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Lucro do Grupo Volkswagen cai 36,8% no semestre

Balanço | 29/07/2016 | 17h09

Lucro do Grupo Volkswagen cai 36,8% no semestre

Resultado vai a € 3,5 bi; custo adicional com dieselgate afeta desempenho

REDAÇÃO AB

O Grupo Volkswagen anotou lucro líquido 36,8% menor no primeiro semestre na comparação com igual período do ano passado ao somar ganhos de € 3,57 bilhões, informa em seu balanço financeiro divulgado na quinta-feira, 28. O faturamento somou € 107,9 bilhões entre janeiro e junho, 0,8% menos do que o apurado em iguais meses de 2015. O lucro operacional foi a € 5,33 bilhões no período, queda de 21,7% no comparativo anual, reduzido por causa das provisões adicionais de € 2,17 bilhões, dos quais € 1,6 bilhão referente às despesas adicionais com o dieselgate nos seis primeiros meses do ano.

Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo com o dieselgate e outros custos adicionais, no primeiro semestre de 2015 a empresa havia registrado despesas de € 170 milhões, valor que equivale a menos de um décimo das provisões adicionais deste ano.

As novas perdas aparecem após a companhia ter reservado € 16,2 bilhões no ano passado desde que o escândalo veio a público, em meados de setembro, e sugerem que o presidente do conselho da companhia, Matthias Müller, se precipitou ao assegurar aos investidores, em abril deste ano, que não haveria mais custos significativos relacionados ao caso.

“Em vista dos problemas atuais, podemos dizer que estamos contentes com o resultado semestral”, disse Müller no comunicado.

O lucro operacional citado acima não inclui os ganhos (operacionais) com as joint ventures na China, que somaram € 2,36 bilhões no primeiro semestre contra os € 2,74 bilhões de um ano antes. No maior mercado automotivo do mundo, o grupo vendeu 1,86 milhão de veículos, volume 7,1% maior do que o verificado há um ano.

As vendas globais do grupo cresceram 1,2% na primeira metade do ano, de 4,72 milhões de veículos em 2015 para 4,78 milhões em 2016 (leia aqui).

“Nós produzimos um resultado sólido em condições difíceis”, disse Frank Witter, diretor financeiro do grupo. “Isso mostra que o Grupo Volkswagen tem alta potência nos ganhos, mas vai exigir muito trabalho para continuar a absorver o impacto significativo sobre o assunto de emissão de diesel”, ponderou.

CONTRIBUIÇÃO DAS MARCAS

A marca de automóveis Volkswagen encerrou a primeira metade do ano com vendas 0,8% menores sobre as de idêntico intervalo de 2015, para 2,23 milhões de unidades. O faturamento caiu 1% no período, para € 53 bilhões, enquanto o lucro operacional recuou expressivos 38%, passando de € 1,4 bilhão para € 881 milhões. Segundo a companhia, isto é resultado dos efeitos de taxas de câmbio aliado aos volumes menores de vendas, além dos custos mais elevados em marketing relacionados ao dieselgate.

No caso da Audi, o faturamento teve leve alta de 1,1% ao reportar ganhos de € 30,1 bilhões, com vendas avançando 1,9% na mesma base de comparação, para quase 800 mil unidades. O lucro operacional diminuiu 8,5%, para € 2,66 bilhões, explicados por efeitos cambiais negativos, elevados gastos iniciais com novos produtos e tecnologias, além de expansão da rede e da produção em alguns mercados, fatores que exerceram um impacto negativo sobre os lucros. Os resultados citados também incluem as marcas Lamborghini e Ducati, que estão sob a alçada da Audi.

Por sua vez, a Porsche verificou ligeiro aumento de 0,72% do faturamento ao alcançar € 10,9 bilhões e vendas 7,3% maiores, para 117 mil unidades, com fortes demandas pelos modelos Boxster, Cayman, 911 e Macan. Com isso, o lucro líquido da marca subiu 7,7%, para € 1,83 bilhão.

Seat e Skoda também melhoraram seus desempenhos, considerando o lucro operacional, com altas de 78% e 31%, respectivamente, para € 93 milhões e € 685 milhões. As vendas subiram para 276 mil Seat (+ 20 mil unidades) e 431 mil Skoda (+ 10 mil unidades).

Por fim, entre as marcas de veículos leves, a Bentley gerou prejuízo de € 22 milhões para o grupo na primeira metade do ano contra lucro operacional de € 54 milhões em igual período do ano passado. O faturamento que passou de € 939 milhões registrado um ano atrás para € 883 milhões neste ano não foi suficiente para conter os impactos negativos causados por taxas de câmbio desfavoráveis e mudanças nas condições de mercado. As vendas da marca ficaram estáveis, com volume idêntico às 5 mil unidades emplacadas há um ano.

A divisão de veículos comerciais que agrega as marcas Volkswagen, MAN e Scania e cujas vendas subiram 3% no semestre (leia aqui) elevaram o faturamento em 3,5%, para € 5,4 bilhões, e o lucro líquido em 11,5%, para € 299 milhões.

PERSPECTIVAS PARA 2016

Para o ano, o Grupo Volkswagen informa em seu balanço que espera aumentar o faturamento (receitas) em 5,4% com relação a 2015, passando de € 202,5 bilhões para € 213,3 bilhões, ao mesmo tempo em que projeta vendas menores em 2%, de 9,93 milhões para 10,13 milhões de unidades.

“Vamos trabalhar duro para gerir os futuros investimentos necessários para transformar o nosso core business automotivo na construção de uma unidade de negócios inovadora em serviços de mobilidade. Um dos pilares da estratégia de 2025 (leia aqui) é, portanto, que todas as marcas e áreas de negócio contribuam para aumentar a eficiência em todos os elo da cadeia de valor”, concluiu o presidente Müller.



Tags: Lucro, Grupo Volkswagen, balanço, dieselgate, faturamento, vendas.

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