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Renault usa impressão 3D para fazer peças
Egido (direita) e Marczynski no birô de impressão 3D da Renault em São José dos Pinhais (PR)

Tecnologia | 23/06/2016 | 19h24

Renault usa impressão 3D para fazer peças

Área de TI da fábrica do Paraná se transforma em fornecedor

PEDRO KUTNEY, AB | De Curitiba (PR)

Com a evolução da impressão 3D (tridimensional), o setor de tecnologia da informação da Renault se transformou em fornecedor de componentes para a engenharia de desenvolvimento e manufatura da fábrica de São José dos Pinhais (PR). Em maio de 2015 o departamento de TI, incentivado por um programa interno de inovação, decidiu apostar no potencial da solução e colocou para funcionar a primeira impressora de plástico PLA. Desde então, o “Bureau de Impressão 3D” vem recebendo cada vez mais pedidos internos de novas peças, para uso em protótipos ou em equipamentos da produção. Já são três impressoras em operação que já prototiparam mais de 100 itens, uma nova máquina chega em breve e a compra da quinta está em estudo, diante da estimativa de imprimir milhares de peças com redução de custos e expressivo ganho de tempo.

Hoje 80% das peças impressas no birô 3D da Renault são protótipos de plástico PLA, que servem para testar em tamanho real formas e espaços ocupados por componentes em projetos de carros. “Antes isso era feito por fornecedores externos e o processo todo podia levar mais de 60 dias, entre cotação, autorização de compra e tempo de execução. Agora, sem burocracia, podemos prototipar um componente em apenas 48 horas, por um custo cerca de 75% menor”, explica Angelo Figaro Egido, diretor de TI da Aliança Renault-Nissan América Latina, que instituiu o projeto dentro do Complexo Industrial Airton Senna. Ele também destaca a economia com ferramentais que custam em torno de R$ 200 mil: “Com gasto muito menor é possível fazer várias tentativas na impressora 3D até acertar as medidas, isso evita o desperdício de tempo e dinheiro com um ferramental fora de medida que precisa ser refeito.”

PEÇAS PARA MANUFATURA

Se já deu certo com protótipos de componentes, a meta agora é aumentar para além dos 20% atuais o uso das impressoras 3D para fazer peças empregadas no maquinário de produção. “Fizemos um mapeamento das 59 mil peças em estoque para reposição na manufatura. Cerca de 200 poderiam ser impressas em 3D, mas escolhemos as 39 mais viáveis em custo por unidade acima de R$ 11 e uso máximo de até 200 unidades por ano. São itens que normalmente são mais caros por causa da falta de escala de produção”, conta Egido. “Já estamos fazendo testes de equivalência com 10 peças”, acrescenta.


As impressoras 3D em ação no birô da Renault em São José dos Pinhais (PR): bico dosador de cola dos vidros impresso em plástico PLA amarelo substituiu o de teflon branco com economia de RS 047 por carro fabricado.

O birô já tem uma história de sucesso nesse sentido, com a impressão de bicos dosadores de cola usados pelos robôs que instalam os vidros dos carros na linha de montagem. Esses componentes de teflon eram comprados de um fornecedor por R$ 120 a unidade, era necessário trocar a peça a cada turno de oito horas de trabalho. Foi feita a tentativa, bem-sucedida, de trocar por bicos impressos em 3D com plástico PLA, que a impressora leva pouco mais de uma hora para produzir, ao custo de R$ 20 cada um. Como o material é inferior ao teflon, é necessário usar duas unidades por turno, mas mesmo assim os R$ 40 gastos a cada turno de produção representa economia de 67%, ou o equivalente a R$ 0,47 por carro fabricado. Se for levada em conta a produção de 175,5 mil veículos na planta da Renault em 2015, o total economizado seria de R$ 82,5 mil. Com isso, uma das impressoras trabalha diariamente para fazer esses bicos.

Entre as propostas de impressão de peças em testes, a produção de um batente de R$ 922 pode cair 80%, para R$ 184, gerando economia anual de R$ 6 mil. Uma capa plástica de um robô que vem importada da França custa R$ 576 por unidade, preço que desce para R$ 250 se for impressa no birô 3D. Se todos os potenciais componentes em estudo forem aprovados pela engenharia, a economia anual passa dos R$ 500 mil.

VIABILIDADE ECONÔMICA

“São números que viabilizam o processo e tornam as impressoras 3D cada vez mais necessárias na fábrica, não só pela redução de custos, mas também pela rapidez no atendimento de demandas internas”, destaca Alfredo Marczynski, responsável pela performance econômica do departamento de TI da Renault. “Por isso é um caminho natural a expansão do birô, que mais adiante até deverá sair da alçada da área de TI”, estima.

Segundo Marczynski, a viabilidade econômica do projeto foi sendo alcançada aos poucos, em primeiro lugar pela popularização e barateamento das impressoras 3D, mercado que até 10 anos atrás era amarrado por patentes de apenas duas empresas, as Stratasys e a 3DSystems. No caso da Renault, a primeira impressora foi arrendada da 3D Cloner, fabricante do próprio Paraná, que depois forneceu mais duas máquinas. “Como é algo novo e não existe muita gente especializada nessa área, foi fundamental ter um fornecedor tão próximo para dar toda a assistência que precisamos”, diz.

O arrendamento das máquinas foi a opção mais viável para colocar o birô para funcionar mais rapidamente, pois assim não foi necessário empatar capital em ativos, o que levaria bem mais tempo para ser aprovado internamente. Outra vantagem é fazer a troca das impressoras sempre que acontece alguma evolução tecnológica.

A próxima máquina já na lista de compras será para fazer impressões em plástico ABS, de qualidade superior ao PLA, para fazer outros tipos de peças mais técnicas, que exigem acabamento melhor. Mais adiante, Marczynski vê a possibilidade de compra de equipamentos mais sofisticados, capazes de moldar metais, que podem custar acima de US$ 500 mil. “Existe bastante potencial, na área de assessórios exclusivos para os carros por exemplo. A impressão 3D ainda deve evoluir muito dentro das empresas”, aposta.



Tags: Renault, 3D, impressão 3D, peças, fábrica, Curitiba, São José dos Pinhais, Paraná.

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