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01/11/2016 | 17h00

Autopeças

Schaeffler e Bosch apostam na embreagem eletrônica

Fornecedores veem chances de introduzir E-Clutch no País novamente


PEDRO KUTNEY, AB

E-Clutch da Schaeffler: automatização da embreagem
Como opção mais barata do que as transmissões automáticas ou automatizadas, dois fornecedores apostam na reintrodução no País da embreagem eletrônica, a E-Clutch, que automatiza o acoplamento e desacoplamento do motor, sem que o motorista precise acionar o pedal da embreagem enquanto faz as trocas de marchas manualmente. Schaeffler e Bosch estão desenvolvendo a solução quase que simultaneamente, e ambas mostraram sua E-Clutch na mostra tecnológica do último Congresso SAE Brasil, realizado no fim de outubro.

Há um ano a Bosch fez uma demonstração para jornalistas de sua embreagem eletrônica instalada em um carro de testes (leia aqui) e nesta edição do Congresso SAE trouxe outro veículo equipado com o sistema para apresentar aos visitantes do evento. Já a Schaeffler mostrou em seu estande o protótipo de sua E-Clutch-MT Plus semiautomática com atuador eletro-hidráulico, que mantém o pedal e o motorista escolhe se quer ou não usá-lo para trocar as marchas. Ambos os fornecedores dizem que, por enquanto, nenhuma fabricante decidiu lançar carros com a embreagem eletrônica, mas existem conversas.

“As montadoras estão curiosas com a tecnologia, que é mais barata do que um câmbio automatizado e oferece conforto parecido no anda-e-para do trânsito, mas também porque pode trazer economia de combustível, algo cada vez mais exigido”, diz Claudio Castro, diretor da divisão de negócios de transmissão da Schaeffler Brasil. A redução de consumo ocorre se a E-Clutch for programada para abrir automaticamente quando o carro está em movimento inercial, sem que o motorista pise no acelerador, para dessa forma deixar o motor funcionando em baixa rotação – a embreagem fecha novamente com qualquer toque no freio ou acelerador. A versão eletroeletrônica do equipamento também pode ser combinada com Start-Stop, que desliga o motor quando o veículo está parado e religa quando volta a acelerar, aumentando a economia.

No fim dos anos 1990, a Schaeffler já equipou carros fabricados no Brasil que usaram sistema parecido, caso do Mercedes-Benz Classe A AKS e do Fiat Palio Citymatic, nos quais o motorista também trocava as marchas sem precisar pisar no pedal de embreagem. Na época, os clientes brasileiros não viram muita vantagem em pagar mais por isso e esses modelos tiveram vida curta. Castro avalia que desta vez pode ser diferente, pois existem mais pessoas que gostariam de ter o conforto de não precisar acionar o pedal da embreagem no trânsito pesado das grandes cidades brasileiras, mas não podem pagar tanto por modelos equipados com transmissões automáticas. “Outro fator é que os brasileiros também não gostaram muito dos câmbios automatizados, que têm certo atraso nas trocas de marchas, o que não acontece com a E-Clutch, que é até mais barata”, pondera o executivo.

Castro avalia que a Schaeffler tem boas chances de superar os concorrentes caso a E-Clutch passe a ser adotada por algum fabricante no País. “Temos larga experiência com transmissões e embreagens, que já são parte de nosso portfólio, por isso podemos oferecer soluções integradas e melhor ajustadas”, diz. A embreagem eletrônica apresentada pela Schaeffler na Europa em 2015 é modularizada, com vários graus de automação, pode ser adaptada para funcionar de várias formas, por meio de atuador eletro-hidráulico ou completamente eletroeletrônico, com ou sem pedal.

Seja com Bosch ou Schaeffler, apesar dos argumentos a favor, a aposta na E-Clutch ainda é incerta no Brasil, pois representa um meio termo tecnológico antes da transmissão automática que talvez o cliente nem queira experimentar. Poucas montadoras nesse momento de baixa severa do mercado se arriscariam a gastar recursos para desenvolver soluções que podem não vingar. O tempo necessário para ajustar a embreagem eletrônica a um carro é de cerca de dois anos, segundo os dois fabricantes. Portanto, se é verdade que nenhuma montadora decidiu usar a E-Clutch até o momento, será difícil ver a tecnologia adotada em algum modelo nacional antes de 2018.

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