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05/09/2016 | 12h40

Segurança

Uso diurno de faróis baixos continua discutível

Lei improvisada exigiu emenda às pressas e DRL acabou sendo permitido


FERNANDO CALMON, PARA AB

DRLs têm intensidade de iluminação de 1.200 candelas, específica para uso diurno
A iniciativa do Congresso de tornar obrigatório o uso de faróis baixos em rodovias (incluindo seus trechos urbanos) continua a ser discutível. Essa obrigatoriedade traz algumas vantagens secundárias, mas a soma de desvantagens, em países de baixas latitudes como o Brasil, chega a atrapalhar a segurança do trânsito. Não houve nenhuma campanha pública prévia, apesar de o Denatran dispor de verbas polpudas para tal (5% dos R$ 8 bilhões do seguro DPVAT). Multas e pontos na carteira, porém, apareceram em todo o País.

Uma lei tão improvisada exigiu emenda às pressas, por ofício do Contran, na véspera de sua vigência. Os faróis DRL (sigla em inglês para luzes de uso diurno) passaram a ser permitidos. Os legisladores, além de desconhecer o acessório, não estavam nem um pouco informados sobre sua eficiência e possibilidade de evitar acidentes não apenas em rodovias, mas também no tráfego urbano. Sombras projetadas por prédios em dias de muito sol encobrem os veículos como se fosse noite.

Os DRLs (formados por fileiras de LEDs de alta intensidade) ligam-se automaticamente logo após o motor entrar em funcionamento. A intensidade de iluminação de 1.200 cd (candelas), específica para uso diurno, é tão forte que diminui quando o motorista liga os faróis, no pressuposto de trafegar à noite. Como permite diversos desenhos e se integra ao estilo dos carros modernos, possibilita contraste inigualável, inclusive em favor das motocicletas, o tipo de veículo mais vulnerável em todas as situações.

O Contran afirma no ofício que “a maioria dos estudos sobre esse assunto conclui que a presença de luzes acesas reduz significativamente o número de colisões entre veículos durante o dia”. Mas isso não é respaldado por um relatório técnico apresentado na Austrália, o país-continente cuja latitude é semelhante à maior parte do território brasileiro.

“O desempenho fotométrico de faróis comuns mostrou que a redução de acidentes é marginal, em uso diurno nas estradas australianas. Com o pavimento molhado pode produzir reflexos indesejados, pois os faróis baixos iluminam o solo logo à frente do veículo. Em dias de muito sol ou nublados também são pouco efetivos. Outras desvantagens: maior consumo de combustível, possível ofuscamento, lanternas traseiras permanentemente acesas e diminuição da vida de lâmpadas comuns, o que impede o motorista de circular à noite com apenas um farol ou lanterna traseira ligados”, afirma o relatório de 47 páginas nas conclusões.

Nos Estados Unidos, cuja latitude média é superior à do Brasil, faróis baixos durante o dia e DRL não são obrigatórios. O país tem 260 milhões de veículos em circulação (maior frota do mundo) e a segurança rodoviária aumentou muito naquele país nos últimos anos.

Sem dúvida, DRL é a solução final e admitida como a melhor, inclusive pelo baixo consumo de energia. Trata-se, porém, de solução cara para os padrões brasileiros. Fabricantes de acessórios já oferecem essa opção por R$ 2 mil pela força da novidade. Regulamentação bem feita, prazos adequados e tendência de diminuição de custo dos LEDs deveriam estar na prioridade de legisladores, em vez de imposição arrecadatória de multas.

Comentários: 6
 

Luis Gomes
05/09/2016 | 14h16
Mais uma vez Fernando, fica clara a inépcia de nosso legisladores. Como podem aprovar uma lei sem a perfeita compreensão da mesma ? Bastando dizer a quantidade de acidentes que temos nas estradas, não é suficiente. Isso ainda me nutre uma curiosidade, como essas leis são formuladas e apresentadas no congresso ? Pior, como podemos saber que votou contra ou a favor? Se tivéssemos estas informações, pelo menos poderíamos escolher melhor...

Salvador de Oliveira Silva
05/09/2016 | 21h50
Pelo visto, trata-se de mais uma forma de roubar o contribuinte; Isso porque além de pagarmos IPVA cada vez mais caros, as rodovias estão um lixo. Além do mais num tempo em que se combate o superaquecimento cria-se mais um meio de produzir calor, já não bastam as altas temperaturas ambientais naturais? Ao invés disso porque não melhorar as rodovias construindo divisórias de pistas evitando assim que os irresponsáveis façam conversões nas alto pistas no meio da pista e não no acostamento? Pelo visto tudo gira em torno da maldita forma de lesar o já tão sofrido povo brasileiro. Será que o autor dessa lei ridícula não tem mais o que fazer?

tacio basso
06/09/2016 | 08h00
também não sou a favor da forma como as leis entram em vigor no Brasil. Sempre em forma de imposição e claro, o governo não sabe fazer marketing e se queima em todas as idéias praticamente. Mas independente dessa briga, fazem 10 anos que ando com o farol ligado digo sinaleira e farol de neblina - não o farol baixo. Como viajava em torno de 4 a 5 mil km/mês então sempre tive melhor percepção de carro com farol ligado por inúmeros motivos. Hoje viajo menos mas a questão toda gira na educação de nossos motoristas, se tivéssemos mais prudência e educação de transito não teríamos tantos acidentes. Mas a minha opinião é de que algum tipo de luz no carro durante o dia sempre me pareceu mais visual do que o que não está. Não mudarei minha maneira de dirigir nas péssimas e mal sinalizadas estradas brasileiras, sempre estarei lá com a luz ligada.

Dagoberto
06/09/2016 | 08h10
Sou usuário de faróis baixos regularmente, muito antes desta lei tornar obrigatório o uso de faróis baixos. Ainda acredito que o uso de luminosidade durante o dia torna mais fácil sua visualização e consequentemente redução de riscos. Independente das opiniões, as quais respeito, acho desnecessária a criação de uma lei como esta. Destacar os veículos automotores com luzes é uma solução, mas esta obrigatoriedade deveria acontecer após a preparação dos motoristas e pedestres para esta nova realidade. Depois disto um prazo mínimo para a adequação dos veículos atuais, bem como a inclusão como item obrigatório pelas montadoras, também com prazos definidos. Este processo poderia levar alguns anos sempre tendo uma política clara de segurança por parte de nosso governo. Arrecadar montante milionário através das multas não sinaliza boa intenção mas sim, mais uma forma de arrecadar dinheiro, que possivelmente não será investido na segurança do transito.

Marco Antônio Vieira Machado
06/09/2016 | 09h38
Mais do que nunca, movimentos como este nos provam que nossas entidades de classe ( associações e sindicatos patronais) devem ficar atentas, e propor as devidas correções de projetos de leis que afetam nosso setor antes de sua vigência !! Nosso setor é um grande arrecadador de tributos, e por consequência duramente controlado e alvo de farta legislação. Nossas entidades precisam ficar atentas (cada vez mais) para o trabalho dos legisladores!! Leis como esta, de eficácia duvidosa, não são novidade...

Xavier
06/09/2016 | 10h41
Tem Salvador, arrumar um jeitinho de aumenta ainda mais a conta bancaria dele.

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