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PSA quer retomar 5% do mercado brasileiro com Peugeot e Citroën
Carlos Gomes: missão de ganhar mercado com lucro

Indústria | 30/09/2016 | 18h53

PSA quer retomar 5% do mercado brasileiro com Peugeot e Citroën

América Latina agora dá lucro, mas Brasil ainda fica no vermelho

PEDRO KUTNEY, AB | De Paris (França)

Depois de passar por reestruturação com profundos cortes, o Grupo PSA voltou a pensar em aumentar sua participação nas vendas de veículos na América Latina: a meta é retomar 5% no Brasil e ficar acima de 6% na média da região somando as marcas Peugeot e Citroën – atualmente essa cota está em 2,6% no acumulado janeiro-agosto no mercado brasileiro, ou 0,3 ponto acima do registrado no mesmo intervalo do ano passado, e a companhia atingiu o recorde histórico de 3,8% considerando todos os países latino-americanos onde atua. As duas marcas francesas já tiveram o market share pretendido no Brasil, mas desta vez Carlos Gomes, presidente da PSA América Latina, tem a difícil missão de fazer isso acontecer com rentabilidade, o que não ocorria antes.

“Estamos satisfeitos com a América Latina. Tivemos lucro na região pela primeira vez no ano passado e este ano caminhamos para entregar um resultado ainda melhor. Mas no Brasil ainda perdemos dinheiro, o que esperamos mudar com o plano que traçamos para o País”, afirmou Gomes em entrevista no Salão de Paris. Segundo ele, o Grupo PSA não tem arrependimentos de ter investido na fábrica brasileira, inaugurada há 15 anos em Porto Real (RJ) e que hoje opera com grande ociosidade devido à recessão econômica.

ESTRATÉGIA REGIONAL

A empresa traçou um plano próprio de produtos para os mercados brasileiro e argentino, que a partir de 2019 produzirão carros apenas sobre uma plataforma modular, a Common Modular Plataform (CMP) – atualmente são três e já foram cinco –, reduzindo assim complexidade e custos produtivos nas fábricas em ambos os países. Entre modelos com fabricação local e importados, está previsto o lançamento de 16 modelos na América Latina até 2021.

Estão programados cinco lançamentos da Citroën no mercado brasileiro entre 2017 e 2021, incluindo nacionais e importados, mas o novo C3 remodelado apresentado no Salão de Paris não está entre eles, apesar de ser feito sobre a mesma plataforma do modelo fabricado em Porto Real. “Fizemos clínicas com clientes e não houve interesse no carro, por isso não vamos investir para fazê-lo no Brasil, o que custaria vários milhões. Vamos preparar nossa própria atualização do modelo”, explica Gomes.


Novo Citroën C3 não será feito no Brasil; o Peugeot 3008 virá importado em 2017

Para a Peugeot, que nos últimos anos teve número maior de renovações, principalmente com o lançamento de 2008, os projetos futuros “ainda estão em estudo”. O que está certo, por enquanto, é a importação do novo SUV 3008 apresentado no Salão de Paris, que chega às concessionárias europeias no fim deste ano e ao mercado brasileiro em algum momento de 2017. Está em análise, também, a possibilidade de trazer o 5008, SUV de maior porte que debutou na mostra automotiva parisiense. O problema maior das importações, segundo Gomes, é a extrema variação cambial no Brasil que torna o negócio muito arriscado.

EXPORTAÇÕES

Gomes garante que o País segue sendo importante dentro da base industrial mundial da companhia e se esforça para viabilizar mais exportações a partir da planta brasileira, atualmente restritas à Argentina, onde opera sua outra fábrica na região, a primeira da PSA na América Latina. Da unidade argentina seguem carros para o mercado brasileiro e poucos para o Chile. Todos os demais países latino-americanos são abastecidos com carros fabricados na Europa.

O executivo avalia que a renitente falta de competitividade internacional do Brasil foi parcialmente compensada pela desvalorização do real, mas ainda continuam os problemas de logística, tributação e altos custos de produção com energia e insumos. “A exportação é a bola da vez, mas não é fácil superar a baixa competitividade que por anos foi encoberta pelo mercado interno em crescimento. Devemos trabalhar para que ao menos os carros vendidos pelo grupo na América Latina sejam majoritariamente fabricados na região, porque hoje em muitos casos é mais barato trazer os carros da Europa”, diz.

Atualmente a PSA trabalha com dois mercados potenciais que podem ser abastecidos pelo Brasil. Já foram embarcados 100 Citroën Aircross este ano para o Egito e existem possibilidades de aumentar as vendas para lá. “A África é um mercado interessante a ser explorado por nós”, diz Gomes. Outro alvo é a Colômbia, que atualmente só importa da Europa carros da PSA. “Negociamos mandar para lá o Peugeot 2008 feito no Brasil”, revela o executivo.

NOVAS TECNOLOGIAS

Entre as tendências tecnológicas apresentadas este ano em Paris, Gomes reconhece que poucas têm chances no Brasil atualmente. A partir de 2019 o Grupo PSA vai lançar quatro novos modelos elétricos e sete híbridos plug-in (que podem ser recarregados na tomada), mas o presidente da operação latino-americana da empresa avalia que dificilmente algum deles chegará ao mercado brasileiro. “Sem incentivos e sem infraestrutura não é possível adotar o carro elétrico e o País não tem nenhuma das duas coisas, nem recursos para investir nisso nesse momento”, pondera.

Para as soluções de conectividade Gomes vê um sincronismo mais afinado entre Europa e América Latina. “Vamos continuar avançando nessa área também no Brasil”, diz.

Sobre a nova marca do Grupo PSA, a Free2Move, que reúne as iniciativas de compartilhamento de veículos (leia aqui), Gomes avalia que ainda é cedo para dizer se será possível implantar a mesma estratégia no Brasil e outros mercados latino-americanos. “Estamos olhando esse movimento com atenção, mas ainda não temos os instrumentos necessários para trazer isso”, pontua.



Tags: Grupo PSA, Peugeot, Citroën, América Latina, mercado, estratégia, Salão de Paris.

Comentários

  • Alexandre Arnal

    Eu gosto muito dos carros da PSA, tive um Peugeot 206 feline e fiquei com ele durante sete anos e praticamente vendi por preço de tabela, hoje tenho um 308thp e só tenho elogios pro carro, faz mas de 20KM na estrada. Minha única critica é quanto aos preços ficaram muito caros, o 206 deveria ter continuado para fortalecer a marca, quanto ao atendimento ainda precisam investir mais.

  • Daniel Danthas Martins

    Empresa que só pensa somente no seu ganho próprio e que nos últimos 4 anos tem menosprezado os esforços dos funcionários(colaboradores)trabalhando além do horário e com os salários congelados.

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