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Indústria | 30/09/2016 | 16h40

Renault-Nissan e Daimler intensificam parceria

Primeiros resultados da associação estratégica começam a aparecer

PEDRO KUTNEY, AB | De Paris (França)

Sete anos após firmar uma parceria para tocar três projetos conjuntos na Europa, os grupos Renault-Nissan e Daimler intensificaram parceria e multiplicaram projetos conjuntos. Os primeiros resultados dessa associação começam a aparecer e foram apresentados durante o Salão de Paris por seus idealizadores, Carlos Ghosn, CEO da Aliança Renault-Nissan, e Dieter Zetsche, presidente do conselho do Grupo Daimler e CEO da Mercedes-Benz Cars. Dizendo que ambos eram “pais, ou mães se preferirem”, da iniciativa de unir as duas companhias em torno de interesses comuns, Ghosn começou a entrevista coletiva que os dois executivos fazem anualmente para atualizar o status da união afirmando que ela é importante para fazer frente às mudanças da indústria.

“Provavelmente veremos nos próximos cinco anos mais mudanças no setor do que vimos nos últimos dez. Por isso esse tipo de colaboração também é uma tendência que deveremos ver mais frequentemente daqui por diante, conforme as fabricantes são desafiadas a manter o ritmo acelerado das evoluções tecnológicas. Ninguém é capaz de fazer tudo sozinho”, afirmou o CEO da Aliança Renault-Nissan.

Sua contraparte no Grupo Daimler complementou: “Experimentamos sinergias que nos dão economia de escala e velocidade para desenvolver projetos”, resumiu Zetsche. “Nossa parceria cresceu e amadureceu. Os resultados claramente beneficiam ambos os sócios”, afirmou Ghosn.

ELÉTRICOS, FÁBRICAS, CARROS, MOTORES E PICAPES

Os primeiros resultados concretos da associação são atualmente resumidos em quatro grandes projetos. O primeiro deles é a fabricação conjunta de carros elétricos na Europa. Desde 2014, os subcompactos Smart e Twingo compartilham a mesma plataforma comum desenvolvida pelos grupos Daimler e Renault-Nissan. Agora todas as três novas versões elétricas dos três modelos Smart (Fortwo, Forfour e Cabrio) que debutaram neste Salão de Paris também vão usar motor elétrico produzido pela Renault em Cléon, França. A Daimler produz o carrinho de dois lugares em sua fábrica francesa de Hambach, enquanto os de quatro assentos são feitos pela Renault em NovoMesto, na Eslovênia.

O maior investimento conjunto está acontecendo no México, em Aguascalientes, dentro do mesmo complexo onde a Nissan já tem três plantas. As duas empresas constroem em sociedade meio-a-meio uma fábrica de US$ 1 bilhão, com capacidade para produzir 230 mil carros/ano, começando em 2017 com uma nova família de compactos Infiniti (marca de luxo da Nissan) e Mercedes-Benz em 2018. Os carros também serão produzidos em unidades da Daimler e Nissan na Europa e China.

Dentro da parceria também está em curso o desenvolvimento da primeira picape Mercedes-Benz de uma tonelada, que dividirá parte de sua arquitetura com a Nissan NP300, ou nova Frontier, que também dá origem à Renault Alaskan – esta já em produção no México e mostrada pela primeira vez ao público europeu no Salão de Paris. Os três modelos serão produzidos entre o fim de 2017 e início de 2018 na planta da Renault em Córdoba, Argentina, e da Nissan em Barcelona, Espanha.

“Escolhemos a Argentina para produzir as três picapes sobre a mesma plataforma da parceria por três motivos: temos capacidade de produção disponível lá, existe uma base de fornecedores formada para este tipo de veículo, que já atendem concorrentes [Toyota, Ford e Volkswagen montam picapes em suas plantas argentinas], e precisamos exportar mais da unidade (para poder importar, dentro de um sistema de cotas que os argentinos impõem às montadoras)”, explicou Ghosn. “Temos também os mesmos impulsos, pois já produzimos vans (Sprinter e Vito) na Argentina”, acrescentou Zetsche. “A Nissan tem 80 anos de experiência em fazer picapes e para nós é uma oportunidade de entrar em um segmento crescimento, com clientes que demandam picapes com o mesmo conforto de um carro. É nesse sentido que estamos orientando este projeto, com design e engenharia próprios”, completou.

Também está a todo vapor a produção de motores em conjunto na fábrica da Nissan no Tennessee, Estados Unidos. No segundo semestre de 2014 os fabricantes começaram a fazer motores a gasolina 2.0 de quatro cilindros para modelos Nissan e Mercedes. Desde então, já foram produzidas cerca de 250 mil unidades. Este ano as duas empresas decidiram investir para ampliar a planta, que além de atender o mercado local exporta para fábricas da Daimler na Inglaterra, África do Sul e componentes para a Alemanha.

FUTURO

“Estamos certos que esta parceria vai crescer ainda mais nos próximos anos, que tem nos ganhos de economia de escala sua grande vantagem. Flexibilidade é o nome desse jogo”, disse Zetsche. “Vamos seguir adiante só com o que estamos confortáveis para fazer em conjunto. Não temos tabus, está tudo em cima da mesa. A prioridade é aproveitar todas as sinergias possíveis, mas estamos tornando nossa associação mais sofisticada, com novos projetos”, afirmou Ghosn.

Apesar de a Aliança Renault-Nissan ser a maior vendedora de carros elétricos do mundo atualmente, e de a Mercedes-Benz ter anunciado no Salão de Paris que também vai entrar nesse jogo para ser não menos do que um dos 10 maiores até 2025, os dois executivos garantem que não há conflito de interesses nem desconforto entre as partes. A Renault fornece os motores elétricos dos novos Smart elétricos, mas as baterias são da Daimler, que está investindo € 1 bilhão para fazer suas próprias baterias em duas fábricas na Alemanha.

Por enquanto, segundo Zetsche e Ghosn, não há planos de compartilhamento de baterias, o ponto mais crítico para viabilizar os veículos movidos a eletricidade. Em Paris, a Mercedes apresentou seu primeiro protótipo de SUV elétrico e a submarca EQ que dará origem a uma família de automóveis eletrificados. Há bem mais tempo no segmento, a Renault lançou no salão francês o subcompacto elétrico ZOE com autonomia que dobrou de distância, para 400 km. Ao menos nessa área, parece que os interesses ainda não batem.



Tags: Renault-Nissan, Daimler, Mercedes-Benz, parceria, estratégia, balanço, Carlos Ghosn, Dieter Zetsche, Salão de Paris.

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