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Autopeças | 08/08/2016 | 17h01

Volkswagen cancela contratos com Grupo Prevent

Parada por falta de peças, montadora antecipa férias até azeitar novo fornecedor

MÁRIO CURCIO, AB

A Volkswagen do Brasil rescindiu os contratos com as empresas do Grupo Prevent, que frequentemente vem interrompendo o fornecimento de peças em resposta a pedidos não atendidos pela montadora de aumento de preços. Por causa disso a produção foi novamente paralisada esta semana e já teria resultado, segundo a VW, em mais de 120 dias parados no somatório de três unidades da montadora desde o ano passado.

A Volkswagen também vai à Justiça requerer os ferramentais de sua propriedade que se encontram em fábricas do grupo. A retomada desses equipamentos permitirá o restabelecimento da produção, interrompida em São Bernardo do Campo, Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR).

Esse período de transição obrigou a Volkswagen a antecipar para agosto as férias coletivas anteriormente planejadas para outubro. O recesso terá três a quatro semanas para a maioria dos funcionários, até que a produção dessas peças seja retomada por novos fornecedores.

A Keiper Metalls do Brasil, que faz parte do Grupo Prevent, chamou a decisão de arbitrária e unilateral: “Esse anúncio nos pegou de surpresa, visto que ao longo dos últimos meses nossa diretoria tem se encontrado regularmente com a diretoria da Volkswagen para identificarmos e assegurarmos um denominador comum que atendesse as nossas demandas e proteger a integridade da nossa empresa, com o único propósito de continuarmos o fornecimento à Volkswagen regularmente, que é o nosso objetivo”, afirma o advogado do grupo, Cesar Hipólito Pereira. Segundo a empresa, as negociações mais recentes indicavam a proximidade de fechamento de um acordo com a montadora.

Em Taubaté (SP), a produção foi suspensa entre os dias 8 e 12 de agosto e o início das férias coletivas de 4 mil trabalhadores está marcado para o dia 15, com retorno a partir de 5 de setembro. A fábrica de São José dos Pinhais está parada desde 27 de julho. Deveria voltar a produzir na segunda-feira, 8, o que não ocorreu. Entre os dias 10 e 12, um grupo de metalúrgicos vai montar um lote de 120 unidades de modelos Audi, mas a partir de 15 de agosto 2,6 mil funcionários estarão em férias coletivas durante 30 dias, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Com isso ficará parada toda a produção das linhas VW Fox e Golf, mais os Audi A3 sedã e Q3.

A unidade de São Bernardo do Campo, responsável pela montagem de Saveiro, Jetta e Gol, também interrompeu a produção por falta de componentes, mas o início das férias coletivas de 5 mil trabalhadores passa a valer em 16 de agosto. A montadora estima que 100 mil carros deixaram de ser fabricados como consequência das falhas do Grupo Prevent.

Com as três unidades de montagem de veículos paradas, a fábrica de motores em São Carlos (SP) também antecipou as férias coletivas e 80% de seus trabalhadores ficarão sem trabalhar por 20 dias a partir de 16 de agosto.



Tags: VW, Prevent, Gol, Voyage, Up!, Saveiro, Fox, Golf, Jetta.

Comentários

  • Francisco Batista

    Decisão errada tomada pela VW, esta caminhada será longa e amarga até resolver esta situação.Primeiro que estas ferramentas não irão funcionar em outro fornecedor, certamente só irão os restos de ferramentas para outro fornecedor. Vivemos um momento no Brasil onde para se tirar um repasse de custo das montadoras é quase impossível, porém temos inflação e aumento salarial todos os anos e ninguém aguenta se não houver repasse de custos. A esmagadora política imposta pelas montadores está fazendo que muitos fornecedores "quebram" e não tem ninguém pensando que as montadoras precisam dos fornecedores de peças funcionando bem para os atender da melhor maneira. Desição arbitrária sim e que terá sérias consequencias para a VW.

  • Felipe

    A bastante tempo acompanho essa ladainha da VW, como sempre é a montadora que nunca quer repassar aumentos, porém seus carros são um dos mais caros. Isso não acontece só com a parte metálica dos bancos, sempre acontece com qualquer componente do automóvel. Na minha carreira, vi muitas empresas "quebrando", por conta da Sra. VW. Esta dinossauro que a VW, tem que acordar e reconhecer que ela não "surfa"mais a onda do mercado, isso ficou lá nos anos 90. Hoje temos grandes montadoras em nosso país e cada vez chegando mais, mesmo com a crise ainda atraímos investimentos, inclusive por parte do mercado premium. Vamos VW, já vi essa arbitrariedade e vocês "pedindo penico", não adianta querer boicotar o fornecedor a nível mundial, o problema é aqui, no Brasil e não Europa ou EUA.

  • Ronaldo Souza

    Acompanho esta situação hà bastante tempo pq sempre trabalhei na área automotiva inclusive na VW , é verdade que as montadoras ( todas não só a VW ) não repassam reajustes como se deveria e muitas empresas de pequeno e médio porte até quebraram mesmo , mas isto não justifica a Prevent ter vindo com uma mala ou baú de dinheiro e ir comprando empresas que estavam em dificuldades financeiras preferencialmente aquelas que forneciam para a VW mandando parar as entregas imediatamente porque queriam dinheiro , e em seguida fechando-as . Eles fizeram muita gente trabalhadora sofrer com o desemprego e agora se realmente a VW cancelar os contratos com o grupo Prevent muita gente que trabalha na Keiper por exemplo vai perder o emprego por culpa da própria Prevent . Isto é bem feito para a Prevent .

  • Bruno

    Por que será que ao declinar um pedido de cotação da Volkswagen no portal deles, existe a opção, entre outras: "Não forneço para a VW"

  • Arcanjo dos Anjos

    Foi uma surpresa a decisão da VW; na área de Compras sempre evita-se o confronto aberto tanto de um lado como do outro. Na hora da submissão da peça para analise dimensional aparecem uns problemas totalmente inesperados que ficamos a pensar: “como nunca percebemos isso antes”. Por experiência isso deve levar de 45 a 60 dias. Se precisar recuperar ou refazer os ferramentais pode levar de 90 a 120 dias para conseguir “bater” as peças dentro da especificação. Considerando que as ferramentas ainda nem saíram do fornecedor.

  • Arcanjo dos Anjos

    Acredito que conseguirão ter peças em produção – na melhor situação – no final do ano. Isso se a VW fizer questão de homologar os produtos corretamente; se a Produção quiser as peças antes disso o Depto da Qualidade da VW vai ter que “fechar os olhos” para as discrepâncias que irão surgir. Falamos que sempre que ocorre uma desativação às pressas é motivo para chorar “lagrimas de sangue”. Por que vai ser um caminho tortuoso e longo. Por isso a desativação precisa ser planejada e não de modo intempestivo. Agora que a situação está colocada – VW divulgou na imprensa a sua decisão – ela não pode ceder, pois corre o risco dos outros fornecedores fazerem a mesma coisa. Ficou ruim para os dois lados; o fornecedor deverá perder os outros clientes que eles têm – será desativado aos poucos pelas outras montadoras – a VW vai ficar com um tremendo abacaxi na mão. Isso é um exemplo clássico do que nunca deve ser feito pelo fornecedor e nem pela montadora.

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