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Lançamentos | 10/06/2016 | 15h00

Nissan lança March e Versa com câmbio CVT

Transmissão automática será opcional de versões 1.6 por R$ 4,8 mil

PEDRO KUTNEY, AB | De Itatiba (SP)

Mesmo com preços altos para equipar com câmbio CVT carros na faixa de entrada do mercado brasileiro, a Nissan tem grandes ambições para os novos March e Versa X-Tronic CVT, ambos fabricados em Resende (RJ) e lançados esta semana. A transmissão por polias continuamente variáveis, sem marchas fixas, é tecnologia usualmente encontrada em veículos de gama superior no Brasil, especialmente de marcas japonesas. Agora o CVT passa a ser oferecido pela primeira vez aqui em sedã e hatch compactos, como equipamento opcional que vai custar R$ 4,8 mil extras nas versões 1.6 topo de linha dos dois modelos.

Com a transmissão CVT – segundo a Nissan a mesma que já equipa outros carros maiores da marca como os sedãs Sentra e Altima –, o March 1.6 SV de R$ 49.290 manual passa a custar R$ 54.090 na versão X-Tronic CVT, enquanto o 1.6 SL sobe de R$ 53.590 para R$ 58.390. Já o sedã Versa 1.6 SV manual de R$ 53.190 salta para R$ 57.990 na opção automática e o SL de R$ 59.890 vai a R$ 64.690. O topo de linha Versa Unique passará a ser vendido somente com câmbio CVT por R$ 66.290.

March e Versa X-Tronic CVT não serão as opções automáticas mais baratas do mercado, já que carros com câmbio automatizado custam menos, assim como também são mais baratas as recém-lançadas versões com transmissão automática convencional de quatro velocidades de um concorrente de peso neste segmento, o novo Toyota Etios (leia aqui), que com motor 1.5 parte de R$ 52.495 (hatch) e R$ 55.195 (sedã), e atualmente vende bem mais do que os modelos compactos da Nissan.

O argumento da fabricante para convencer o consumidor a pagar preço maior pela solução CVT estaria na tecnologia atualizada, que garantiria mais conforto, pois não há trancos nas trocas de marchas, e consumo menor trazido pela aceleração linear, sem altos e baixos na rotação do motor. Com a chegada de March e Versa automáticos, todo o portfólio da marca japonesa no País tem agora a opção CVT. A Nissan aposta no crescimento da tecnologia há mais de duas décadas e já vendeu 4 milhões de carros com CVT em todo o mundo.

“Seremos os únicos do segmento no Brasil a ter a transmissão continuamente variável, que é usada e aprovada por clientes de carros superiores, isso eleva o padrão dessa faixa de mercado a um novo patamar”, justifica François Dossa, presidente da Nissan do Brasil.

AMBIÇÃO ALTA

Mesmo com preços que superaram bastante a barreira de entrada do mercado, as ambições são grandes. A fabricante espera que o câmbio CVT ajude a aumentar a demanda pelo March com 35% a 40% das vendas do hatch. O benefício maior seria para o Versa CVT, que passaria a representar a maioria dos negócios, cerca de 60% das compras, pois a opção automática parece melhor encaixada nesse tipo de modelo. A projeção é de Ronaldo Znidarcis, vice-presidente de vendas e marketing da Nissan Brasil. “O enriquecimento do mix normalmente traz aumento de vendas. No cenário atual não projetamos nenhum objetivo, mas avaliamos que os dois carros oferecem grandes vantagens sobre os concorrentes, especialmente em consumo de combustível e pacote de equipamentos”, afirma o executivo.

A Nissan aposta no crescimento do número de consumidores que desejam um veículo com câmbio automático no Brasil, que formam contingente cada vez maior de clientes fiéis a essa tecnologia. Segundo dados pesquisados pela montadora, hoje 40% dos futuros compradores de carros compactos querem um automático e 95% dos atuais donos de um modelo sem pedal de embreagem afirmam que seu próximo automóvel também terá este recurso. “Esses porcentuais comprovam que mais do que um luxo, não precisar trocar marchas no trânsito pesado das grandes cidades é uma necessidade para aumentar o conforto do motorista”, destaca Cristiane Sanches, gerente de marketing de produto da Nissan.

Ela lembra ainda que nos últimos anos vem crescendo bastante o número de modelos compactos com versões automáticas. Em 2011, essas transmissões equipavam somente 4% dos hatches e 8% dos sedãs pequenos, em 2015 esses porcentuais saltaram para 19% e 22%, respectivamente. Isso faz avançar expressivamente o volume de carros automáticos, pois os hatches representam 41% das vendas de veículos no País e os sedãs compactos têm fatia de 17%.

March e Versa vivem momentos diferentes no mercado brasileiro. As vendas do hatch vêm caindo nos últimos dois anos, recuaram 6,6% entre 2014 e 2015 e este ano, de janeiro a maio, as 7,2 mil unidades emplacadas significam queda acumulada 30,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o March é apenas o 28º carro mais comprado no País. Já o Versa segue sentido oposto e vende mais do que seu companheiro de plataforma. Os emplacamentos cresceram 14% de 2014 a 2015 e nos primeiros cinco meses de 2016 o incremento é de impressionantes 88%, com quase 8 mil unidades comercializada, colocando o sedã compacto na 26ª posição do ranking nacional.

Nas projeções de Znidarcis, com a introdução das versões CVT o Versa deve ganhar ainda mais fôlego, “mas também deve ajudar o March a subir, ainda que um pouco menos”. Com o lançamento dos dois compactos automáticos, aliado à chegada em julho próximo do SUV Kicks – que também terá CVT –, mais a megaexposição esperada como patrocinador dos Jogos Olímpicos do Rio, o executivo estima que a Nissan deverá aumentar em cerca de 10% sua participação de mercado este ano, dos atuais 2,6% para perto de 3%, mantendo as atuais 167 concessionárias.. Znidarsis avalia que a marca ainda não avançou mais no País por falta de conhecimento do consumidor em certas regiões do País: “Tanto que estamos bem melhor em grandes mercados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde nosso market share varia de 4% a 4,5%” afirma. “Em momento de crise o consumidor acaba confiando nas marcas tradicionais. Temos de mostrar mais nossas qualidades”, pontua.

TECNOLOGIA ESCOLHIDA

Além da CVT, a Nissan têm outras opções em seu portfólio, como câmbios manuais automatizados e automáticos convencionais (com engrenagens) de quatro e seis velocidades. “Preferimos trazer a última geração de nossa transmissão CVT porque acreditamos que se encaixa melhor no conceito do March e Versa, com condução mais agradável, melhor resposta à aceleração e maior eficiência de consumo”, explica a gerente Cristiane Sanches.

O nível de consumo nas versões equipadas com CVT ficou muito próximo do March e Versa manuais, por isso ambos mantiveram a nota A de eficiência nas medições do Inmetro. O March X-Tronic CVT registrou autonomia de 7,8 km/l na cidade e 9,8 km/l na estrada com etanol, e 12 km/l e 15 km/l com gasolina. Já o Versa automático rodando com etanol marcou 7,8 km/l (urbano) e 10 km/l (rodoviário) e 12 km/l e 14 km/l com gasolina.

“A CVT é uma transmissão global com calibragem local”, diz Ricardo Abe, gerente de engenharia de produto da Nissan. “Aqui fizemos um trabalho para privilegiar o torque e a dirigibilidade, para respostas mais rápidas”, informa. Na prática, March e Versa equipados com CVT ficaram bastante ágeis tanto na estrada quanto na cidade, mas quando se acelera acima dos 100 km/h o desempenho vai ficando progressivamente mais fraco – como acontece com a maioria dos CVTs.

O funcionamento da cinta que gira entre duas polias que variam de diâmetro conforme a velocidade do motor elimina totalmente os pequenos trancos que se sentem nas trocas de marchas de câmbios automáticos com engrenagens, garantindo assim acelerações mais lineares e menor consumo. Contudo, o arranjo parece um pouco ruidoso. A Nissan afirma que fez extenso trabalho para redução de ruídos em toda a linha 2017 do March e Versa, com aplicação de vedações acústicas adicionais na divisória motor/cabine (porta corta-fogo), no para-brisa, painel e console. Ainda assim, especialmente nas acelerações, o ruído continua elevado dentro da cabine, mostrando que o retrabalho acústico era realmente necessário, mas pode ter sido insuficiente.

Nas versões X-Tronic CVT, March e Versa continuan com bom nível de equipamentos de série, como direção elétrica progressiva, travas e vidros com acionamento elétrico e ar-condicionado. A versão SV vem com sistema de som simples e a SL já incorpora de série a central Multi App, que reúne navegação por GPS e conexão por wi-fi para baixar os mesmos aplicativos de um smartphone, como Waze e WhatsApp.



Tags: Nissan, March, Versa, CVT, câmbio, automático, lançamento, mercado, hatch, sedã.

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