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Meritor projeta crescimento de 25% da produção de caminhões
Fabricante de eixos Meritor aposta em retomada no ano que vem (Foto: Luis Prado)

Indústria | 19/07/2016 | 17h57

Meritor projeta crescimento de 25% da produção de caminhões

Fabricante de eixos aposta em retomada e estima 2017 positivo para caminhões

SUELI REIS, AB

A indústria nacional de caminhões deve apresentar um início de retomada no último quadrimestre deste ano e despontar em 2017 com crescimento de 25% no volume de produção no comparativo com 2016. É com este cenário projetado pela Meritor, fabricante de eixos para veículos comerciais pesados, que a empresa já se prepara para encarar os desafios do mercado brasileiro, que deve passar por um novo momento de ajuste, mas desta vez para o alto:

“Temos um otimismo acima da média para 2017. Existem razões para acreditar em crescimento de 20% a 25%, o cenário atual já dá sinais de alguma retomada a partir de setembro deste ano, o que dependerá de uma série de fatores, entre eles, a definição política”, afirma Silvio Barros, vice-presidente e diretor geral da Meritor para a América do Sul na terça-feira, 19, em evento de comemoração dos 60 anos da empresa completados no último dia 10.

A empresa trabalha com projeções de produção de 80 mil caminhões em 2017, o que representaria um aumento de 23% sobre as 65 mil unidades projetadas pela Meritor para este ano, considerando modelos com PBT acima de 6 toneladas. Se confirmado, o volume previsto para 2016 será 10% menor que o de 2015, quando as fábricas produziram 72,2 mil caminhões. Já os estoques devem aumentar a fim de ter a oferta necessária para o mercado em evolução. Segundo a Meritor, as montadoras devem encerrar o ano com pouco mais de 4,9 mil unidades armazendas, volume que sobe para 9 mil em 2017.

Para Barros, há fatores concretos que apontam nesta direção. O primeiro deles é a renovação da frota: “Se considerarmos que já faz cinco anos do boom do setor, em 2011, quando havia elementos muito positivos, como o Finame PSI em sua melhor taxa: os caminhões comprados naquela época já encareceram sua manutenção em 15%, 18% e até 20%. Já vale pensar em outro caminhão”, explica. O executivo considera que já existe no mercado de comerciais pesados uma demanda reprimida, uma vez que o segmento já enfrenta dois anos de recessão com a retração da economia. “É o primeiro a sofrer a queda, porém também será o primeiro a se recuperar. Acredito em um segundo semestre melhor [de 2016] e um segundo semestre de 2017 melhor ainda, bastante diferente, com o medo de investir sendo vencido: vamos conhecer uma demanda que não conhecemos hoje.”

Nesta composição, as empresas deverão repor e complementar seus estoques conforme a necessidade do mercado: “O nível de estoque [de caminhões] é o menor dos últimos 6 anos. A indústria tem que retomar: antes se trabalhava com inventário para dois, três meses de vendas. Hoje o estoque está em um mês e meio”, revela. Em sua análise, Barros aposta no potencial do País e compara o cenário atual com o de 10 anos atrás: “Estamos atualmente com um nível de vendas de caminhões abaixo das 5 mil unidades por mês, voltamos ao patamar de 1996. Naquela época, o PIB per capita era um terço do que é hoje; e a renda agrícola é quatro vezes maior neste momento, então é difícil acreditar em um crescimento de produção de apenas 5% ou 10% no ano que vem”, acrescenta.

Outro ponto é a retomada da confiança do empresário – e também do consumidor – destravada a partir da definição do quadro político no País, o que pode viabilizar um novo momento de investimentos por parte do governo, especialmente em infraestrutura por meio dos planos de concessões, resultando em uma alavancagem da indústria. “Só em planos de privatizações há uma estimativa de caixa de R$ 130 bilhões para o governo. Com isto, começamos a perceber uma evolução econômica, uma evolução do PIB. Já existem projeções de inflação para o centro da meta [que é de 4,5%] em 2017”, reforça Barros.

Já no mercado de reposição, a empresa deve crescer de 5% a 10% em 2016 sobre o ano anterior, mantendo market share de 10% a 12%. “Não temos esperança que seja maior do que isso; o mercado de reposição vai crescer sim, mas acompanhando o mercado que retoma seu ritmo”, acredita.

PREPARANDO O TERRENO

Para encarar o retorno da indústria, a Meritor considera já estar preparada para voltar ao ritmo frenético das linhas de produção, uma vez que investiu pesado nos últimos 5 anos, com uma média de US$ 5 milhões por ano, a maior parte focados em equipamentos modernos e automação.

Com duas fábricas no Brasil, uma em Osasco (SP) e outra em Resende (RJ), a empresa está produzindo atualmente algo em torno de 50 mil unidades/ano, mas em outros tempos chegou a entregar 150 mil eixos por ano. Contudo, a retração do mercado de caminhões que vem se intensificando há dois anos, aumentou a capacidade ociosa da companhia, que hoje está entre 20% e 25%.

Segundo Kleber Assanti, que acumula a direção de vendas para OEM, aftermarket, marketing e RH para a América do Sul, a empresa enfrenta outros tipos de gargalos que não estão diretamente ligados à sua capacidade de desenvolver ou produzir: “Temos mecanismos para a retomada. Nossa maior preocupação é com mão de obra e fornecedores. Estamos em constantes conversas com sindicato para flexibilizar ao máximo e não demitir”, afirma. Segundo o diretor, a empresa adotou um sistema diferenciado de licenças para não dispensar nenhum funcionário neste ano, embora tenha feito cortes em 2014 e 2015, incluindo as áreas administrativas e diretoria. Atualmente, a empresa conta com 920 trabalhadores em todo o País.

“Em comum acordo com o sindicato, concedemos licenças especiais ao trocar o dissídio por menor jornada, resultando em uma flexibilização de 10% a 15%”, conta.

Por outro lado, na base de fornecedores, o gargalo está nas empresas de pequeno porte, analisa Assanti: “Há empresas que estão com muitas dificuldades financeiras, o que nos faz monitorar constantemente a situação de nossos fornecedores já considerando esta retomada que acreditamos, virá em 2017. É um movimento que toda a indústria está fazendo e nos deixa alerta para sempre ter outras opções em caso de desabastecimento”, argumenta.

Assista a entrevista exclusiva de Silvio Barros a ABTV sobre os 60 anos da Meritor:



Tags: Meritor, produção, caminhões, eixos, veículos pesados, Silvio Barros.

Comentários

  • Celso Cestari

    Caro Silvo Barros, Somos fornecedor da Meritor, da unidade de reposição, há mais de 10 anos e desde sempre tivemos uma relação de total transparência, por parte da sua empresa. Mesmo em momentos favoráveis ou desfavoráveis, a Meritor demonstrou e manteve a mesma política e princípios para os negócios e seus parceiros...isto é totalmente perceptível em seus colaboradores. Forte Abraço...Parabéns pela matéria e pelos 60 anos.

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