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05/01/2017 | 16h39

Mercado

Vendas de pesados voltam a crescer neste ano

Anfavea projeta aumento de 6,4% nos licenciamentos de caminhões e ônibus


SUELI REIS, AB

As vendas de veículos pesados devem voltar a crescer em 2017 após três anos consecutivos de queda, revela a projeção de mercado para o ano divulgada pela Anfavea na quinta-feira, 5. A entidade que reúne as montadoras instaladas no País espera um aumento de 6,4%, para um volume de 65,6 mil unidades, entre caminhões e ônibus, contra as 61,7 mil unidades licenciadas em 2016, resultado que ficou quase 30% abaixo do ano anterior.

-Veja aqui os dados da Anfavea
-Leia também: Veja os resultados do setor automotivo em 2016


“Haverá crescimento porque a base é muito baixa”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Luiz Carlos de Moraes, durante a apresentação dos resultados em coletiva à imprensa realizada em São Paulo. Ele explica que a partir do que se espera, isso representará no total cerca de 4 mil a 5 mil unidades a mais do que as de 2016: “Estamos falando de uma média de 500 unidades a mais para cada montadora neste ano.”

Entre os fatores que podem ajudar a indústria automotiva a alcançar este número, a Anfavea elenca a necessidade de renovação de parte da frota de caminhões, já envelhecida: “As reduções que ocorreram nos últimos anos foram muito drásticas; ainda temos frotas mais antigas, deve haver uma renovação moderada”, argumenta Moraes.

Junta-se a isso a boa expectativa para a próxima safra agrícola, também capaz de estimular alguns nichos de mercado. Além disso, Moraes cita a sinalização de redução da taxa de juros, o que pode ajudar na redução da inflação e, consequentemente, em uma melhora gradual no cenário econômico.

“O governo também sinalizou anúncios referentes à infraestrutura até o fim do primeiro semestre. Mesmo que de forma moderada, haverá crescimento”, defende.

UM ANO PARA ESQUECER

Se por um lado, a Anfavea está otimista com relação ao que pode realizar em 2017, por outro, 2016 é um ano para esquecer: os licenciamentos de caminhões somaram 50,5 mil unidades, voltando ao nível de 1999. E embora dezembro seja um mês sazonalmente mais robusto em vendas, o resultado positivo de 17% sobre novembro não foi suficiente para fechar o ano como a entidade previa: as montadoras calcularam encerrar com pelo menos 66 mil veículos emplacados, somando caminhões e ônibus. Não foi o que aconteceu: o realizado ficou 6,5% abaixo desta projeção. Com isto, a capacidade ociosa do setor de pesados fechou 2016 acima dos 70%.

Apesar disso, as montadoras consideram que o resultado real ainda está dentro da margem. “Fechamos em linha com o que imaginamos para o ano. Todos os segmentos caíram na mesma proporção. As vendas de dezembro representaram pequeno alívio, superando as 4 mil unidades, mas a base de novembro foi baixa”, comenta Moraes.

Com um mercado muito aquém da capacidade instalada, a produção de caminhões em 2016 ficou 18,2% abaixo do ano anterior, encerrando com 60,6 mil unidades. A queda só não foi maior porque as empresas vêm adotando medidas ao longo do ano para tentar equilibrar os estoques com o ritmo lento do mercado interno e com o melhor compasso das exportações, que cresceram 2,3% no comparativo anual, para 21,4 mil unidades.

ÔNIBUS

No segmento de chassis o cenário não foi diferente: em 2016, com pouco mais de 11,1 mil ônibus emplacados, a retração chegou a 33,5%. “É uma queda relevante e bastante preocupante”, admite o vice-presidente da Anfavea. Ele informa que a Anfavea está engajada junto ao governo para desenhar a nova linha de crédito denominada Refrota, anunciada no fim de 2016 e que prevê condições diferenciadas de financiamento para até 10 mil ônibus (leia aqui).

“É mais uma ferramenta para facilitar os financiamentos, mas ainda estamos em fase de estruturação e provavelmente este não será um volume para o primeiro ano. Esperamos também que as prefeituras que estão sendo renovadas neste ano retomem em breve suas renovações de frotas urbanas”, conclui.

Enquanto as vendas internas recuaram, as exportações de chassis fabricados no Brasil subiram 33,2%, para 9,7 mil unidades. Contudo, a produção ainda ficou 13% menor do que a 2015, ao totalizar 18,7 mil unidades.

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