Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Mercado | 07/01/2016 | 16h51

Nem safra recorde salvou venda de máquinas

Negócios caem 34,5% em 2015, pior resultado em sete anos

PEDRO KUTNEY, AB

O ano de safra recorde e alta produtividade no campo não foi suficiente para salvar o desempenho dos fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias instalados no País. As vendas domésticas do segmento caíram expressivos 34,5% de janeiro a dezembro na comparação com 2014, somando o total de 44,9 mil unidades. É o pior resultado em sete anos e desde 2007 o setor não vendia menos de 50 mil máquinas em um ano. “O resultado reflete a queda de confiança das pessoas, que impediu a concretização de investimentos”, justificou Ana Helena de Andrade, diretora de assuntos governamentais na América Latina da AGCO e vice-presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos.

- Veja aqui os dados da Anfavea

“Durante 2015 as questões políticas influenciaram consumidores e investidores, o que contaminou a economia. O maior exemplo dessa contaminação é justamente o setor de máquinas agrícolas, que mesmo com safra recorde e da ampla compensação de preços dos produtos pela alta do dólar não conseguiu consolidar bom desempenho”, avaliou Luiz Moan, presidente da Anfavea, durante a reunião mensal com jornalistas na quinta-feira, 7.

Ana Helena acrescenta que a queda generalizada de vendas domésticas, exportações e produção “é histórica” para o setor e seus efeitos são agravados pela grande capacidade ociosa que provoca na indústria, que fez investimentos para crescer e atender a uma demanda muito maior.

EXPORTAÇÃO E PRODUÇÃO EM QUEDA

Em 2015 as exportações de máquinas agrícolas e rodoviárias caiu igualmente expressivos 27,2% em comparação a 2014, para apenas 10 mil unidades embarcadas para outros países. Em valores, as vendas externas recuaram ainda mais, 39,2%, somando US$ 1,7 bilhão. Segundo Moan, o câmbio favorável não ajudou o setor porque houve declínio de embarques para a Argentina, principal comprador do Brasil, com impostos sobre importações do setor agrícola e taxa de câmbio dupla que atrapalharam os negócios. “Mas já sentimos melhoria neste início de ano com o destravamento do fluxo de pagamento pelo novo governo (Macri)”, destacou Ana Helena.

Com mercado interno e externo em baixa, a situação das fábricas se agravou. A produção de 55,3 mil unidades de janeiro a dezembro significou forte retração de 32,8% sobre o ano anterior. Com isso, houve fechamento de 3 mil vagas nas indústrias do setor no País, que fechou 2015 com 15,4 mil empregados, em retração de 16,7% na força de trabalho. “É o ajuste necessário à nova realidade de mercado”, afirma a vice-presidente da Anfavea.

PROJEÇÕES PARA 2016

Para 2016 a Anfavea projeta tímida recuperação do setor, tanto para as vendas domésticas quanto para as exportações e, consequentemente, produção. A estimativa é que o mercado interno vá consumir 45,8 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, em alta de 2% sobre 2015. A previsão de negócios com o exterior é de 10,7 mil unidades embarcadas, o que significará elevação de 7% sobre o ano anterior. A produção total é estimada em 56,6 mil, 2,3% maior que a registrada em 2015.



Tags: Máquinas agrícolas, máquinas rodoviárias, mercado, produção, exportação, projeção, Anfavea.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência