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13/12/2016 | 19h29

Mercado

Motos terão 2017 tão ruim ou pior que 2016

Vendas no atacado devem cair 4,1% e emplacamentos ficarão abaixo de 900 mil


MÁRIO CURCIO, AB

O ano que vem será tão ruim ou pior que o atual para as motos, de acordo com a Abraciclo, entidade que reúne os fabricantes do setor. As vendas no atacado (das fábricas às concessionárias) deverão somar 825 mil unidades, resultando em queda de 4,1% ante 2015. “Essa queda é esperada por causa de ajuste de estoques”, afirma o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. O volume de emplacamentos estimado para 2017 é de 890 mil motocicletas, 1,1% abaixo das 900 mil unidades aguardadas para 2016.

A produção esperada é de 910 mil unidades e leve alta de 2,2%, motivada pelas exportações, que devem atingir 93 mil motos e acréscimo de 66,1%. Segundo Fermanian, a alta nos embarques terá a ajuda da Argentina, principal destino das motocicletas feitas no Brasil.

- Veja aqui os números da Abraciclo
- Veja também outras estatísticas e estudos para download na página AB Inteligência

As projeções ruins se devem à indefinição no cenário político: “Este ano, de maneira atípica, fizemos nossas projeções em dezembro em vez de novembro, dada essa instabilidade. O que nos resta é trabalhar e tentar estimular esse mercado, que vem apresentando queda ano após ano”, diz Fermanian.

De janeiro a dezembro de2016 foram montadas em Manaus 854,8 mil motocicletas, volume 29,5% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. E os emplacamentos até novembro de 2016 somaram 819 mil unidades, 26,7% abaixo do registrado em 2015. Esse total é menor que o divulgado pela Fenabrave porque a Abraciclo excluiu 93,5 mil ciclomotores usados, mas lacrados este ano como novos por causa de uma mudança no código de trânsito que entrou em vigor no segundo semestre de 2015.

Na divisão por faixa de cilindrada, os modelos de 450 a 800 cc tiveram a maior retração, de 35,4%. Acredita-se que a baixa confiança do consumidor e oferta de boas opções no mercado de usados sejam os principais motivos para a queda. Os modelos de baixa cilindrada (até 160 cc) também anotaram recuo importante, de 28,3%. Essa é a faixa de maior volume de vendas e deve responder por quase 700 mil das 819 mil motos esperadas para 2016. Fermanian recorda que esse é o segmento mais afetado pelo momento econômico atual.

SCOOTERS ACHAM ESPAÇO PARA CRESCER

A venda de scooters de janeiro a novembro somou 34,1 mil unidades e registrou alta de 3,6% sobre o mesmo período de 2015. A boa aceitação nas grandes cidades, a chegada de novos produtos e algumas renovações permitiram a pequena alta. Este ano a Yamaha lançou dois modelos, o NMax 160 e o Neo 125.

A Honda lançou um modelo de 300 cc, o Sh 300i, e baixou o preço do PCX 150, que havia passado por mudanças importantes no fim de 2015. A Dafra trocou o motor do Citycom 300 e começou a vender este ano o Fiddle 125. No primeiro semestre de 2017 esse setor tende a engordar ainda mais por causa da Piaggio do Brasil, que se instalou no País e começou a vender seus modelos em outubro.

CONSÓRCIO E CDC DETÊM PARTICIPAÇÕES SEMELHANTES

Levantamento da Abraciclo mostra que o de janeiro a novembro o consórcio deteve 34,5% das vendas de motos no País, uma fatia quase igual àquela do Crédito Direto ao Consumidor (CDC). De acordo com a associação dos fabricantes, o Nordeste teve menor queda em emplacamentos (-21,6%) que a média registrada no País por causa do consórcio, modalidade tradicional na região.

Assista à entrevista com Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo:


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