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Negócios | 04/02/2016 | 19h16

Anfavea insiste em culpar só imposto por preço alto no Brasil

Entidade destaca carga tributária, mas não abre caixa preta dos preços

GIOVANNA RIATO, AB

A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, enfim apresentou o estudo do preço do carro vendido no Brasil, prometido desde que Luiz Moan tomou posse como presidente da entidade, em 2013. Os dados reunidos, no entanto, tratam mais da carga tributária do que efetivamente do quanto um consumidor precisa desembolsar para comprar um automóvel. “O brasileiro paga dois carros e leva um”, simplifica o dirigente.

Segundo destaca Moan, um automóvel com motor entre 1.0 e 2.0 tem carga tributária de 54,8% no País, considerando o total de impostos aplicados sobre o preço de custo do veículo e os tributos embutidos na cadeia produtiva e não-recuperáveis. Com isso, o Brasil tem encargos mais pesados do que países como a Rússia, onde os impostos chegam a 22%, e os Estados Unidos, onde o porcentual é de 7,5%. Para carros com motorização até 1.0 a carga é de 48,2%. Segundo a Anfavea, isso quer dizer que vão para os cofres públicos 27,1% do preço de venda de um veículo da categoria.

Traduzindo em moeda, Moan aponta o exemplo do Fiat Palio Fire, automóvel mais barato à venda no Brasil, com preço de tabela de R$ 28,3 mil para a versão duas portas 1.0. Convertido em dólar, na cotação de janeiro deste ano, o montante daria US$ 7,3 mil. Caso fosse descontada toda a carga tributária apontada pela Anfavea, este preço cairia para US$ 4,9 mil, valor baixo se comparado com os preços internacionais. Pode até ser, mas o Palio Fire e seu baixo nível de conteúdo só existe no Brasil e países vizinhos, portanto não há como compará-lo com um carro global. Além disso, o real desvalorizado deixa qualquer veículo bem barato em dólares.

Moan insiste que, mesmo com tantos encargos, o preço do carro brasileiro evolui em ritmo menor do que a inflação. O IPCA, considerando toda a economia, aumentou 87,3% de 2004 a 2015, ao passo que a evolução dos valores dos veículos neste mesmo período foi de 23,4%. “Em 1995 um Volkswagen Gol custava o equivalente a US$ 9 mil, o que correspondia a 107 salários mínimos. Em 2015 este valor era de US$ 8,2 mil, algo em torno de 40 salários mínimos”, indica. Claro, o salário mínimo subiu acima da inflação e o real perdeu mais de 50% de seu valor diante do dólar só no último ano, o que distorce completamente essa comparação.

MAS E O PREÇO DO CARRO?

Os dados expostos pela Anfavea mostram que o plano de abrir a caixa preta do preço do carro no Brasil ficou só na promessa. No lugar de um estudo do valor cobrado por automóveis no País, a entidade mostrou levantamento sobre a carga tributária. Há quase três anos a Anfavea declarou estar trabalhando no material. Ainda assim, os dados foram divulgados oportunamente quando o dólar está valorizado, o que dá a falsa impressão de que os preços praticados no Brasil estão abaixo do mercado global.

A comparação mais justa deveria ser feita pela paridade de poder de compra ao mostrar, por exemplo, quantos salários médios são necessários para comprar determinado carro no mercado nacional e em outros países. Neste caso, o modelo analisado teria de ter o mesmo nível de equipamentos nos dois países, incluindo sistemas como controle eletrônico de estabilidade (ESC), que é obrigatório na Europa, mas localmente ainda tem participação tímida nas vendas.



Tags: Anfavea, preço, carro, carga tributária, impostos.

Comentários

  • Gian

    bla bla bla ... E quem tem peito pra mudar !?

  • Luc Henri de Ferran

    Precisa de uma análise mais detalhada para incluir o sistema de garantia e de distribuição das unidades e os prazos mantendo estoques

  • Diego

    A verdade nunca será dita. Governo nunca vai reduzir a carga tributaria sobre a fabricação de veiculos, o máximo que fará será reduzir o IPI. Quando isso foi feito, não mostrou ser a solução para esse valor absurdo nos veículos comercializados no país. Eu acredito que a precificação dos automóveis para venda no Brasil são feitas com base no mercado, quanto você esta disposto a pagar por esse produto? Os valores de venda nunca serão: custo do produto + impostos e porcentagem de lucro. Infelizmente nós pagamos um valor com base em pesquisa de mercado. O valor é baseado no valor de mercado do automóvel. Infelizmente nós ja estamos acostumados com a inflação, com o alto preço dos produtos em geral. O nosso problema é cultural.....

  • José Benedito de Oliveira

    Infelizmente isso é só a ponta do iceberg...Esta notícia só vem confirmar o que nós , brasileiros de verdade(porque quem lesa o país , através de conchavos políticos e corrupção não pode ser considerado brasileiro).estamos sentindo na pele.Governantes e instituições sem força e a mercê dos interesses das grandes empresas.Os impostos são altos sim, mas as montadoras não reduziram sua margem de lucro,para colaborar com a redução do IPI.Muito pelo contrário,lucraram muito mais com as vendas durante o período da redução assim como lobistas que também lucraram , favorecidos por medidas provisórias.Em pleno século XXI, continuamos a assistir o Brasil sendo saqueado da mesma forma que acontecia no seu descobrimento.As riquezas sendo trocadas por espelhinhos...

  • Sergio Casa Nova

    Tire todos o impostos e carro continua caro e inadequado para o mercado brasileiro! A incompetência dos executivos é gritante, vejam desde a Nacionalização já se foram mais de 60 anos, a empresas estão sentadas sobre todas as informações do mercado.

  • mauro

    Quem trabalha na indústria automobilística, sabe que a anos não se consegue repassar o aumento de custo para o preço e que as montadoras estão operando no vermelho.

  • Luis Sanzovo

    Só o consumidor pode mudar essa historia, deixar de comprar quando a crise acabar, sabe deus quando. Países e povos desenvolvidos não se deixam enganar por um fabricante ou produto de péssima qualidade como os que são ofertados aos brasileiros.Mas isso é utopia nessa terra, por isso deitam e rolam, não estariam aqui se não tivessem lucros tão absurdos com produtos que negligenciam a segurança e as emissões de poluentes.

  • Milton Roque Jr.

    Realmente, a análise da Anfavea está incompleta. Há um estudo mais abrangente da consultoria MA8, feito por Orlando Merluzzi, que comenta os demais fatores que impactam o custo dos veículos.

  • Marcondes

    Os impostos são altos, mas os lucros das montadoras também são, a fatia de lucro de vendas de veículos dentro do Brasil é a maior do mundo, se fizer engenharia reversa , verá que as montadoras choram de barriga cheia.

  • Silas Furtado

    Cumprimento aos editores do AB. Concordo com a matéria completamente mas o principal é a coragem e independência do grupo em se afirmar como mídia e definir claramente a situação pontuando as fraquezas do estudo. Parabéns!

  • Silvio Teixeira

    Saudações a todos os brasileiros de verdade!É mais que claro, que não somos tão tolos quanto as montadoras e a sua fiel escudeira a anfavea pensam. Na atualidade, temos um canal que pode definir a existência ou a descontinuidade de uma marca. É isso mesmo! Nós temos o poder! O problema é que ainda não acreditamos nesse fato! Essa "estória" de que os impostos jogam o valor dos carros para a estratosfera é uma meia lenda! Um dia o colapso vai mostrar a estrutura dessa mentira! No ntanto, as mantenedoras da anfavea, não abrem mão da sua hiperespacial margem de lucros.O que mais irrita é a desunião de um povo se divide na hora do voto de maneira tão acirrada e intensa, tal qual estivessem em lados opostos numa partida de futebol. Negligenciando o fato de que simplesmente perdem até amigos por causa de times de futebol onde os jogadores e seus chefes não dão a mínima importância ao torcedor! Assim ocorre conosco quando consumidores de veículos (...).

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