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Autopeças | 13/07/2016 | 21h00

GM premia qualidade e foca em nacionalização

Montadora reconhece os 46 fornecedores mais qualificados de 2015

PEDRO KUTNEY, AB

A General Motors premiou na quarta-feira, 13, os 46 fornecedores de componentes produtivos no Brasil que apresentaram os melhores índices de qualidade no decorrer de 2015, ao mesmo tempo em que segue apertando os critérios de avaliação e foca em aumentar a nacionalização de sua cadeia de suprimentos. Atualmente a GM compra autopeças de cerca de 350 fabricantes no País. Manoel Rego, diretor de engenharia de qualidade e desenvolvimento de fornecedores para América do Sul, destaca que a operação brasileira da montadora conta com média maior de empresas parceiras melhor qualificadas do que o porcentual mundial, que gira em torno de 12% do total de 12 mil parceiros, contra 13% aqui.

O Supplier Quality Excellence Award da GM foi iniciado no Brasil em 2012 e desde então o número de fornecedores de alta qualidade premiados vem evoluindo; cresceu quase 50% de 2013 para 2014, de 37 para 55. Nesta quarta edição do prêmio, contudo, caiu para 46. Ainda assim Manoel Rego avalia que existe evolução: “A cada ano os parâmetros de medição estão mais restritos. Mesmo assim conseguimos manter bom número de empresas acima dos padrões”, diz.

O executivo explica que, para ser premiado, o fornecedor precisa passar o ano todo sem nenhum demérito em 13 tipos de avaliação, que vão desde ter certificações válidas de qualidade de seus processos produtivos, como ISO/TS e a QSB da GM, até métricas de resultados como defeitos em peças entregues – a tolerância máxima no ano é de um relatório de não-conformidade em apenas um lote de componentes –, pontualidade de entregas, não provocar nenhuma parada de produção, mudanças de subfornecedores sem conhecimento não são permitidas. Outro critério é a confiança absoluta nos controles do fornecedor, que não pode ter auditoria externa fixa da GM em sua fábrica para ganhar o prêmio.

“Só consegue ser premiado quem mostra muita regularidade e tem cultura de qualidade implantada na empresa. Os parâmetros estão cada ano mais apertados porque os clientes também estão mais exigentes. Além das melhorias esperadas nos novos projetos dos veículos, também é muito importante manter o padrão elevado daqueles que já estão no mercado, ou vamos criar produtos obsoletos”, afirma Manoel Rego, lembrando que este ano os critérios serão novamente apertados com a adoção da nova certificação BIQS da GM.

“Este prêmio mostra a evolução da indústria automobilística nacional e o foco da cadeia de suprimentos na satisfação do consumidor final. Em épocas desafiadoras, como essa que o setor está enfrentando, a qualidade é a chave da competitividade, pois fomenta o desenvolvimento de produtos melhores e mais acessíveis”, destacou Santiago Chamorro, presidente da GM do Brasil, durante a premiação.

“NACIONALIZAÇÃO VERDADEIRA”

A GM está mais exigente para nomear novos fornecedores em novos projetos, que ficam inelegíveis se perderem mais de 20 dos 100 pontos que recebem ao começar a fazer negócios com a montadora. Mas o aperto não é só por causa da qualidade. Manoel Rego garante que a nomeação hoje também leva em conta a localização na fabricação de componentes em todos os elos da cadeia de suprimentos. “Não adianta muito termos um sistemista que nos entregue um conjunto com várias partes importadas. Queremos a nacionalização verdadeira. É uma estratégia importante da empresa atualmente, principalmente depois das exigências do Inovar-Auto”, afirma o diretor. Ele assegura que a GM dará preferência aos fornecedores que tenham planos de investimento no País, para acompanhar a evolução tecnológica da indústria com fornecimento de peças feitas no Brasil. A grande exceção, concorda Rego, são os eletrônicos, que seguem sem nenhum horizonte de produção nacional, apesar do grande avanço da eletrônica nos veículos.

O custo mais baixo não é o único fator para escolher um fornecedor. Segundo Manoel Rego, um comitê formado pelas áreas de qualidade, compras e engenharia faz a escolha de forma conjunta, com base em critérios que atendam todas as exigências. E se o componente importado com o mesmo padrão de qualidade for mais barato? “Não olhamos mais só o valor do componente. O câmbio volátil mudou as coisas. Não dá para trocar de local para importado conforme o real flutua. Olhamos para a vida inteira do produto”, responde o executivo.

Rego afirma que continuam em curso os investimentos em nacionalização da GM no Brasil. Dentro do programa de R$ 6,5 bilhões no período 2014-2018 estava prevista a localização de US$ 1 bilhão em compras. “A localização de peças está aumentando a cada novo projeto. É um dos pilares para tornar nosso negócio mais sustentável e imune às variações cambiais. Houve época em que a GM importou de tudo quando o dólar estava barato, mas quando o câmbio ficou acima dos dois reais essa estratégia tornou-se insustentável”, pontua.

Entre as medidas adotadas, Manoel Rego informa que houve um processo de redução do número de fornecedores de alguns produtos, para garantir escala maior de produção e assim tornar viável o investimento em localização que algumas empresas fornecedoras tiveram de fazer. “Precisamos dar viabilidade para nacionalizar e também cuidar da nossa cadeia nesse momento em que alguns fornecedores estão fechando as portas. Desenvolvemos um programa de gestão especialmente para antecipar possíveis dificuldades, inclusive nos subfornecedores”, diz.

Apesar do discurso pró-nacionalização, algumas práticas da GM indicam estratégia oposta. Este ano, por exemplo, a montadora deixou de comprar motores diesel fabricados no Brasil pela MWM e passou a trazer de fora do País a motorização usada na nova geração da picape S10 e no SUV Trailblazer. Ao mesmo tempo, a empresa vai importar motores com redução tarifária de 18% para 2% (ex-tarifário), sob alegação da falta de capacidade de produção nacional do componente, agora aceita pelo governo brasileiro. E para reduzir o alto volume de peças importadas utilizadas no Cruze que era montado em São Caetano do Sul, transferiu a fabricação do sedã para sua unidade na Argentina, onde as exigências de compras nacionais são menores.

O PRÊMIO

Após quatro edições do Supplier Quality Excellence Award no Brasil, a GM já premiou 160 plantas de 95 fornecedores. A premiação é feita por planta algumas empresas têm mais de uma unidade fabril reconhecida pela montadora. Este ano, por exemplo, três fornecedores tiveram mais de uma de suas fábricas premiadas, pelo fornecimento de diferentes componentes. A Continental foi a que mais recebeu reconhecimentos, em três unidades, e Maxion e Delphi receberam duas placas cada.


GM Supplier Quality Excellence Award: 46 fornecedores foram premiados na quarta edição do prêmio de qualidade da montadora no Brasil

Veja abaixo a lista de todos os premiados do GM Supplier Quality Excellence Award pela qualidade aferida em 2015:

Chassis
· Bridgestone do Brasil Ind. Com. Ltda – Unidade Santo André - SP
· Goodyear do Brasil – Centro de Montagem Gravataí
· Mando Corporation do Brasil Indústria e Comércio de Autopeças Ltda
· Mann+Hummel Brasil Ltda
· Pirelli Pneus Ltda.
· Maxion Wheels – Unidade Guarulhos - SP
· Maxion Wheels – Unidade Limeira - SP
· Continental Pneus – Unidade Camaçari - BA
· Continental Automotive do Brasil Ltda – Unidade Várzea Paulista - SP
· Wapmetal Ind. e Com. de Molas e Estampados Ltda
· Urepol Polimeros Ltda
· Zen S/A Industria Metalúrgica
· Thyssenkrupp Metalúrgica – Unidade Campo Limpo - SP

Exterior
· 3M do Brasil
· Aisin do Brasil Comércio e Industria Ltda
· Brose do Brasil Ltda
· Flamma Automotiva S/A
· Indústria Metalúrgica Fanandri Ltda
· Jotaeme Fitafer Indústria Metalúrgica
· JSP Brasil
· Mitsuba Autoparts do Brasil Ind Ltd
· NSG Group – Pilkington Brasil
· Tecnoperfil Taurus Ltda
· Uliana Componentes Automotivos Ltda
· Stabilus Ltda

Sistemas de Propulsão
· Gates do Brasil Indústria e Comércio
· GPM do Brasil Automotiva Ltda
· SMB Automotive Ltda
· RCN Indústrias Metalúrgicas S/A
· Bleistahl Brasil Metalúrgica S/A
· Sabo Indústria e Comércio Ltda
· Cerâmica e Velas de Ignição NGK Do Brasil
· Musashi do Brasil Ltda
· Continental Brasil Indústria Automotiva – Unidade Salto - SP
· Freudenberg Nok Componentes Brasil
· Delphi Automotive Systems do Brasil - Unidade Jambeiro - SP
· Delphi Powertrain Systems – Unidade Piracicaba - SP

Componentes Elétricos e Subsistemas
· Baterias Moura
· Condumax - Eletro Metalúrgica Ciafundi Ltda
· Johnson Controls PS do Brasil Ltda
· Casco do Brasil Ltda

Interior
· Sulfix Indústria e Comércio Ltda
· Coplac Do Brasil Ltda – Unidade Itu - SP
· Copam Autopeças

Sistemas Térmicos
· MTA Brasil Ltda
· Valeo Sistemas Automotivos – Powertrain Thermal System Brazil



Tags: General Motors, GM, fornecedores, prêmio, qualidade.

Comentários

  • Mario Sozzi

    Há alguns anos atrás a moda eram as "compras globais" por uma vantagem de preço ou cambial pontual, desconsiderando o estratégias de médio e longo prazos para uma cadeia produtiva integrada, tendo como consequência o desmantelamento da indústria de auto-peças nacional e estrangeira no Brasil. Que esse esforço de nacionalização, custoso e lento, seja estendido pelas demais montadoras, só que dessa vez por meio de um processo colaborativo de desenvolvimento e fortalecimento de toda a cadeia produtiva.

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