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Vendas de veículos importados caem 43,6% até julho
José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, divulga o balanço do setor de importados

Mercado | 08/08/2016 | 17h19

Vendas de veículos importados caem 43,6% até julho

Abeifa emplaca 21,5 mil veículos; dólar e IPI maior impedem avanço

SUELI REIS, AB

As vendas de veículos importados tiveram nova queda: com pouco mais de 21,5 mil unidades emplacadas entre janeiro e julho, o segmento viu os negócios caírem 43,6% na comparação com igual intervalo do ano passado, quando o volume foi de 37,1 mil, segundo os dados divulgados pelas associadas à Abeifa, que reúne importadores e fabricantes.

Com este volume, a participação da Abeifa no mercado total de veículos durante o acumulado dos sete meses do ano fechou em 1,91%. As associadas são Aston Martin, BMW, BYD, Chery, Ferrari, Geely, JAC Motors, Jaguar, Kia, Lamborghini, Land Rover, Lifan, Maserati, Mini, Porsche, Rolls Royce, Suzuki e Volvo Cars.

- Veja aqui os dados da Abeifa.

Considerando o desempenho em julho, o resultado ficou 19,7% acima do verificado em junho, passando de 2,7 mil para 3,3 mil veículos licenciados, marcando este como o segundo mês consecutivo de alta. Contudo, o volume de julho ficou 37,1% abaixo do resultado de mesmo mês de 2015, quando as marcas licenciaram 5,3 mil veículos novos.

“Apesar da representatividade muito pequena no País, este é um mercado que não se pode ignorar, mas estamos travados por causa do limite da cota [de importação]”, afirma José Luiz Gandini, presidente da Abeifa. O executivo avalia que a alta do dólar e os 30 pontos porcentuais a mais aplicados no IPI para as empresas importadoras têm impedido o avanço do segmento: “Reconhecemos que a crise de confiança dos consumidores tem prejudicado a venda de veículos novos como um todo, mas no caso dos importados, se não estivéssemos contingenciados pelas cotas sobre as quais não incidem os 30 pontos do IPI, certamente teríamos recuperado parcela importante das perdas do primeiro semestre”, afirma Gandini.

O executivo conta que esteve reunido com representantes do atual governo interino, além de ministros do MDIC e da Fazenda, a fim de reverter a legislação do IPI maior: “Ficou claro da parte de deles que há um entendimento de que o IPI maior para importados é um equívoco. Desde que reassumi a Abeifa, em abril, estou pleiteando isonomia: o carro importado já paga a penalidade de não ser produzido aqui com o imposto de importação, que é 35%. Se já paga, tem que ter isonomia, tem que ser considerado e tratado como um carro nacional, não pode pagar nada mais adicional”, defende.

Sobre a alta apurada em julho, o executivo aponta que se trata de uma situação pontual: “Este crescimento é resultado do volume maior de emplacamentos da Kia, que puxou as vendas totais no mês passado, por causa do lançamento do novo Sportage”, explica. “No total, a Abeifa teve cerca de 500 carros licenciados a mais em julho na comparação com junho, dos quais cerca de 400 sob o chapéu da Kia. Se não fosse isso, as vendas de julho ficariam estáveis”.

Apesar disso, Gandini, que é presidente da Kia no Brasil, acredita que este resultado não vá se repetir nos próximos meses. “Só a Kia cresceu 58% em julho sobre julho, tendo o Sportage sido responsável por 47,1% deste volume. Foi o melhor mês que tivemos no ano, mas são números que não serão eternizados. Adiantamos a cota a qual temos direito e sobre a qual não incide os 30 pontos porcentuais a mais de IPI para trazer o novo Sportage, mas com o dólar acima de R$ 3, fica impossível importar veículos fora da cota”.

Gandini acredita em uma pequena melhora do desempenho nos próximos meses, baseado no leve avanço da média diária das vendas no mercado geral de veículos, que subiu de 7,5 mil unidades por dia útil em junho para 8,3 mil unidades/dia útil em julho. Ele elege três fatores que podem contribuir com este cenário desejado pela associação para o segundo semestre: “Em primeiro lugar, há uma mudança de ânimo, considerando a confiança dos empresários; há um pensamento coletivo de que ‘as coisas agora vão melhorar’. Em segundo, a taxa de câmbio com o dólar diminuindo ajuda como um todo e, por fim, o clima que já se criou no País, de que há um foco nas mudanças. Contudo, enquanto não se resolver a questão política, nada acontece. Após a definição desse quadro, espero conseguir algo melhor para o nosso setor”, conclui.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de José Luiz Gandini a ABTV:



Tags: Importados, vendas, Abeifa, José Luiz Gandini.

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