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Montadoras: 2017 ainda não é o ano da virada

Eventos | 22/08/2016 | 13h00

Montadoras: 2017 ainda não é o ano da virada

Possível leve alta une fabricantes e fornecedores na busca de soluções

SUELI REIS, AB

Para as montadoras, 2017 ainda não será o ano da virada, embora apostem em manutenção dos volumes de vendas previstos para este ano ou ainda em um leve crescimento. Esta é a projeção comum dos participantes do painel A Evolução do Desenvolvimento de Produtos e Suprimentos, Workshop Planejamento Automotivo 2017, realizado por Automotive Businessna segunda-feira, 22, em São Paulo.

Carlo Martorano, diretor de compras da CNH Industrial (Case, New Holland e Iveco), Erodes Berbetz, diretor de compras da Mercedes-Benz do Brasil, Ivan Witt, diretor de compras e de RH da Caoa e Leandro Siqueira, diretor de desenvolvimento de produto e gerenciamento de portfólio da MAN Latin America, debateram sobre os desafios impostos às empresas ao enfrentar a recessão e as formas de como manter os negócios com a cadeia de suprimentos sem deixar para trás o planejamento da tão desejada retomada.

Todos concordaram que a nacionalização é a melhor alternativa quando o assunto é competitividade seja aqui ou no mercado externo. A partir disso, as empresas têm intensificado seus trabalhos junto a fornecedores capazes de entregar não só qualidade, mas alternativas de negócios dentro do escopo de planejamento e desenvolvimento de produto. Essa maior aproximação entre as companhias tem o Inovar-Auto como fator determinante.

“O Inovar-Auto foi fundamental para a modernização de produtos que contou com a participação da cadeia. Fizemos alguns investimentos em fornecedores locais e não teríamos conseguido viabilizar sem o programa”, comenta Berbetz, da Mercedes-Benz.

Segundo o executivo, a montadora tem utilizado todos os recursos disponíveis pelos fornecedores a fim de buscar soluções para reduzir o impacto da crise para ambos os lados, mas aponta que eles também têm se readequado de forma a encarar o novo tamanho do mercado: “Até agora temos conseguido manter nossos trabalhos com os fornecedores estratégicos, mas eles também reduziram seu poder de desenvolvimento, têm enfrentado a mesma redução de estrutura”, afirma. Segundo ele, 60% do que a Mercedes compra no Brasil vêm de empresas globais. “Por que não localizamos mais? Apesar de todo o incentivo, tecnologia disponível, o componente importado ainda é mais barato. O País ainda tem problemas estruturais, de infraestrutura, de custo e commodities”, assinala.

Martorano, da CNH Industrial, reforça a importância das parcerias ao longo da crise: “É neste momento que você tem que utilizar ainda mais o know how dos seus parceiros com um trabalho em conjunto e buscando inovação. E a tendência é de que essa aproximação só aumente no futuro e as montadoras devem procurar saber tirar o melhor proveito dessa inovação”, declara. Apesar disso, ele aponta que há dificuldades em localizar: “Por enquanto, não há demanda de volume para trazer ao Brasil alguns itens utilizados pela Iveco lá fora, mas o fornecedor que faz a ponte entre o que temos no exterior é a chave para esta inovação local: podemos não nacionalizar o todo, mas por meio desta trabalho conjunto encontrar a melhor forma de adaptar essa tecnologia e fazer aqui com menor custo, sem importar, e isto envolve todo o processo, desde o material até a estrutura modular”, explica.

Outra alternativa segundo os participantes do painel é a busca conjunta por mercados de exportação como forma de abrir as portas para alguns tipos de componentes a fim de reduzir o impacto da queda do mercado interno.

Witt, da Caoa, lembra que embora as empresas estejam passando por dificuldades de ordem financeira, principalmente as exclusivamente brasileiras sem origem no exterior, há de se lembrar da necessidade de reformas, sejam elas tributárias e até trabalhistas: “Vai ter que acontecer por questão de custo uma vez que se avalia o problema de competitividade como um todo”, pondera.

Para Leandro, da MAN LA, o caminho para buscar alternativas para a cadeia passa sim pela montadora, que pode ajudar com o desenvolvimento de produtos específicos para a exportação, por exemplo. “Precisa inserir o Brasil na cadeia global”, alerta. “Fortalecer o relacionamento entre as empresas da cadeia tem trazido oportunidades e alternativas para contornar a crise, é uma forma de encontrar soluções mais rápidas. Quem se desenvolveu durante a crise sairá dela muito mais forte.”

Prova disso é o que a Mercedes-Benz conseguiu fazer com um grupo de sete fornecedores: “Com estas empresas, exclusivamente brasileiras, conseguimos inseri-las no mercado de exportação, participando até de competições para fornecimento global”, conta Berbetz. “É uma das saídas, alguns conseguem exportar, mas outros ainda não. A montadora trabalha junto nesta solução, mas não há muito o que fazer quando o assunto é mercado interno: não tem como gerar mais demanda do que o que o mercado requer.”

Por outro lado, investimento como o da Iveco no parque de fornecedores em Sete Lagoas (MG) está pronto, mas sem funcionar: “O projeto andou, está pronto. Quando foi desenvolvido, havia uma expectativa de mercado de 120 mil, 130 mil unidades para o ano. Hoje estamos trabalhando com metade disso. Para ser viável, precisa de um volume [de produção/vendas]. Estamos aguardando melhorias para dar seguimento”, revela Martorano.

Por causa disso, o a Iveco ainda estuda a possibilidade de produzir aqui no Brasil seus conjuntos de transmissões. “A ociosidade está bastante alta, é o momento de bastante planejamento, sempre baseado no volume, pensando no payback”. O executivo encerra sua fala propondo aos presentes – a maior parte de representantes de empresas da cadeia de fornecimento – de abrir seus números relacionados a custos logísticos. “Buscando sinergias, acho que deveríamos negociar também em conjunto. Também penso sobre a compra conjunta do aço. Este tipo de ação podem mesmo fazer a diferença e trazer uma melhora no futuro."



Tags: Montadoras, compras, Workshop Planejamento 2016.

Comentários

  • Eduardo Ventura

    Tem faltado visão do setor automotivo dentro do cenário brasileiro de deficit de transporte público. As montadoras deviam investir mais em vans e buscar junto aos governantes políticas de incentivo ao transporte coletivo. As montadoras de caminhões poderiam investir na produção de VLTs ou troleybus com o objetivo de inovar - na Europa já não é novidade - o transporte público de massas... Seria uma alternativa para a crise em que estamos a busca de novos rumos, neste sentido.

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