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Aethra investe para dobrar faturamento
Sportelli fez da Aethra um gigante do setor nacional de autopeças

Autopeças | 09/09/2016 | 19h56

Aethra investe para dobrar faturamento

Grupo nacional agrega valor aos produtos e avança para o exterior

PEDRO KUTNEY, AB

Pietro Sportelli, fundador e presidente do grupo Aethra, diz que deve se aposentar em cerca de dois anos, encaminha o filho Rafael para a sucessão e tem diretores no comando com larga experiência no setor automotivo, mas está sempre fazendo planos que vão muito além do horizonte da aposentadoria. Ele prepara a empresa, hoje a maior fornecedora de conjuntos estampados e soldados da indústria nacional de autopeças, para um novo salto no futuro, com investimentos tão altos quanto são as ambições de transformar a Aethra em uma companhia internacional, uma das maiores do mundo em seu ramo, que fatura três vezes mais com produtos e serviços de grande complexidade tecnológica, desenvolvidos com ampla capacidade de engenharia própria.

“Somos uma empresa nacional com engenharia própria. Quem quer fazer tecnologia precisa desenvolver tecnologia. Fazer isso dentro de casa é um dos conceitos centrais da Aethra”, afirma Sportelli. A empresa investe de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento. Mais do que um conceito, esta é a fonte que agrega valor e sustenta a prosperidade e longevidade de uma das raras empresas de autopeças com capital 100% nacional que restaram de pé no cenário automotivo brasileiro.

Mais raro ainda é continuar vivo com o faturamento 100% dependente de cerca de vinte fabricantes de veículos instalados no Brasil; tendo em vista que a produção desses clientes nos últimos três anos já caiu mais de 40%, em média. Ao menos por enquanto, não há alívio trazido por exportações ou venda para reposição, toda a produção da Aethra é direcionada às montadoras. A empresa de Sportelli não está imune a esse meio ambiente hostil: “Houve a reversão do fluxo de crescimento e não se sabe quando volta, falam em 2020, 2021”, reconhece. Mas nada parece abalar seu “otimismo e crédito no Brasil”, como ele autodefine sua resiliência para seguir investindo em produtividade e inovação. Afinal, foi assim, sempre pensando sempre no futuro, que em 40 anos de atuação como fornecedor da indústria automotiva Sportelli transformou sua corporação em um gigante, que na baixa do mercado fatura R$ 1,5 bilhão por ano e emprega 3,5 mil funcionários.

DO SIMPLES AO COMPLEXO, MAIS VALOR


Linha automatizada da unidade Thera e inspeção visual de peças estampadas na unidade Centauro: Aethra é o maior fornecedor de conjuntos estampados e soldados da indústria automotiva brasileira

“Temos o objetivo de aumentar o faturamento para R$ 3,5 bilhões por ano até 2021”, revela o recém-chegado diretor comercial Osias Galantine, que mudou de lado do balcão e agora tem a missão de expandir as vendas de produtos dos quais ele já foi o maior comprador, durante as mais de duas décadas em que trabalhou na área de compras do Grupo Fiat/FCA e CNH Industrial. A Fiat ainda é o maior cliente da Aethra, respondendo por cerca de 25% a 30% do faturamento, mas Galantine diz que trabalha para diversificar a carteira nos próximos anos.

Parte dessa expansão será necessariamente para fora das fronteiras brasileiras, onde hoje a Aethra só tem uma operação, em Córdoba, na Argentina. Em breve a empresa deve anunciar a abertura de sua primeira unidade na Europa e o fornecimento direto para montadoras europeias. O vice-presidente Rafael Sportelli negocia a investida no exterior.

O início dessa trajetória data de 1976, quando Pietro Sportelli entrou no setor automotivo com sua empresa Hammer, fundada dois anos antes e hoje a unidade industrial mais antiga do Grupo Aethra. Ele começou a fornecer canaletas metálicas de vidros para a recém-chegada fábrica da Fiat em Betim (MG) – que na época enfrentou forte oposição das montadoras instaladas no País e foi obrigada a desenvolver fornecedores não-tradicionais.

Quarenta anos depois do tímido começo, a Aethra tornou-se o maior fornecedor nacional de conjuntos estampados e soldados para a indústria automobilística brasileira, com nove plantas industriais (uma na Argentina) que produzem de pequenas peças a cabines inteiras montadas e pintadas de um caminhão, passando por eixos, tanques de combustível em aço e outros componentes metálicos para carrocerias. A produção inclui as pequenas canaletas, que voltaram a ser fabricadas pela empresa, mas desta vez em uma moderna linha italiana de estampagem por rolos (roll forming) de 61 metros de comprimento, que sozinha custou R$ 25 milhões para ser instalada recentemente na unidade Thera, a mais nova e automatizada do grupo, inaugurada em 2010 e localizada em Contagem (MG).

A partir de meados dos anos 1990, com o início do projeto nacional do Fiat Palio, a Aethra agregou ao portfólio considerável capacidade de desenvolvimento, hoje apoiado em um tripé formado pela ferramentaria Tec, pelo Centro de Desenvolvimento de Protótipos (Cedep) e Vesta, a divisão de serviços de engenharia que desenvolve produtos e processos industriais de produção, próprios e para clientes (leia aqui).

O fruto principal dessa estratégia é a criação de valor com novos produtos, processos e serviços. Exemplo disso é o investimento de R$ 10 milhões feito somente na pesquisa de um novo método de estampagem a quente desenvolvido dentro de casa pelos engenheiros da Aethra. “É a primeira empresa brasileira a desenvolver algo parecido. É um processo revolucionário, sem igual no mercado, que garante maior produtividade e redução de custos”, conta o diretor industrial Adelírio Fernandes de Souza, que ainda espera a aprovação de algumas patentes antes de começar a produzir.

Componentes de aço de alta resistência estampados a quente estão cada vez mais presentes em novos projetos de carros, como forma de reduzir peso sem perda de segurança. Por isso a empresa aposta que deverá ganhar muitos clientes quando a nova prensa entrar em operação na Flamma, em Pouso Alegre (MG) – antiga Automotiva Usiminas, comprada pela Aethra por R$ 210 milhões em 2013. A unidade já atende hoje uma dúzia de fabricantes de carros, picapes e caminhões, como Mitsubishi, DAF, Mercedes-Benz e Ford Caminhões, entre outros, que executam lá, no todo ou em partes, operações de estamparia, soldagem, pintura e até montagem final de cabines e carrocerias.

CICLO DE MODERNIZAÇÃO


A cada novo produto, mais automação: Aethra já tem mais de 700 robôs em operação

Cada novo projeto conquistado pela Aethra vem junto com investimentos em processos produtivos. Em 2012 foi iniciado o mais recente ciclo de modernização, com a compra de 160 novos robôs (hoje a empresa já tem mais de 700 deles em todas as fábricas). “Investimos R$ 30 milhões só em sistemas de informática para gerenciar toda essa estrutura, que está sendo instalada gradualmente em todas as plantas”, explica Souza. Tudo será feito automaticamente: o robô aplica um componente na linha, manda uma ordem para outro robô que retira o item de um “armário virtual” do almoxarifado e emite um pedido de compra para reposição do estoque. São princípios da chamada Indústria 4.0, que trabalha com processos conectados, que estão sendo projetados dentro de casa pelos engenheiros da Aethra. “Com a automação gradual de todas as áreas de produção, nos próximos dois anos teremos plantas muito tecnológicas”, afirma o diretor industrial.

Essa realidade já está bastante presente na Thera, a unidade mais moderna, onde robôs já ocupam todos os espaços para fazer eixos, estruturas de para-choques e tanques de aço. A automação também já começa a tomar todos os espaços nas ilhas de produção que vão atender novos projetos de carros nas fábricas mais antigas, como em Betim, principal fornecedora de eixos para a Fiat, e na unidade Centauro, em Contagem, que processa 27 mil toneladas de aço por mês para produzir partes estampadas e soldadas de grande porte.

Aos 76 anos, Pietro Sportelli parece olhar para tudo que já construiu com a mesma ansiedade empreendedora de quase 50 anos atrás, que o fez buscar oportunidades fora da Itália em 1959, quando o jovem desenhista industrial começou a viajar pelo Brasil até parar em Minas Gerais – foi onde encontrou sua esposa e sócia, a mineira Gilma, que passou longos dias datilografando os primeiros orçamentos e o acompanha até hoje na administração da empresa. Sportelli virou um brasileiro com sotaque italiano e sua Aethra segue crescendo porque ele não desistiu de sua estratégia original de sempre olhar para o futuro com otimismo. “Só temos 40 anos no setor, ainda somos novos, precisamos crescer muito o portfólio de produtos”, decreta.



Tags: Aethra, autopeças, estamparia, ferramentaria, engenharia, Vesta, Tec, Cedep, Centauro, Thera, Sportelli.

Comentários

  • Paulo Luiz de Oliveira

    Sem dúvida uma empresa que começou pequena e hoje é uma gigante no setor de auto-peças, Parabéns ao sr. Pietro Sportelli, D. Gilma e o Rafael Sportelli, pela determinação, ousadia e coragem, para desbravar novos horizontes ao longo desses 40 anos da AethraGroup, me sinto privilegiado está há 7 anos trabalhando nesta grande empresa.

  • Daniel

    Uma pena o grupo Aethra não ter comprado a Karmann Ghia do Brasil, talvez hoje nós funcionários não estivéssemos nessa situação deplorável, aguardando que um juiz bata o martelo decretando a falência da empresa para que tenhamos o direito de pelo menos dar baixa em nossas carteiras profissionais, funcionários com no hall na área de ferramentaria, estamparia e montagem de conjunto o mesmo no hall que fez da Aethra essa potência, parabéns senhor Pietro.

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