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Brasil eleva exposição na Automechanika 2016
Estande do Sindipeças na Automechanika Frankfurt: número de expositores cresceu de 15 em 2014 para 38 este ano

Autopeças | 16/09/2016 | 16h40

Brasil eleva exposição na Automechanika 2016

Empresas buscam negócios e consolidam posição internacional

PEDRO KUTNEY, AB | De Frankfurt (Alemanha)

Com a queda pronunciada do mercado interno, algumas empresas brasileiras de autopeças tentam melhor sorte no exterior, enquanto outras já consolidaram há tempos sua presença internacional como objetivo estratégico. Em ambos os casos o setor encontrou este ano uma ampla vitrine para ampliar os negócios na Automechanika, maior feira mundial do setor, que registrou o número recorde de 4.820 expositores de 76 países espalhados em vastos 305 mil metros quadrados dos 11 pavilhões de exposições da Frankfurt Messe, na Alemanha, entre os dias 13 e 17 de setembro. Embora ainda tenha exposição discreta no evento quando se compara com outros países, o Brasil aumentou bastante sua presença em relação à edição anterior da Automechanika, saltando de 34 representantes em 2014 para 48 agora.

Grande parte da presença brasileira na feira alemã se concentrou no estande coletivo montado pelo Sindipeças, que representa cerca de 500 fabricantes do setor, e pela Apex, a agência brasileira de promoção de exportações, dentro do projeto Brasil Autoparts – Trusted Partners, que subsidia a exposição no evento com custo reduzido de R$ 3 mil por empresa este ano. O espaço dedicado ao País permaneceu o mesmo em relação a 2014, mas o número de expositores aumentou substancialmente, de 15 há dois anos para 38 agora, sendo 10 deles pela primeira vez. “A procura cresceu muito, precisamos organizar uma fila de espera e nem todos que queriam conseguiram vir”, conta Eliane Colnago, assessora do departamento de fomento à exportação do Sindipeças – antes a área era chamada de feiras e eventos e mudou de nome em sinal dos tempos, quando as vendas externas se tornaram uma das poucas esperanças do setor.

Mesmo com maior número de empresas, desta vez não houve recursos para fazer propaganda das autopeças brasileiras como nas edições passadas da Automechanika, quando eram colocados totens nos corredores da Messe e adesivos afixados em diversos táxis rodando por Frankfurt.

O congestionado estande do Sindipeças expõe as dificuldades encontradas pelas empresas brasileiras do setor em seu próprio País, com pouca verba e necessidade premente de encontrar novas oportunidades de negócios. “As vendas às montadoras caíram substancialmente, por isso é natural buscar alguma compensação no mercado de reposição e nas exportações”, explica Elias Mufarej, membro do conselho executivo do Sindipeças. “Mas o resultado aqui (para as vendas externas) não é rápido, só vem depois de marcar muita presença internacional”, diz.

Estreante na Automechanika e no espaço externo do Sindipeças, a Edreaza tenta buscar a oportunidade de fechar negócios com clientes no exterior. A fabricante de componentes estampados de aço para caminhões hoje exporta menos de 10% de sua produção, e assim mesmo por meio de representantes (trading). Localizada em São Marcos (RS), conhecida como “Cidade Scania”, quase 100% do que produz são peças de reposição para veículos da marca sueca. “Precisamos exportar. É a única saída para tentar melhorar os negócios”, resume Alexandre Zanette, proprietário da empresa.

Já uma veterana no estande do Sindipeças, em sua quinta participação na Automechanika, a fabricante gaúcha de turbos Master Power exporta cerca 30% de sua produção e atua integralmente no aftermarket. “Já precisamos de um espaço maior aqui”, diz Gerson Ribeiro, gerente de marketing e vendas. Os negócios fora do País não servem só para aumentar o caixa, mas também para ganhar qualidade e competitividade, por meio da concorrência no mercado global. Ribeiro revela que já existem negociações para fornecer os turbos da Master Power a alguns fabricantes de veículos.

VISÃO ESTRATÉGICA


MTE-Thomson (esquerda) e Autolinea na Automechanika 2016: espaço próprio na feira com expansão internacional

Além do espaço do Sindipeças, 10 empresas brasileiras alçaram voos solos na Automechanika Frankfurt deste ano, com estandes próprios. A maioria delas já participa há tempos do evento e tem a exportação como objetivo estratégico, por isso mais da metade da produção é destinada ao mercado externo. Não por acaso, outro dado em comum dos fabricantes brasileiros de peças com robusta presença no mercado externo são os intensivos e contínuos investimentos em produtividade e tecnologia, para ter produtos competitivos a oferecer globalmente. Com isso, todos apontam para o crescimento do faturamento este ano, em contraposição à profunda recessão que atinge o Brasil.

“É importante essa presença internacional. Aqui encontramos muitos clientes”, afirma Pablo Brito, responsável por vendas externas da Autolinea, com sede em Auracária (PR). A empresa pertence ao Grupo Hübner e exporta cerca de 50% dos blocos e cabeçotes de motor que funde e usina em três fábricas. “Exportar é uma estratégia independente do câmbio, vital para a sobrevivência das empresas”, resume Brito.


ZEN na Automechanika 2016: investimento em produtividade garantem a presença internacional

Gilberto Heinzelmann, presidente da ZEN, resumia a importância da exposição internacional na Automechanika com uma lista na mão, que somava visitantes vindos de 22 países diferentes, como Dinamarca e Peru, que visitaram o estande da empresa apenas no primeiro e segundo dias da feira. “É uma oportunidade única de encontrar clientes do mundo inteiro em um só lugar, ajuda a estreitar os contatos e fortalecer nossa posição internacional. Esse é o principal valor deste evento”, afirma Heinzelmann, já em sua oitava vez na Messe Frankfurt, as primeiras no espaço do Sindipeças e depois com estande próprio em local mais nobre, no pavilhão 3, ao lado de algumas das maiores fabricantes de autopeças do mundo, como ZF, Hella, Mahle e Magneti Marelli.

Com a queda do mercado brasileiro, as exportações da ZEN representam 65% da produção de pinos impulsores de motor de arranque, polias e tencionadores da empresa de Brusque (SC). Por isso as vendas cresceram 11% em 2015 e devem avançar de 4% a 5% este ano. Não vão mais adiante, segundo Heinzelmann, porque o câmbio e os custos de mão de obra e insumos como aço não ajudam. A receita para compensar o ambiente desfavorável e continuar crescendo no exterior foram intensivos investimentos em aumento de produtividade, que teve ganhos de 24% nos últimos três anos, graças a práticas de manufatura enxuta e aumento da automação. Os custos da não-qualidade foram reduzidos em 75%, o que fez o nível de satisfação dos clientes subir de 77% em 2012 para 93% este ano. “Nós hoje fazemos o certo da primeira vez, por isso ainda conseguimos ser competitivos”, afirma o executivo.

Em sua décima participação na Automechanika, também ocupando espaço nobre do pavilhão 3 da Messe, a MTE-Thomson vende no exterior atualmente 54% dos diversos tipos de sensores de gases de escape e temperatura que produz em Jaguariúna (SP), quase tudo destinado ao mercado de reposição. A presença robusta no exterior, incluindo depósitos de componentes na Alemanha e Estados Unidos, tem muito a ver com o investimento em desenvolvimento próprio, com um centro de engenharia em São Carlos (SP), perto da universidade que é referência em pesquisa tecnológica. “Isso nos deu capacidade de desenvolver uma cerâmica própria para sonda lambda (sensor de oxigênio)”, exemplifica o diretor de marketing Alfredo Bastos. Existem produtos da MTE-Thomson que são 100% exportados, como os sensores de temperatura de escapamento para automóveis a diesel, vendidos só na Europa. “Exportar e ter produtos para isso sempre foi uma visão estratégica, é o que garante a sobrevivência da companhia”, resume Bastos.

MULTINACIONAL BRASILEIRA


Fras-le: multinacional brasileira na Automechanika 2016

Participando da Automechanika também há mais de 10 anos, a Fras-le iniciou sua longa, ainda que compensadora trajetória rumo ao mercado global nos anos 1960, quando as primeiras exportações foram feitas pela fabricante de pastilhas e lonas de freios de Caxias do Sul (RS), pertencente ao grupo Randon. Nas duas décadas seguintes começaram a entrar no caixa os dividendos dos investimentos em tecnologia, que aumentaram a presença internacional da empresa, culminando com a abertura de fábricas nos Estados Unidos e na China em 2008 e 2009, respectivamente.

“A Fras-le se preparou para não depender só do câmbio, fazendo uma proteção (hedge) natural com as operações e receitas no exterior. Mas para isso precisamos sempre estar preparados para competir”, diz Daniel Randon, diretor vice-presidente de administração e finanças do grupo. Graças a essa estratégia, o faturamento deve crescer discretamente este ano.

A Fras-le é a mais internacional das empresas brasileiras na Automechanika e usa a feira como ponto de encontro de clientes e funcionários de diversas partes do mundo. Hoje cerca de metade do faturamento da vem das operações fora do Brasil, o equivalente a US$ 170 milhões. Na Europa só 6% a 7% das vendas são para montadoras e 50% dos produtos são feitos na planta chinesa. “Buscamos o custo mais competitivo, temos a possibilidade de virar a chave para o lado mais vantajoso quando necessário”, diz Paulo Gomes, diretor comercial para o mercado de reposição da Fras-le.

A empresa mantém desde 2009 um centro de distribuição na Alemanha para abastecer um mercado que cresceu de 10 países em 2003 para 36 agora. O volume de componentes circulando na Europa já é tão grande que nesta Automechanika a Fras-le lançou um aplicativo com seu catálogo completo, que pode ser lido em diversas línguas. “Isso é resultado da estratégia de crescer para fora e a Europa é um dos mercados mais importantes”, afirma Gomes. Ele conta que o nível atual do câmbio já não favorece as exportações do Brasil, mas também do resto do mundo: “O problema é que o dólar se valorizou em todo o mundo e por isso tivemos de dar descontos”, explica.



Tags: Automechanika, autopeças, componentes, indústria, Sindipeças, Apex, Messe Frankfurt.

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