NOTÍCIAS
25/04/2016 | 17h52

Entidades

Megale assume Anfavea sob o peso da crise

Novo presidente promete buscar mais previsibilidade para a indústria automotiva


GIOVANNA RIATO, AB

Em meio ao conturbado cenário econômico e político, que derrubou as vendas de veículos, a Anfavea começa um novo ciclo. Antonio Megale, diretor de assuntos governamentais da Volkswagen Brasil, passa a acumular a função com a presidência da entidade que representa os fabricantes do setor. Ele sucede Luiz Moan, que comandou a associação durante os também conturbados últimos três anos e agora se aposenta. Megale terá como primeiro vice-presidente Rogélio Golfarb, da Ford, cargo que tradicionalmente sinaliza quem será o próximo a assumir o comando da entidade.

“A nossa prioridade será garantir previsibilidade para que as empresas do setor possam se planejar e sair da crise”, anunciou Megale ao tomar posse na segunda-feira, 25. O executivo de 59 anos apontou que deixar as regras do jogo claras será sua ocupação número um tanto quando se trata de novas regulamentações, como as leis que tornam obrigatórios itens de segurança, quanto na área de financiamento e crédito, principalmente para o segmento de veículos comerciais. “Queremos manter a nossa interlocução com o governo e com outras entidades, que hoje é muito boa”, aponta, mesmo sem saber ao certo com qual governo tratará nos próximos três anos.

Para garantir isso, a agenda de Megale deve priorizar neste início de mandato uma série de visitas a Brasília. Estão previstas reuniões no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no Ministério das Cidades, no Denatran e no Ibama. Assim que o Senado decidir pelo afastamento ou não de Dilma Rousseff da Presidência da República, o executivo pretende marcar reunião com ela ou com Michel Temer, se este for o caso.

MENOS PROMESSAS EM BUSCA DE MAIS REALIZAÇÃO

Ao contrário de seu antecessor, ao assumir a presidência da Anfavea Megale evitou fazer promessas que podem ser difíceis de ser cumpridas. Há três anos, quando Moan tomou posse, ele chegou a se comprometer com a criação do programa Exportar-Auto, que elevaria o patamar de exportações nacionais para 1 milhão de veículos por ano (leia aqui), algo que jamais poderia acontecer sem produtos adequados e ampliação dos acordos internacionais de comércio. As exportações brasileiras não passam da casa das 400 mil unidades por ano.

Conheça abaixo as grandes prioridades da gestão de Antonio Megale na Anfavea:

- EXPORTAÇÕES E COMPETITIVIDADE
Com a ociosidade da capacidade produtiva na casa dos 50% na indústria automotiva, Megale quer elevar as exportações para melhorar o aproveitamento das fábricas nacionais. Segundo a Anfavea, a desocupação chega a 80% quando analisado o setor de caminhões. “A produção é a nossa grande preocupação e exportar é uma excelente alternativa para o momento, com o câmbio favorável”, aponta.

Ele pretende seguir trabalhando em parceria com o governo para rever e ampliar acordos comerciais já estabelecidos e firmar novas parcerias. O foco inicial está na América do Sul. “Ao garantir bom volume com Peru, Equador e Colômbia, já chegamos ao patamar de exportação que temos com a Argentina”, compara, indicando que nenhum mercado será desconsiderado.

O acordo da entidade com a Argentina, que termina em junho, também passará por renegociação. Megale enfatiza que o foco é o livre comércio, mas admite que será difícil pleitear estes termos na atual situação política dos dois países. “Podemos rever alguns pontos e renovar, mas gostaríamos de estabelecer acordo com prazo superior a um ano”, conta, batendo novamente na tecla de que é preciso manter a previsibilidade para as empresas.

O executivo também mantém boas expectativas acerca da megaencomenda do Irã, que pode chegar a 140 mil veículos. Segundo ele, ainda não está definido se este volume todo será comprado no Brasil. De qualquer forma, ele indica que as montadoras trabalham internamente para fornecer localmente ao menos parte da encomenda.

- BUSCA POR RETOMADA
O executivo preferiu não divulgar a prévia dos resultados de vendas de abril. Ainda assim, ele adiantou que a média diária permanece bem próxima da registrada em março, com a diferença de que o mês atual tem alguns dias úteis a menos. Assim, se não houver mudança nos próximos dias, já é possível esperar por mais uma contração das vendas na comparação mensal. No primeiro trimestre de 2016 o mercado interno já acumulava queda de 28,6%, para 481,3 mil veículos.

Megale mantém o discurso de Moan e afirma que os primeiros sinais da volta do crescimento do mercado interno de veículos podem acontecer ainda no fim deste ano. “Estamos vivendo uma crise de confiança. Se o cenário clarear, veremos melhora rápida da demanda por automóveis”, afirma. Ele assume, no entanto, que o caso não é tão simples quando analisado o setor de veículos comerciais, que precisa de crescimento econômico para reagir.

O novo presidente da Anfavea enfatiza que o Brasil tem enorme potencial de vendas de veículos no médio e no longo prazos. Por isso, ele acredita que a atual crise não vai tirar o País do mapa dos principais mercados globais. “Perdemos algumas posições no ranking, mas estou certo de que logo vamos recuperar.”

- FUTURO DO INOVAR-AUTO
Megale assume a Anfavea em momento decisivo para o Inovar-Auto. Entre outubro de 2016 e setembro do ano que vem as montadoras têm de apresentar os resultados de eficiência energética ao governo. “Não vemos a possibilidade de que aconteça qualquer mudança nestes prazos. Isso está claro para todas as empresas”, assegura.

Com a proximidade do fim do programa nos moldes atuais, a entidade destaca que é o momento de discutir uma possível continuidade para o Inovar-Auto. “O ideal seria estabelecer uma política industrial apoiada em dois pilares: eficiência energética e pesquisa e desenvolvimento local”, acredita.

O executivo afirma que manter a exigência de investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil não traz benefícios só aos carros, que poderão receber novas tecnologias, mas também aos times de engenharia locais, que ganham mais visibilidade global dentro das montadoras. Na área tecnológica, Megale também pretende impulsionar a indústria na área de propulsão alternativa e enfim colocar o Brasil na rota dos veículos elétricos e híbridos.

- LEGISLAÇÃO TRABALHISTA
Para o novo presidente da Anfavea, a busca por mais previsibilidade na indústria passa por melhorar e tornar mais flexíveis as leis trabalhistas. Magale aponta que o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) é uma vitória recente, mas que ele tem validade de apenas dois anos. “Queremos isso como algo perene que possa ajudar a indústria em uma eventual crise futura.”

O executivo também quer se empenhar na busca por mais segurança jurídica para as empresas nas negociações trabalhistas. “Temos sindicatos maduros no Brasil e a negociação entre a empresa e estas entidades tem de prevalecer sobre a legislação”, aponta. Segundo ele, muitos acordos não são aprovados por restrições nas leis brasileiras.

Assista à entrevista exclusiva com Antonio Megale, presidente da Anfavea:


Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 20/09/2017
Salão de Frankfurt mostra que evolução da mobilidade também atrai público

Esta coluna é apoiada por:

Documento sem título
Advertisement Advertisement Advertisement
DE CARRO POR AÍ | 22/09/2017
Leve renovação exterior com adição de sistemas de segurança
AUTOINFORME | 21/09/2017
Empresa se prepara para grandes mudanças na indústria
INOVAÇÃO | 15/08/2017
Indústria automotiva precisa abrir os olhos para novas formas de trabalhar
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
Negócios | 08/03/2017
Tecnologia faz parte da receita para sair da crise
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes