

Destaques foram Peru, onde a Volvo alcançou a liderança do mercado na faixa de caminhões em que atua com 28%, e a Argentina, onde embora as vendas de caminhões tenham caído de 12 mil para 10 mil unidades no ano passado, a empresa ganhou market share, passando de 8% para 16%. “Acreditamos que há uma tendência de crescimento para este ano no mercado argentino”, afirma Lirmann.

O Chile também ganhou atenção maior da montadora, tanto que o país está incluso no novo plano de investimentos: “Vamos dobrar nossa presença no Chile, de sete para treze concessionárias”, revela Lirmann.

Para estes mercados, a Volvo projeta crescimento de 20% na Argentina, que tem uma base de comparação muito baixa, enquanto Chile deve ter um pequeno crescimento de 5% neste ano. No Peru as estimativas apontam para estabilidade no mercado de caminhões.

VOLTAR A CRESCER NO BRASIL

O ano de 2017 não deve ser dos piores, prevê a Volvo. Embora sobre uma base ainda negativa, o mercado deve voltar à curva de crescimento neste ciclo. “Devemos ficar entre a estabilidade e um crescimento de até 10% ou até mais do que isso”, estima Lirmann.

Com a firme missão de manter a liderança no segmento pesado, a empresa também visa aumentar sua participação no segmento de semipesado, com a linha VM. Tal visão é sustentada pela combinação de alguns fatores, que para Lirmann, indicam alguma tendência para a retomada já a partir deste ano.

O agronegócio, e em especial, a expectativa de novo recorde na atual safra de grãos é o alvo preferido da montadora, além da sinalização de retomada de investimentos na área do petróleo, bem como nas próprias exportações. O quesito infraestrutura ainda gera incertezas: “Não temos perspectivas, o governo sinaliza uma agenda positiva, mas estamos acompanhando e vamos esperar para que haja um avanço e coloquem as coisas em marcha com as concessões”.

Já para o segmento semipesado, Fedalto afirma que a retomada mais consolidada dependerá da área industrial. “Como os emplacamentos demoram cerca de 45 dias para se concretizarem após a venda efetiva, o mercado deve ver os primeiros números mais positivos a partir de fevereiro ou março.”

Para ônibus, o presidente da divisão Volvo Bus na América Latina, Fabiano Todeschini, estima que dependerá muito mais da atuação das novas prefeituras que acabaram de tomar posse. “Acreditamos em um volume de 700 unidades para a Volvo neste ano, e para o mercado total de ônibus no Brasil, um crescimento de 10% a 15%”, projeta. “Se algumas cidades confirmarem a renovação da frota, este número pode subir para 1 mil [unidades]”. Ele conclui prevendo que para a região, o segmento de chassis deve alcançar volume entre 1,5 mil a 2 mil chassis.

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