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06/04/2016 | 11h25

Importados

Gandini reassume presidência da Abeifa e pede isonomia

Entidade que representa as importadoras completa 25 anos de existência


PAULO RICARDO BRAGA, AB

José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil, assumiu na terça-feira, 5, o comando da Abeifa – Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, sucedendo a Marcel Visconde, da Stuttgart Sportcar. Trata-se do quinto mandato do executivo na liderança da entidade, que se prolongará até 2018. Luis Resende, presidente da Volvo Cars, assumiu como vice-presidente e Luis Curi, CEO da Chery, como diretor financeiro.

O novo presidente da entidade disse que pretende seguir a linha de atuação da diretoria anterior, trabalhando para o fortalecimento do mercado interno e atualização da indústria local, com o objetivo de tornar o País um polo produtivo também voltado para a exportação.

Gandini enfatizou que neste ano a entidade completa 25 anos e representou a porta de entrada de toda marca que pretendeu se estabelecer no Brasil. Ele disse que não concorda com a afirmação de que o setor de importação é um exportador de empregos: “Além de trazer para o mercado brasileiro toda tecnologia e design, desenvolvidos no exterior, mostramos ao consumidor o real valor dos produtos”.

No discurso de posse ele disse que pretende reforçar a implantação de veículos movidos a energia alternativa, como híbridos e elétricos. “A fabricação local, por ser inicialmente de baixo volume e de alto custo de desenvolvimento, é praticamente impossível”, observou, sugerindo que seja revista a carga tributária para este tipo de produto. Para ele, seriam criados novos empregos e um novo complexo de distribuição.

Gandini lembrou que grandes marcas instaladas no País iniciaram as atividades locais como associadas à Abeifa e citou Audi, Citroën, Chrysler, Honda, Hyundai, Jeep, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Renault, Suzuki e Toyota. BMW e Mini, também filiadas, já iniciaram a produção e Land Rover e JAC Motors devem inaugurar instalações.

“Com todas essas iniciativas, como posso concordar com aqueles que dizem que estamos exportando empregos?”, reiterou Gandini. Ele lembrou que em 15 de setembro de 2011, com o câmbio a R$ 1,71, foi criado um adicional de 30 pontos porcentuais no IPI, com exceção feita a veículos fabricados no Brasil e importados do Mercosul, contrariando regras da Organização Mundial do Comércio. Em outubro do ano seguinte foi instituído o Inovar-Auto, com o objetivo de lançar uma política industrial no setor automotivo, mantendo os 30 pontos adicionais do IPI.

“Com o dólar na faixa de R$ 3,60 este imposto é proibitivo. Nossas importações, que recuaram de 199 mil unidades em 2011 para 50 mil veículos em 2015, continuaram a cair ainda mais. A arrecadação de tributos no setor caiu na mesma proporção e continuará em queda”, observou, dizendo que grande número de concessionárias já fechou as portas.

Gandini esclareceu que a entidade não é favorável à abertura integral do mercado brasileiro e busca estimular uma indústria local forte, que responde por 25% do PIB industrial, oferecendo milhares de empregos. “Mas também não somos favoráveis ao fechamento do mercado e ao protecionismo”, resumiu, dizendo que vivemos em um mundo globalizado de duas vias no qual para exportar é preciso também importar.

“Como podemos continuar pagando 30 pontos adicionais do IPI com o dólar na faixa de R$ 3,60? Se o Brasil passa por uma crise econômica e precisa de maior arrecadação, por que aguardar o fim do Inovar-Auto no fim de 2017?”, questionou. “Nos deixem trabalhar para ajudar o País a sair dessa situação de depressão econômica”, disse.

Gandini explicou que o principal objetivo da atual gestão será mostrar ao governo a necessidade de apoiar as cláusulas do Inovar-Auto, mas pede que em caso de adoção de incentivos ou da aplicação de penalidades que sejam feitas em igualdade de condições entre veículos importados e aqueles de fabricação nacional. “Sugerimos que os critérios sejam baseados exclusivamente na eficiência energética, premiando ou penalizando marcas que atinjam ou não os índices estabelecidos, mas mantendo a isonomia prevista em lei”.

Para Gandini, o fator que nivela o produto importado ao nacional, em qualquer lugar do mundo, é somente o imposto de importação. Ele entende que já pagamos a alíquota máxima permitida pela OMC. “Estamos pedindo somente o retorno aos parâmetros normais de recolhimento de impostos hoje atribuídos à indústria local. Nosso pleito é por isonomia”, concluiu.

MERCADO

Dos 173.275 veículos emplacados no País em março, apenas 4.027 foram vendidos pelas empresas filiadas à Abeifa. Enquanto ocorreu um recuo de 23,3% no mercado total com relação ao mesmo mês do ano passado (de 225,9 mil para 173,2 mil unidades) o segmento correspondente à Abeifa caiu nada menos que 41,7%, de pouco mais de 6,9 mil unidades para 4.027 unidades.

O tombo nas vendas das filiadas à Abeifa no acumulado do primeiro trimestre deste ano sobre igual período do ano passado foi de 41,8%, passando de 20,1 mil para 11,7 mil unidades, enquanto o mercado total registrou uma redução de 28,3%, de 648,7 mil para 465 mil unidades.

Está incluída na contabilidade da Abeifa relativa ao primeiro trimestre de 2016 um total de 1.865 unidades produzidas no País, com uma diminuição de 24,8% sobre as 2.480 unidades montadas e emplacadas localmente de janeiro a março de 2015. A fabricação local das associadas à Abeifa de janeiro a março inclui 430 veículos da BMW, 94 da Chery, 40 da Mini e 146 da Suzuki.

Assista abaixo a entrevista exclusiva com José Luiz Gandini para a ABTV:


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