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Conjuntura | 19/02/2016 | 13h30

Para executivos, crescimento volta somente após 2017

Pesquisa Roland Berger/Automotive Business mostra expectativas do setor

PEDRO KUTNEY, AB

Grande parte dos executivos da indústria automotiva no Brasil espera que 2016 seja o último ou penúltimo ano de queda nas vendas antes da recuperação, com retorno do crescimento, ainda que em ritmo modesto, a partir de 2017 ou 2018. É o que pensam 86% dos 514 integrantes do setor que responderam às 54 questões da terceira edição da Pesquisa de Perspectivas realizada com exclusividade pela consultoria internacional Roland Berger entre os leitores de Automotive Business.

O estudo foi conduzido entre dezembro e janeiro passado e observou substancial avanço de 60% no número de participantes em relação a 2015, com a captura da visão sobre o futuro do segmento de atividade de executivos com alto nível de senioridade (55% deles com mais de 20 anos de experiência no setor) e no topo da escala de comando – quase 50% têm cargo de presidente ou diretor. A pesquisa ouviu todos os principais atores do setor: a maioria dos participantes (243) atua em fornecedores de primeiro nível (tier 1), 89 trabalham nos fabricantes de veículos, 77 estão em empresas da cadeia de fornecimento tiers 2, 3 e 4, os demais são prestadores de serviços, concessionários e membros de associações representativas da indústria.

No curto prazo, a pesquisa Perspectiva da Indústria Automotiva 2016 Roland Berger/AB detectou que para o mercado de veículos leves existe uma divisão quase equânime entre aqueles que projetam retração leve de 5% a 10% nas vendas este ano (40%) e os que esperam por estagnação (35%) em relação a 2015, com variação para cima ou para baixo não maior do que 5%. Para o segmento de veículos comerciais a divisão é parecida: 35% dos executivos ouvidos previram queda moderada e 33% projetam estabilidade. Na opinião dos pesquisados, os principais fatores que impactarão ambos os mercados são o desenvolvimento econômico nacional, o crédito e as políticas tarifárias/regulação, conforme já havia sido observado no estudo em 2015.

Em relação ao volume de veículos leves exportados, é esperado crescimento leve (5% a 10%), sendo que os executivos apontam o câmbio favorável como principal fator determinante.

RETOMADA

Sobre a expectativa de retomada pós-crise, nova divisão quase equânime: 44% avaliaram que o crescimento volta em 2017, enquanto 42% esperam isso para 2018. Mais pessimistas, 12% dos entrevistados acreditam que a recuperação ocorrerá somente mais tarde, a partir de 2019. E apenas 2% enxergam alguma expansão das vendas em 2016.



Para 54% dos executivos, a volta ao pico histórico do mercado de veículos leves (3,6 milhões de unidades emplacadas em 2012) somente ocorrerá no médio prazo, entre 2018 e 2020, e 43% avaliam ser necessário um período mais longo para atingir esse patamar, somente a partir de 2021.

MEDIDAS PARA SUPERAR A CRISE

Como principais medidas implementadas para superar a crise em 2015 foram mencionadas a redução da capacidade de produção e mão de obra (67%), a redução de despesas (overhead) da área administrativa (54%) e o aumento das exportações (46%).



Como medidas a serem adotadas em 2016 para encarar o cenário de crise, foram citadas aumento das exportações (55%), redução de despesas (overhead) da área administrativa (43%) e a corte da capacidade de produção e mão de obra (43%).

Os executivos que participaram da pesquisa também elencaram medidas internas necessárias para fazer a indústria retomar seu vigor. A grande maioria apontou o aumento da produtividade da força de trabalho (62%), a revisão dos processos (53%) e a revisão/renovação do portfólio de produtos (49%) como pontos essenciais para melhorar os resultados.



Na opinião dos executivos da indústria automotiva, um programa de renovação da frota (65% das respostas), redução de impostos e encargos (57%) e facilitação de acesso ao crédito (55%) são as medidas do governo que mais poderiam afetar positivamente o mercado e antecipar a retomada do crescimento no setor.

MONTADORAS

Ao apontar os principais desafios a serem enfrentados em 2016, conforme já observado nas pesquisas realizadas em 2014 e 2015, a capacidade ociosa e a lucratividade são apontadas como principais desafios das montadoras no momento. As estratégias esperadas para este ano são guerra de preços e expansão para novos mercados.

As principais tendências tecnológicas de 2016 para os veículos leves são o desempenho dos motores, com a continuação do movimento de downsizing (redução de tamanho) e mais eletrônica embarcada/conectividade. Para os veículos pesados os executivos colocam a redução de emissões atmosféricas e a melhoria do desempenho dos motores como principais objetivos.

FORNECEDORES

Entre os fabricantes de autopeças, 39% dos executivos ouvidos esperam que o relacionamento dos fornecedores com as montadoras fique ainda mais deteriorado em comparação com 2015, outros 39% esperam que tudo fique igual.

Assim como em 2014 e 2015, a lucratividade é vista como principal preocupação dos fornecedores em 2016, seguida pela crescente ociosidade das linhas de produção. O insourcing, com maior número de atividades e produtos feitos dentro da própria empresa, é visto por 61% dos pesquisados como principal tendência esperada no mercado de fornecedores tier 2, seguida por um movimento de consolidação (59%), com redução do número de companhias.

A infraestrutura logística (63%), o custo das matérias-primas (62%) e da mão de obra (60%) são apontados como principais barreiras para aumentar a competitividade internacional e assim elevar a exportação de autopeças.

Quanto à eficácia dos incentivos do governo para a competitividade da cadeia de fornecedores, é possível avaliar que a maioria dos executivos considera que serão insuficientes em 2016 (conforme em 2015).

CONCESSIONÁRIAS

Os principais desafios a serem enfrentados pelo setor de distribuição de veículos em 2016 são os mesmos apontados pelos concessionários em 2015: pressão sobre as margens nos negócios de veículos novos (80%), volume reduzido de vendas de zero-quilômetro (78%) e aumento de estoques (33%).

As regiões Nordeste (31%) e Centro-Oeste (27%) devem apresentar maior crescimento do número de concessionárias. A região Sudeste (65%) deve apresentar a maior redução no número de pontos de venda.

As perspectivas futuras em relação à consolidação dos grupos de concessionárias em 2014 apontavam entrada de investidores internacionais; para o ano de 2015 e 2016 os executivos esperam pela realização de novas consolidações.

CONSUMIDORES

Para 53% dos executivos participantes da pesquisa, a lealdade do consumidor em relação às marcas de veículos deve se deteriorar. Outros 43% acreditam que a lealdade deve ficar igual.

O ar-condicionado novamente foi considerado como o opcional mais valorizado pelos clientes brasileiros (conforme em 2015), seguido pelo câmbio automático/automatizado. O segmento de carroceria mais procurado nos próximos anos deverá ser o SUV.



Tags: Conjuntura, pesquisa, perspectivas, projeção, previsão, Roland Berger, Automotive Business.

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