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09/12/2016 | 18h55

Autopeças

BorgWarner já faz motor de partida para a Hyundai

Novo cliente deve elevar produção em Brusque em 150 mil unidades/ano


PEDRO KUTNEY, AB | De Brusque (SC)

Adson Silva: da Remy para a BorgWarner
Quase um ano depois de consolidar a compra da Remy International (leia aqui), a BorgWarner comemora a conquista de mais um cliente de peso para a unidade brasileira da empresa adquirida, que opera em Brusque (SC) desde 2003. A partir de janeiro, a fábrica catarinense começa a fornecer em escala comercial motores de partida para a Hyundai em Piracicaba (SP). Por enquanto, o componente produzido com 50% de conteúdo nacional vai equipar os motores 1.0 e 1.6 da família HB20. Com isso, se em 2017 for repetido o desempenho do modelo este ano, o novo fornecimento deve elevar em cerca de 150 mil unidades/ano a produção da planta.

Desde setembro a unidade vem produzindo em pré-série para testes e validação na Hyundai. Com o novo cliente, a fábrica reduz a ociosidade e precisou aumentar perto de 15% o quadro de funcionários, que hoje soma 150 empregados trabalhando em dois turnos (um deles pela metade), ainda longe de atingir a capacidade anual de 1,2 milhão de motores de partida para veículos leves e 240 mil para pesados. Em 2015, ainda com a placa Remy na portaria, menos da metade do potencial foi preenchido com a produção de 400 mil motores de partida para um só cliente de automóveis, o primeiro e mais longevo da fábrica, a General Motors, que motivou a instalação da Remy no Brasil e hoje compra o componente feito em Santa Catarina para equipar os Chevrolet Onix, Prisma, Cobalt e Spin. Também são clientes os fabricantes de motores e veículos pesados Mercedes-Benz, Ford, MAN, CNH Industrial, MWM e Cummins, que no ano passado compraram 60 mil motores de partida.

“Este ano o nível de produção deve ficar próximo ao de 2015. Mas em 2017 vamos aumentar os volumes com o novo cliente”, afirma Adson Silva, diretor de operações da divisão Power Drive Systems no Brasil da BorgWarner, que hoje se resume à fábrica em Brusque. Ele foi um dos primeiros quatro funcionários da empresa em 2000, quando a Remy tinha uma joint venture com a Zen, também de Brusque e até hoje fornecedora de impulsores (o pino que conecta o motor de partida ao propulsor do veículo).

Silva ficou na Remy depois da saída da Zen, em 2003, quando fez a mudança da empresa para o endereço atual, e permaneceu na direção da unidade após a troca da placa na portaria para BorgWarner, em novembro de 2015. “São duas empresas centenárias americanas com sede em estados vizinhos, que têm muitos sistemas e processos similares. Os funcionários foram mantidos, mas precisamos fazer alguns investimentos para atender a padrões mais rigorosos da BorgWarner”, conta o diretor. Sem informar valores, ele diz que 56% dos recursos aplicados recentemente na planta foram para atender a Hyundai.


Fábrica da BorgWarner em Brusque (SC)

FUNDO DO POÇO E RECUPERAÇÃO

Até o meio do ano passado a produção em Brusque sofreu com a forte queda do mercado nacional de veículos. “Mas sentimos que finalmente atingimos o fundo do poço, desde julho as vendas começaram a crescer de novo. Felizmente para nós, sofremos menos porque fornecemos para o carro (Onix) que é líder de vendas no País e agora vamos fornecer para o vice-líder”, diz Silva. Ele afirma que não está no programa do Hyundai Creta que começou a ser produzido este mês em Piracicaba. “Por enquanto só fornecemos para a linha HB20, mas temos interesse em negociar o possível aumento do contrato”, diz.

Outra oportunidade aberta para os próximos anos, aponta Silva, é a produção em Brusque de motores de arranque para carros equipados com sistema start-stop, que desliga o motor quando o veículo para no trânsito para economizar combustível, e está sendo adotado por vários novos modelos lançados no Brasil. A principal diferença é que um motor de partida convencional é validado para funcionar de 40 mil a 60 mil ciclos, enquanto o usado no start-stop precisa garantir mais de 350 mil acionamentos.

Também ajudou a amenizar o quadro de crise as vendas ao mercado de reposição, que este ano respondem por 35% do faturamento – contra apenas 6% há 10 anos, lembra Silva. Ao lado da produção de componentes novos, a fábrica de Brusque tem uma segunda planta dedicada exclusivamente ao aftermarket, com um centro de distribuição e uma linha de remanufatura com capacidade anual para reprocessar – e deixar com o se fossem novos – 25 mil motores de partida para veículos pesados, que após remanufaturados podem custar de 30% a 60% menos do que os novos. “Em 2015 foram refeitos aqui 6,5 mil motores, que deixaram de virar lixo”, destaca o diretor.

Enquanto anda pela fábrica cumprimentando os funcionários pelo nome e, em alguns casos, revelando a posição em que joga no time futebol interno, Silva aponta os ganhos de produtividade que foram obtidos com a obediência aos princípios do sistema Toyota de produção. Na célula de montagem de motores de partida para veículos pesados, por exemplo, mais de 30 tipos são produzidos por apenas quatro funcionários por turno. Bem ao lado, cerca de seis mulheres montam componentes para automóveis – elas representam quase metade dos empregados, têm mais habilidade para manufaturar peças menores e também jogam bola com os homens nos intervalos de exercícios laborais. “A cada hora todos trocam de função. É mais caro para treinar, mas a pessoa trabalha melhor assim e no caso de ausência de alguém todos sabem o que fazer”, explica Silva.


Linha de produção de motores de partida para veículos pesados (esquerda) e leves da BorgWarner em Brusque (SC)

CINCO UNIDADES BORGWARNER NO BRASIL

Com a consolidação da compra da Remy, a BorgWarner agora atua no Brasil com cinco de suas seis unidades de negócios. A fábrica de motores de partida de Brusque faz parte da divisão PDS (Power Drive Systems), que além de motores de partida também produz alternadores e motores elétricos, entre outros.

Outras três divisões estão localizadas em uma só planta, em Itatiba (SP): Turbo Systems (turbocompressores), a Morse Systems (correntes de sincronismo de motores) e Thermal System (embreagens viscosas para ventiladores de arrefecimento). Em Piracicaba (SP) funciona a fábrica da unidade Emissions Systems, adquirida globalmente da Wahler pela BorgWarner em 2014, que produz sistemas EGR de controle de emissões. Ainda sem operação no Brasil, a divisão Transmission produz transmissões automáticas.

Comentários: 1
 

Jardel Nisch
10/12/2016 | 11h05
Ótima notícia para Brusque e região. Parabéns a BorgWarner e os diretores envolvidos.

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