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Mercado | 13/09/2016 | 17h59

“Se queremos exportar, precisamos abrir para importação”, diz Ketter

Presidente da FCA defende agenda de comércio internacional com foco no longo prazo

GIOVANNA RIATO, AB

Com a demanda interna enfraquecida, as fabricantes de veículos instaladas no Brasil começam a lamentar os negócios perdidos no mercado internacional. Este é o caso da FCA (Fiat Chrysler Automobiles), uma das empresas que mais entregou participação nas vendas nacionais no último ano. “Faltam acordos bilaterais que visem o longo prazo. O Brasil tem um cadeado na porta”, apontou Stefan Ketter, presidente da companhia para a América Latina, durante apresentação no Fórum Direções Quatro Rodas, realizado em São Paulo na terça-feira, 13.

“Se queremos exportar, temos de abrir para importação. Para vender lá fora temos que abrir a nossa casa”, resume. Sem entrar em detalhes, o executivo sinaliza que é isso que espera da política industrial que dará sequência ao Inovar-Auto, regime automotivo atual. Para ele, no lugar de impor regras de conteúdo local nos carros feitos no país, o programa poderia reduzir gradativamente as barreiras de acesso ao mercado interno. Além disso, ele cita a importância de formular novas regras de eficiência energética a partir de 2020, quando termina o efeito das metas do Inovar-Auto.

Outro ponto importante para o executivo é a necessidade de fazer um movimento de industrialização. “Nos desindustrializamos nos últimos anos”, apontou, voltando a reclamar da dificuldade de encontrar no País fabricantes de alguns componentes que antes tinham produção local. “Perdemos fornecedores”, constata. Segundo ele, o caminho é atrair players para a cadeia produtiva e garantir volumes mais elevados, algo que só pode ser alcançado com mais exportações.

Ketter assegura que, no caso da FCA, a fábrica da Jeep em Goiana (PE) conta com nível de produtividade e qualidade para vender a outros mercados. “Aqui no Brasil temos tendência a desvalorizar o que fazemos localmente”, diz o executivo, que nasceu no País mas tem descendência alemã e viveu na Europa por alguns anos. Ele cita o exemplo da Fiat Toro, picape média da marca desenvolvida localmente e cobiçada em outros mercados. “Há grande interesse de vários países.”

Por exportar, o executivo entende conquistar novos espaços, sem se restringir aos vizinhos da América Latina. “Eu não considero as vendas para a Argentina como exportação, mas sim como nosso mercado comum.”

CARRO VAI VIRAR APP NO SMARTPHONE, NÃO O CONTRÁRIO

Ketter falou durante o evento sobre o cenário de transformação para a indústria automotiva. Os consumidores, cada vez mais bem informados, fazem menos visitas às revendas para decidir sobre a compra de um carro. “No futuro será preciso repensar o modelo de concessionária”, diz. Segundo Ketter, garantir conectividade será essencial para se manter na disputa por mercado nos próximos anos. “O carro vai virar um aplicativo no smartphone, não o contrário”, fala, destacando os serviços de compartilhamento e a condução autônoma.

Ele aponta que, em 2030, os carros que rodam sem a necessidade de um motorista poderão ter participação de até 15% nas vendas. Outra fatia de 15% será de veículos destinados a serviço de compartilhamento. O Brasil, segundo ele, não deve participar deste salto tecnológico já no primeiro momento, mas “é importante garantir que a defasagem não seja superior a cinco anos. Espero que o País não seja apenas um seguidor, mas possa participar da transformação.”



Tags: FCA, Fiat Chrysler Automobiles, Stefan Ketter, exportação, Inovar-Auto.

Comentários

  • Gerson T. Agostinho

    Em seu discurso o Sr. Ketter ao mencionar a falta de fornecedores no Brasil, esquece de mencionar que vários players do grumo FCA - como a Proma dentre outros, ao iniciar a produção de parte e peças com empresas Nacionais, literalmente foram sem nenhum escrúpulo com a indústria Nacional, causando um verdadeiro "tufão" no sentido negativo. Vejam os Senhores que a grande maioria das empresas estão ainda por receber seus créditos. Ainda mais, todos os,recursos para o desenvolvimento da fábrica de Goiana e dos players da FCA são subsidiados pelo próprio BNDES, pois a todos que prestaram serviços são solicitados documentos para tais subsídios. Em novos projetos à de se ressaltar que todos os componentes são encomendados para a Europa e nada ou praticamente nada à indústria Nacional. É bem verdade que para trabalhar e não receber do grupo FCA é mais um ponto para a quebradeira Nacioanl.

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