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Indústria | 22/02/2016 | 16h05

GM ameaça rever investimento no País

Fabricante pode cancelar aporte de R$ 6,5 bilhões para 2017-2019

PEDRO KUTNEY, AB

Seis meses de aprofundamento da crise econômica no Brasil fizeram a General Motors e o seu presidente mundial Dan Ammann mudar rápido de ideia quando ao potencial do País nos próximos anos. Em julho de 2015, dizendo-se confiante no potencial do mercado brasileiro apesar do cenário adverso, o executivo anunciou que a companhia faria um aporte adicional de R$ 6,5 bilhões entre 2017 e 2019 para desenvolver aqui nova família de veículos de segunda linha para países subdesenvolvidos (leia aqui). Sete meses depois, no fim da semana passada, em entrevista somente ao jornal O Estado de S. Paulo, Ammann revisou drasticamente suas perspectivas, dizendo que a GM vai “reavaliar” o investimento caso não aconteçam “sinais de avanços políticos e econômicos nos próximos 6 a 12 meses”. Solicitada a confirmar as declarações, a assessoria da GM do Brasil limitou-se a informar que a empresa não vai comentar a entrevista.

Segundo Ammann relatou ao jornal, a GM já viveu diversas crises no País, “mas o que mais nos preocupa agora é que pode não haver solução nos próximos três anos” em termos de recuperação do mercado brasileiro, que em 2015 teve retração de 23% nas vendas e este ano é esperada nova contração que pode derrubar o patamar para menos de 2 milhões de veículos pela primeira vez em uma década. “A pergunta mais importante é saber quando vamos ver estabilidade para criar uma situação que permita continuar nossos investimentos”, acrescentou.

Como o plano era continuar a fazer mais do mesmo – carros sem atratividade global, só vendidos regionalmente –, o câmbio favorável para exportações também não anima a companhia. Muito pelo contrário, o executivo disse que o real desvalorizado mais atrapalha do que ajuda, pois torna mais caras as importações de componentes.

CAIXA-PRETA

Apesar de todos os anúncios de investimentos no Brasil, é impossível confirmar se a GM – e diversas outras montadoras – está de fato aplicando tudo que disse que iria aplicar. Pode ser que o aporte a ser revisado jamais saia do papel independentemente da situação econômica. Mesmo o programa anterior, de R$ 6,5 bilhões de 2014 a 2016, tem todos os ingredientes para ser inverossímil, já que a companhia não fez nenhum gasto desse porte nos últimos anos. Tudo está dentro de uma caixa-preta, sem nenhuma transparência.

Pelo que se sabe, a GM não tem caixa próprio suficiente no País para bancar investimento deste porte, vem registrando seguidos prejuízos na região, também não se conhece nenhum aporte feito pela matriz nos últimos anos para cobrir gastos desse tamanho. Por outro lado, a empresa não contratou nenhum grande financiamento junto ao BNDES, principal financiador dos investimentos do setor. A última vez que a GM do Brasil recorreu ao banco de fomento foi em 2009, segundo registros do BNDES para captar R$ 180 milhões aplicados ao desenvolvimento de nova família de veículos compactos no País – que no caso já foram lançados. O valor é muito pequeno para cobrir os bilhões anunciados pela companhia.



Tags: GM, General Motors, investimento, revisão, Dan Ammann.

Comentários

  • Gian

    É repulsiva toda essa politicagem, no mínimo! ...

  • Adriano

    apenas um comentário simples....a situação política/economica do Brazil, principalmente política, precisa dar sinais de mudança rapidamente, pois as notícias ruins apenas leva a população em geral a comprar cada vez menos e pode virar uma bola neve muito grande e sem controle....apelo aos Senhores no poder: mexam-se a favor do todo e não se esqueçam que os Senhores também fazer parte do todo.

  • Sergio Casa Nova

    "Ameaça"???? Foi este mesmo termo que foi usado pelos executivos da GM??? Ora rever o planos é um direito deles, mas isto só denota a extrema incapacidade deles na elaboração de seus planos estratégicos de longo prazo que não resistem à três meses. É muita prepotência.

  • Ícaro Souza

    Isso tudo é só pilantragem dessas "montadoras" de carros. O ideal era fechar todas essas "fábricas" estrangeiras, pois não existe nenhuma brasileira e os funcionários procurarem outro emprego ou montarem oficinas próprias, dependendo de cada especialização. O fato é que compramos carros muito melhores e completos até no Chile pela metade do preço. O emprego de 1000 funcionários não justifica a compra do carro por milhões de brasileiros que pagam impostos e lucros monstruosos às montadoras. Por esse e outros motivos todos caçoam dos brasileiros que pagam alto por um produto que não vale.

  • Luc H. de Ferran

    Precisa creio refletir e analisar o que iria acontecer na cadeia inteira. Desde a matéria prima até o suporte da vida dos veículos.

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