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Abeifa estima queda de 35% das vendas em 2016
José Luiz Gandini, presidente da Abeifa

Importados | 04/05/2016 | 18h50

Abeifa estima queda de 35% das vendas em 2016

Importadoras se adequam à nova demanda prevista em 39 mil unidades

SUELI REIS, AB

As dezoito empresas filiadas à Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, preveem uma queda de 35% das vendas em 2016 na comparação com o ano passado, quando foram licenciadas 59.975 unidades. Se a projeção se cumprir, as importadoras terão encerrado o ano com a entrega de 39 mil unidades no mercado brasileiro. Em sua projeção, a entidade trabalha com a estimativa de que o mercado total de veículos no Brasil chegará a 1,8 milhão de unidades, incluindo leves e pesados, o que representaria retração de 27% no comparativo anual.

“Prevemos uma queda [dos importados] maior que a do mercado geral já considerando a fatia de 9% deste total que será o volume excedente da cota de importação e para a qual incidirá os 30 pontos porcentuais adicionais de IPI”, explica o presidente da Abeifa, José Luiz Gandini, que reassumiu o cargo no mês passado (leia aqui).

“As vendas têm caído e as marcas estão se adequando à demanda, porém, em nível que quase não dá para manter os negócios”, lamenta. “Eu não posso vender mais carro, não estou importando mais porque não tem mais cota para isso”, acrescenta. Gandini, que é presidente da Kia Motors no Brasil, diz que no seu caso, há pedidos de concessão para a abertura de concessionárias da marca. “Mas não posso nomear, porque vai faltar carro para os grupos que já estão no mercado”, revela.

Gandini defende que além da sobretaxação do IPI, vigente desde 2012 para todos os veículos importados, a alta do dólar que também vem se acentuando desde 2011, é o que está dificultando ainda mais o desempenho dos importadores. A média do câmbio, que em 2011 era de R$ 1,67, chegou a R$ 2,35 em 2014 e a R$ 3,33 em 2015. Atualmente, considerando o primeiro quadrimestre, a média está em R$ 3,82.

Já sobre as cotas de importação, limitada a 4,8 mil unidades ao ano por empresa sem a sobretaxação de 30 pontos no IPI - ele toma como exemplo os números consolidados do primeiro quadrimestre do ano, cujos emplacamentos de importados das filiadas atingiram as 12.716 unidades, volume 44,6% menor do que o apurado em igual período do ano passado. “Vendemos mais carro do que o que se tem de cota para o período”, disse ao considerar o volume total de cotas prevista para o ano sem a sobretaxação, de 37.757 unidades. As demais 3.243 unidades serão excedentes.

Ainda sobre mercado, no comparativo mensal, de abril contra março, as vendas diminuíram 13,9%, para 2.856 veículos, enquanto que sobre abril do ano passado, houve recuo mais acentuado, de 45,8%. A média diária de vendas pelas importadoras caiu 5,3% na passagem de março para abril, de 150,8 unidades por dia útil para 142,8 unidades, enquanto que para o mercado geral, a média diária tem se mantido estável em 7,8 mil unidades em cada um dos meses entre janeiro e abril.

CONSEQUÊNCIAS

Com a previsão de vender 39 mil veículos importados neste ano, a Abeifa prevê encerrar o período com 450 concessionárias em operação e 13.560 postos de trabalho. Segundo Gandini, estes números estão praticamente estáveis com os apurados no encerramento de 2015: "As redes j´s se adequaram a esta nova realidade, quem tinha que fechar concesisonárias, já fechou no ano passado", ressalta. Contudo, ele lembra que estes dados representam uma queda importante quando comparados com 2011, antes da sobretaxação do IPI.

Naquele ano, as importadoras tinham 848 concessionárias abertas e 35 mil empregados. A arrecadação de impostos em 2011 foi de R$ 6,4 bilhões: para este ano, a entidade prevê arrecadação na ordem de R$ 2,1 bilhões.

“Para voltar aos números de 2011, é preciso tirar o adicional do IPI e o mercado voltar ao seu ritmo mais comum”, afirma. Sobre renegociar com o governo esta condição do IPI, Gandini afirma que não é o momento: “É cedo para isso. Estive em Brasília há uma semana e o clima é de que ninguém tem cabeça, está todo mundo arrumando as gavetas e limpando tudo para ir embora. Nem sei com quem deveria falar neste momento, não está nada definido”, conta.

Ele acrescenta que nesta sua nova gestão levantará a bandeira de exclusão dos 30 pontos adicionais do IPI para importados, uma vez que o volume vendido pelas filiadas à Abeifa representam apenas 5% do mercado geral, e que focará na criação da sobretaxação do IPI apenas para veículos com baixa eficiência energética, o que já é premissa do Inovar-Auto:

“Nós importadores já pagamos a ‘multa’ por trazer carros de fora: são 35% de imposto de importação, o índice máximo permitido pela OMC. A partir do momento que o importado paga esse valor, ele deve ser tratado com as mesmas regras impostas ao veículo nacional, não pode haver um IPI diferente para cada um. A regra está errada. É necessário que se crie um critério que valha para todos”, defende. “Já conversei com o Megale sobre isso (Anfavea) e ele entendeu. Seria importante se levássemos uma proposta conjunta ao governo”, declarou.

Em sua avaliação sobre o mercado, disse que apesar do momento difícil do mercado, as vendas de veículos no Brasil podem variar, o que dependerá do humor da economia nos próximos meses: “Pode ir a 2 milhões de unidades, que é o número que a Anfavea trabalha, pode ser 1,6 milhão, tudo dependerá do cenário político e econômico nos próximos meses”, afirma.

Assista abaixo a entrevista exclusiva com José Luiz Gandini para a ABTV:



Tags: Abeifa, importados, vendas, licenciamentos, emplacamentos, Luiz Gandini.

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