NOTÍCIAS
06/01/2017 | 21h00

Mercado

Hyundai sobe ao clube das 4 grandes

Marca foi a quarta mais vendida no Brasil em 2016 com 10% de share


PEDRO KUTNEY, AB

Hyundai HB20: sucesso instantâneo de vendas
Produtos certos, na hora certa, bem equipados, design agradável, preços atraentes, alguma ousadia, rápida expansão da rede sem exageros, boa experiência de compra e assistência na concessionária. Esses são os ingredientes básicos do (talvez único) sucesso instantâneo do mercado brasileiro de veículos, protagonizado pela coreana Hyundai, que com apenas dois produtos nacionais competitivos conseguiu, no curto espaço de quatro anos, entrar para o seletivo clube das quatro marcas mais vendidas do País – algo que permaneceu inalterado por mais de três décadas.

Em 2016 a Hyundai emplacou o total de 197.860 veículos, sendo 30.186 unidades comercializadas pelo Grupo Caoa – importador oficial exclusivo da marca que desde 2008 também monta modelos sob licença em Anápolis (GO); hoje o minicaminhão HR e os SUVs Tucson, ix35 e New Tucson. A fábrica de Piracicaba (SP) – um investimento próprio da Hyundai que inaugurou a planta em 2012 e há três anos opera em três turnos de produção – foi responsável por todo o resto, abastecendo o mercado brasileiro com 167.674 carros da família HB20, hatch e sedã, que responderam por 85% das vendas da marca no País.

Enquanto as vendas totais da marca caíram 3,33% no ano passado na comparação com 2015, considerando apenas os emplacamentos dos HB20 houve crescimento de 2,4%. Na soma geral, a Hyundai abocanhou 1,7 ponto porcentual de participação no mercado brasileiro, alcançando market share de quase 10% (9,96%), e assim conquistou a quarta posição do ranking nacional, subindo duas posições na tabela e desalojando as tradicionais Ford e Renault.

EM BUSCA DE DIFERENCIAÇÃO

“Esse sucesso começou a ser desenhado desde o início da operação brasileira em Piracicaba, em 2012, com o lançamento de carros que acertaram em cheio o gosto do consumidor brasileiro, tanto pelo design como pela oferta de equipamentos de série desde as versões de entrada como direção assistida, ar-condicionado e sistema de infoentretenimento, coisas que os concorrentes não ofereciam”, enumera Angel Martinez, que em outubro passado assumiu a direção de marketing e vendas da Hyundai Motors Brasil. “Com produto que oferece mais (por preços parecidos) a marca deu uma chacoalhada nas big 4”, resume o executivo.

Martinez também destaca a estratégia adotada nas cerca de 200 concessionárias HMB – que só vendem os produtos fabricados em Piracicaba. “Tomamos o caminho de oferecer uma experiência de compra agradável, um momento especial, com entrega técnica personalizada em horário agendado, além de oferecer assistência técnica que vem sendo bastante elogiada pelos clientes, que contam com cinco anos de garantia e reconhecem a qualidade do veículo. Isso garante a segunda compra na mesma marca e valoriza o carro usado na hora da troca”, afirma o diretor.

Com apenas 50 anos fabricando carros, Martinez destaca que o Grupo Hyundai criou uma cultura corporativa bastante diferente dos fabricantes tradicionais, com ousadia bem dosada e calculada, que fez a marca se diferenciar em diversos mercados no mundo. No Brasil acontece o mesmo. “Tínhamos de nos diferenciar. Se fôssemos fazer da mesma forma que os outros seríamos apenas mais uma marca. Apostamos em oferecer produtos desejados, qualidade, garantia e processos de venda que têm como missão conquistar o cliente pelo resto da vida dele”, diz.

SEM LOUCURAS

Martinez garante que a conquista do quarto lugar em 2016 foi realizada sem descontos excessivos ou grandes volumes de vendas diretas para turbinar os emplacamentos do ano. “Fomos agressivos em oferecer bom conteúdo com uma estratégia saudável, sem praticar loucuras de fim de ano. Não teve política excepcional, não foi adotado nada diferente em dezembro para assegurar o quarto lugar”, afirma, referindo-se à prática conhecida como rapel, em que as montadoras emplacam carros não vendidos para aumentar a participação de mercado.

O diretor afirma também que está “funcionando bem” a divisão e ao mesmo tempo parceria de mercado que a Hyundai tem com o Grupo Caoa, que é o maior concessionário da marca no País, com 61 lojas próprias e 31 licenciadas para a venda dos modelos importados e montados em Anápolis, além de outras 31 concessionárias HMB, que vendem os carros feitos em Piracicaba. “É o nosso maior vendedor, que tem investido e se diferencia”, diz Martinez.

O número de concessionárias HMB deverá ser mantido no patamar atual de 200 pontos de venda, para garantir maior rentabilidade por loja, segundo Martinez. “Não temos planos de ampliar a rede, no máximo poderemos fazer alguma renovação, pois a Hyundai já é uma das franquias mais desejadas, devido à boa rentabilidade.”

OTIMISMO

Para o diretor, 2017 deverá ser outro ano bom para a Hyundai no Brasil, especialmente com a chegada ao mercado de mais um produto feito em Piracicaba, o SUV compacto Creta, que começou a ser vendido em janeiro. “Seguimos os mesmos princípios adotados no HB20, com boa oferta de equipamentos, o motor 1.6 mais potente do segmento (130 cv) e grande gama de preços (que vão de R$ 72,9 mil a R$ 100,6 mil). Acreditamos que será outro sucesso de vendas”, afirma.

A Hyudai espera vender cerca de 3 mil Creta por mês em 2017 (leia aqui). Isso deverá ser mais que suficiente para manter a fábrica de Piracicaba trabalhando em três turnos. Atualmente a planta opera com 90% de sua capacidade, segundo a Hyundai.

Martinez diz que a Hyundai espera crescimento do mercado brasileiro em linha com a projeção da Anfavea, que estima expansão das vendas em torno de 4% em 2017. “Estamos otimistas, com expectativa de PIB positivo, juros e inflação em queda. É um cenário macroeconômico melhor que o visto em 2016. Mas como já são vários anos declinando, esperamos agora um avanço leve. Se vier mais será bom para todos.”

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 19/04/2017
Fórum da Indústria Automobilística mostra previsões dispersas por incertezas

Esta coluna é apoiada por:

Advertisement
DE CARRO POR AÍ | 20/04/2017
Primeiras unidades da nova versão chegam em julho
AUTOINFORME | 19/04/2017
Montadora chinesa investe para melhorar produtos
QUALIDADE | 21/03/2017
Jovens buscam solução de mobilidade e querem permanecer conectados
Negócios | 08/03/2017
Tecnologia faz parte da receita para sair da crise
INOVAÇÃO | 13/02/2017
Precisamos de bons exemplos que marcaram a história pela capacidade de ousar e criar
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
DISTRIBUIÇÃO | 09/08/2016
Crise pode reduzir negócios no pós-venda ou ser oportunidade para manter clientes mais próximos
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes