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Trabalho | 22/01/2016 | 18h50

GM e sindicato trocam farpas em São José dos Campos

Empresa e metalúrgicos terão audiência de conciliação na segunda-feira, 25

REDAÇÃO AB

Às vésperas de se encontrarem em audiência de conciliação para tentar chegar a um acordo sobre o valor para o pagamento da segunda parcela da PLR 2015 (participação nos lucros e resultados), a General Motors e o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos (SP) travam uma verdadeira batalha de argumentações cada qual para defender suas propostas e interesses. Enquanto o embate não chega ao fim, a greve chega ao seu quinto dia na sexta-feira, 22. Na unidade são produzidos os modelos Trailblazer e S10, além de motores e transmissões.

Os trabalhadores cruzam os braços desde a última segunda-feira após rejeitarem a primeira proposta da GM em pagar um valor de R$ 4.250. Após mais uma rodada de negociações, a montadora ofereceu R$ 5 mil mais a primeira parcela do 13º salário, o que foi novamente rejeitada pela maioria dos trabalhadores em assembleia realizada na manhã de terça-feira, 19. Em comunicado divulgado à imprensa nesta sexta-feira, o sindicato reforça que o valor oferecido perfaz um total que está 30% abaixo do valor da PLR paga em 2014. Eles reivindicam parcela acima de R$ 6.405.

“A GM é a única grande montadora com fábrica no País a buscar a redução da PLR dos trabalhadores. As outras mantiveram o valor de 2014 ou corrigiram pelo INPC. Já a General Motors quer reduzir em 30% o valor. Em 2014, a empresa pagou R$ 13 mil de PLR. Em 2015, está tentando reduzir para R$ 10 mil, justamente no momento em que os trabalhadores já estão sendo penalizados com a explosão da inflação no País”, afirma o sindicato em nota.

A representação dos trabalhadores da unidade de São José argumenta que o que está em negociação é somente a segunda parcela da PLR, uma vez que o 13º salário é um direito previsto em lei (leia aqui).

Para o sindicato, o valor proposto pela GM está abaixo das condições reais da montadora: “A GM teve o carro mais vendido do País em 2015, é a segunda maior em vendas e, principalmente, acaba de aumentar de US$ 5 bilhões para US$ 9 bilhões o repasse a seus acionistas. A fábrica de São José dos Campos tem um faturamento anual de cerca de R$ 6 bilhões (em 2015). Aqui se produz os carros mais caros da companhia no País, os modelos S10 e Trailblazer, que chegam a custar R$ 180 mil, além da produção de mais de 200 mil motores e 400 mil transmissões em 2015”, diz o comunicado.

Por sua vez, a GM faz uma análise global do setor ao argumentar sua proposta: “O mercado automotivo brasileiro registrou uma queda nas vendas em torno de 30% apenas em 2015. A expectativa para este ano é de um mercado em torno de 2 a 2,2 milhões de unidades, uma queda de quase 50% comparado ao recorde de 3,8 milhões de veículos vendidos em 2012. A indústria opera hoje no País com capacidade ociosa superior a 50% e os custos não param de crescer, impactados pela inflação e pela forte desvalorização do real. Até mesmo o Onix, carro mais vendido do País em 2015, sofreu uma queda de 16.5% se comparado ao ano anterior. Apesar dos impactos financeiros resultantes deste quadro, a GM priorizou os trabalhadores e conseguiu oferecer um valor de PR bastante elevado diante das circunstâncias. Os empregados já receberam no ano passado um adiantamento de R$ 8,5 mil e a empresa está disposta a pagar mais R$ 5 mil, totalizando R$ 13,5 mil”, diz a nota.

Em ambos os comunicados, os argumentos ganham tom mais pesado quando uma parte critica a postura da outra. A GM escreve: “Mas a intransigência do sindicato, que parece ter uma pauta meramente política e não de real defesa dos interesses dos trabalhadores impede um acordo, mesmo sendo ele desejado pela maioria dos empregados. A greve iniciada na última segunda-feira piora ainda mais o quadro econômico-financeiro da empresa e gera ainda mais prejuízos para a companhia”. A montadora continua dizendo que o valor proposto de R$ 5 mil, “está no limite do possível”, mas que com a rejeição, decidiu entrar com o pedido de dissídio coletivo a ser julgado na próxima segunda-feira, às 14h, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas (leia aqui).

“A GM espera que o impasse seja resolvido e que os empregados retornem imediatamente aos seus postos de trabalho, evitando um prejuízo ainda maior do que aquele já causado pela queda acentuada no volume de vendas.”

O sindicato rebate: “Mesmo tendo sido beneficiada com uma longa sequência de incentivos fiscais do governo, a GM fechou mais de 6 mil postos de trabalho no período de 2011 a 2015 em suas fábricas de São Caetano, São José dos Campos e Gravataí. Em nossa opinião, a GM vai fazer demissões novamente. Neste momento em que o País atravessa uma crise econômica e política, governo e patrões querem empurrar a conta para os trabalhadores. Nossa luta não é só por PLR. É também contra as demissões”, contextualiza.

Na nota, o sindicato acrescenta que com a greve e a fábrica totalmente paralisada os trabalhadores sequer têm comparecido ao portão da empresa. “Este é um movimento legal, pacífico, em que os metalúrgicos demonstram toda sua indignação contra a intransigência e ganância da GM, apesar do assédio moral que os supervisores estão fazendo sobre os trabalhadores. Esperamos que a GM deixe de lado esse endurecimento e atenda às reivindicações dos trabalhadores. Vamos reivindicar o aumento da PLR, o pagamento de todos os dias parados e estabilidade no emprego.”

Em São José dos Campos, dos 4,8 mil trabalhadores, cerca de 600 ainda estão em layoff. Eles haviam sido demitidos em agosto do ano passado, mas após 14 dias de greve, a empresa recuou da decisão (leia aqui). Em meio ao impasse das negociações desta semana na unidade, em uma outra fábrica da GM, na de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, os metalúrgicos aprovaram a proposta de R$ 4.250 para o pagamento da segunda parcela da PLR paga na sexta-feira, 22, além da primeira parcela do 13º salário que será depositada no dia 5 de fevereiro.



Tags: General Motores, GM, sindicato, metalúrgicos, greve, PLR.

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