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06/12/2016 | 16h53

Indústria

Produção de veículos sofre para chegar a 2 milhões em 2016

Anfavea admite que fábricas instaladas no Brasil não atingirão volume previsto


SUELI REIS, AB

“Não vamos atingir o nível de produção de veículos previsto para o ano.” Foi com esta afirmação que o presidente da Anfavea, Antonio Megale, admitiu que a indústria sofre para alcançar a casa dos 2 milhões de veículos produzidos neste ano ao divulgar os resultados da indústria na terça-feira, 6, em São Paulo.

- Veja aqui os dados da Anfavea;

- Leia também: Confira os resultados da indústria até novembro


Em suas projeções revisadas em junho e mantidas até agora, a entidade que reúne as montadoras instaladas no Brasil esperava encerrar 2016 com pelo menos 2,29 milhões de veículos produzidos, o que ainda representaria queda de 5,5% sobre o volume total de 2015, puxada pelo segmento leve, com 5,7% de queda, para 2,20 milhões, e no caso de pesados, um volume 1% menor no comparativo anual, para 94,6 mil unidades.

No entanto, o resultado do acumulado entre janeiro e novembro chegou perto – 1,95 milhão de unidades, entre leves e pesados, mesmo nível de 2004 – mas ainda abaixo da meta da associação. Com isto, a produção está 14,6% abaixo do registrado em igual período de 2015.

O fraco desempenho do mercado interno provocou volumes ainda menores de produção neste segundo semestre. Para Megale, alia-se a isso a paralisação das quatro fábricas da Volkswagen no País em agosto por falta de peças. “Erramos no volume previsto e estamos atribuindo isso principalmente pela quebra das operações da nossa associada. Não sabemos ainda o número [da produção para 2016], mas deverá ser de 100 mil a 150 mil abaixo da nossa projeção, que é exatamente a diferença da perda da nossa associada”, reforçou.

Se isso se confirmar, o ano deverá terminar com até 2,14 milhões de unidades, considerando 150 mil unidades a menos, e fecha 2016 com queda de 11,5% sobre 2015.

O executivo acrescentou que em função da instabilidade verificada ao longo do ano, a Anfavea achou por bem não refazer a projeção para a indústria. “Julgamos que a previsão foi correta e muito realista, o que aconteceu foi um imprevisto”, afirmou.

Para novembro, a entidade esperava um mês forte e ele veio: foram fabricados pouco mais de 213,3 mil veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Este volume representa crescimento de 22,4% sobre o resultado de outubro e também alta de 21,8% sobre igual mês de 2015: foi o melhor mês de produção de veículos em 2016, além de ser o melhor mês desde agosto de 2015. Ainda segundo Megale, há um esforço muito grande por parte da Volkswagen de tentar recuperar o tempo perdido, o que pode ter contribuído para a alta de novembro, mas o executivo defende que haveria crescimento no mês de qualquer forma.

“Novembro e dezembro normalmente são meses mais aquecidos, há uma corrida para preparar estoques e estar preparados para o fim e começo do próximo ano. Está sim um pouco aquecido em função dessa aceleração [da Volkswagen], ainda assim, teríamos um crescimento forte em novembro e esperamos que seja muito forte em dezembro. Talvez, se a produção da nossa associada tivesse sido mais equilibrada nos meses anteriores, o resultado geral não teria caído tanto”, disse. “Dezembro deve repetir [o resultado de novembro] e assim poderemos ficar acima das 200 mil unidades, o que ajudará no fechamento do ano”, finalizou.

ESTOQUE E EMPREGOS

O total de veículos parados nos pátios das montadoras e nas concessionárias esperando vendas fechou o mês passado em 206,3 mil unidades, sendo 162,3 mil nas revendas e os demais 44 mil nas fábricas. Com isto, há estoque suficiente para 35 dias de vendas, considerando a média diária de vendas verificada também em novembro, que foi de 8,9 mil unidades por dia útil, a melhor do ano. Em outubro, quando o ritmo de vendas foi um pouco menor, o estoque era de 40 dias.

“Já estamos muito mais próximos dos estoques que consideramos bons e ideais. Caiu o número, tanto com a aceleração de vendas quanto dos ajustes de produção que tenta compensar isso, portanto, o estoque está dentro dos parâmetros que julgamos razoável”, disse Megale.

Já os empregos, por causa dos ajustes de estoques nas fábricas, o total de empregados pela indústria automotiva diminuiu 0,3% na passagem de outubro para novembro, com um total de 123,2 mil. Há um ano, 131,3 mil pessoas estavam trabalhando no setor, o que revela queda de 6,2%.

No levantamento da Anfavea, em novembro, 2,2 mil pessoas continuam em regime de layoff e outras 5,2 mil estão no PPE, Programa de Proteção ao Emprego.

Assista abaixo à cobertura da ABTV sobre o desempenho da indústria até novembro:


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