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15/12/2016 | 19h28

Mercado

FCA espera crescimento de Fiat e Jeep em 2017

Empresa projeta bons resultados com produtos recém-lançados e a lançar


PEDRO KUTNEY, AB

Em um ano bastante difícil no Brasil, só o lado Jeep do Grupo FCA foi bem, com vendas em torno de 55 mil unidades, em crescimento de quase 50% este ano em relação a 2015. No lado Fiat da corporação, no entanto, o resultado é péssimo, devendo ficar abaixo dos 300 mil veículos emplacados em 12 meses, em retração abrupta acima dos 30% sobre o exercício anterior e perda de 2,4 pontos porcentuais de participação de mercado, para 15,4%. Mesmo assim, os números somados são suficientes para consolidar a FCA como a fabricante que mais vendeu carros no mercado brasileiro em 2016, com cerca de 18% do total emplacado. No conjunto da obra, englobando todas as marcas da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), o desempenho é considerado bom pela direção da empresa.

“Em 2015 tivemos prejuízo na região. Por isso em 2016 o objetivo foi ganhar dinheiro, retomar a rentabilidade da operação e dos concessionários. Tomamos a decisão de não comprar market share. Foi um ano complicado, mas estamos orgulhosos dos resultados que conseguimos”, afirma Sérgio Ferreira, diretor comercial da FCA no Brasil, projeta a continuação do crescimento da Jeep e a volta dele para a Fiat. “O fundo do poço fica em 2016, 2017 não será pior. Estamos cautelosamente otimistas, o mercado deve crescer ao menos um dígito porcentual”, calcula. No caso da FCA, que no conjunto de marcas perdeu um ponto de participação este ano, Ferreira avalia que o desempenho será melhor, sem perda de market share.

A projeção leva em conta a consolidação de modelos recém-lançados que terão seu primeiro ano completo no mercado, como é caso do SUV Jeep Compass que chegou às concessionárias em novembro e já tem dois meses de fila de espera, e da Fiat Toro, que em nove meses tornou-se a segunda picape mais vendida do País, próxima dos 40 mil emplacamentos este ano. Os compactos Fiat Mobi e novo Uno equipados com os novos motores Firefly 1.0 três-cilindros e 1.3 de quatro também devem ajudar a atrair mais clientes. E em 2017 estão previstos dois importantes lançamentos de carros completamente novos da Fiat: o principal deverá ser o carro que de uma só vez substituirá Palio e Punto.

FIAT MAIS AFETADA

Ferreira explica que a Fiat foi mais afetada pela baixa do mercado porque atua fortemente no segmento que mais se retraiu, o de compactos, que representam 40% das vendas de veículos no Brasil, cerca de 60% deles equipados com motor 1.0. A marca italiana segue líder dessa faixa há seis anos, mas a retração maior puxou o resultado para baixo. O Mobi, modelo de entrada da Fiat lançado em abril deste ano, não alcançou as expectativas de 6 mil unidades/mês, ficou em 4 mil/mês, “mas alcançou a participação de 3% das vendas totais, que é o topo do que nós esperávamos de 2,5% a 3%”, ressalta o diretor.

Em segmento mais rentável, o executivo recorda que a Fiat também lidera entre os comerciais leves no País desde 2002, e desde 2000 está na frente do segmento de picapes com a Strada, que este ano ganhou a companhia da Toro para dominar, as duas, 40% dos emplacamentos. “Tínhamos alguma preocupação que a Toro iria canibalizar as vendas da Strada, mas isso não aconteceu”, diz.

“Mesmo com uma rede (de 559 concessionárias Fiat) preparada para um mercado de 4 milhões de veículos/ano, os concessionários conseguiram se manter rentáveis com apenas metade do volume previsto”, destaca Ferreira. Segundo ele, no ano “apenas 30 lojas fecharam, muito mais por uma readequação de tamanho”.

Para 2017 a FCA prepara um novo posicionamento para a Fiat, baseado na transformação verificada dos consumidores brasileiros. Também está prevista a adoção de um plano estratégico para a rede de concessionárias, que deve ser iniciado em janeiro próximo e se estender pelo resto do ano, englobando também as 191 concessionárias Jeep – 47 das quais vendem as outras marcas do Grupo Chrysler, como Dodge e Ram além da própria Chrysler. “Alguns concessionários poderão assumir mais marcas, assim como poderemos lançar produtos com diversas marcas”, diz Ferreira, lembrando que a picape Fiat Strada é vendida como Ram no México – e aqui no Brasil a FCA já vendeu um mesmo modelo com duas marcas diferentes, caso do Dodge Journey que conviveu com o Fiat Freemont.

JEEP NO SEGMENTO QUE MAIS CRESCE

Ferreira afirma que a participação da Jeep no segmento de utilitários esportivos, o que mais cresce no Brasil atualmente, “superou todas as expectativas”. Atuando nessa faixa com dois produtos fabricados em Pernambuco, o Renegade e o recém-lançado Compass, em dezembro a FCA liderou as vendas de SUVs no País com 24,5% dos emplacamentos. No ano, a Jeep vendeu 54.138 unidades (até novembro) e ainda perde para a Honda por apertada diferença de 964 veículos.

“As vendas do Compass são duas vezes maiores do que esperávamos. A demanda é tão grande que alguns clientes não querem esperar e acabam levando o Renegade”, afirma Ferreira. Para 2017 ele projeta que serão vendidos 50 mil Renegade e 30 mil Compass.

A expectativa é que o segmento de SUVs siga em crescimento acelerado no País. As vendas, que representavam 6,2% do mercado brasileiro em 2010, saltaram para 12,5% em 2015 e chegam a 15% este ano, sendo 10% dominados pelos SUVs pequenos, com Honda HR-V e Jeep Renegade à frente do pelotão. “No mundo essa média é de 20%, em países como Estados Unidos é de 30%. Nossa vocação aqui é ficar acima da média”, aposta Ferreira.

Comentários: 1
 

Cézar Caldas
16/12/2016 | 10h30
A FCA deveria fazer um SUV igual ao Compass menor mas com o porta-malas maior que o Renegade, tamanho igual ao Idea (4 mts) e capacidade da mala também igual (380 lts).

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