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Mercado | 06/01/2016 | 16h11

Importadores da Abeifa amargam queda de 36%

Com dólar nas alturas e retração econômica, vendas encolhem um terço

PEDRO KUTNEY, AB

Texto atualizado e modificado às 18h12

Os importadores de veículos ligados à Abeifa tiveram em 2015 um dos piores desempenhos históricos. Com 59.975 carros e comerciais leves importados emplacados de janeiro a dezembro, em comparação com 93.685 no ano anterior, as empresas associadas registraram queda de volume de 36%. Ou seja, o segmento encolheu cerca de um terço. A entidade atribui o tombo, bastante acima da retração média do mercado automotivo brasileiro de 25,6%, à recessão econômica e à expressiva desvalorização do real diante do dólar durante todo o ano, que tornou os importados muito mais caros.

- Veja aqui e aqui o desempenho e os emplacamentos de veículos importados vendidos pelos sócios da da Abeifa.

Segundo a Abeifa, que reúne importadoras e fabricantes de 27 marcas de veículos, o resultado de 2015 não foi surpresa e já estava previsto, tendo em vista o aprofundamento da retração das vendas divulgado mensalmente pela entidade. “Nossa queda foi mais aguda do que o resultado do mercado que já foi bastante ruim. Além de todos os fatores negativos já conhecidos, como retração do PIB, inflação de dois dígitos, desemprego e falta de confiança do consumidor, a taxa de câmbio é o principal diferencial nocivo que afeta nossos negócios, com valorização do dólar que alcança 80% em um ano”, destaca Marcel Visconde, presidente da entidade, que divulgou seus números na quarta-feira, 6.

“Com essa variação cambial passamos a maior parte do ano tentando nos proteger, não dava para agredir o mercado”, avalia Visconde. Contudo, ele entende que será muito difícil repetir números tão ruins em 2016, para quando se espera resultados menos piores. “Acho que conseguimos passar a ‘arrebentação’. É praticamente impossível que o dólar volte a se valorizar tanto este ano, a oscilação deverá ser bem menor e isso ajuda a manter os negócios. Não teremos vida fácil, mas a retração já esperada do mercado tende a ser menor do que a vista em 2015”, prevê.

Para o presidente da Abeifa o setor irá se ajustar às condições atuais, para sobreviver com vendas bem menores do que no passado. Embora não saiba precisar quantas concessionárias já foram fechadas pelos associados, Visconde calcula que o número é expressivo e em linha com o que aconteceu em todo o mercado, com o fechamento de cerca de 1 mil lojas no ano passado, segundo a Fenabrave. “Todos os agentes envolvidos na cadeia, sejam as empresas importadoras, as fabricantes e a rede de revendedores já começaram a readequar suas operações para o novo patamar do mercado, que ficou abaixo das 2.5 milhões de unidades”, diz.

Visconde não acredita em grande fuga de marcas importadas do mercado brasileiro. “Ninguém pensa no curto prazo. As empresas não vão embora após dois anos ruins porque acreditam em uma retomada no futuro, muitas delas inclusive se habilitaram no Inovar-Auto e têm compromissos a cumprir aqui”, afirma o presidente da Abeifa, prevendo estabilidade no número de associados em 2016. “Em passado recente o Brasil já pagou a conta da retração em outros mercados, agora está em declínio, mas deve se recuperar, assim como aconteceu em outros países, como nos Estados Unidos, que entrou em profunda retração anos atrás e agora voltou a pagar a conta de todo mundo”, compara.

MARCAS

Visconde concorda que as empresas que atuam no chamado segmento premium continuam a sofrer menos do que aquelas que focam nas fatias de maior volume do mercado. Contudo, ele avalia que a situação poderá piorar em 2016: “Modelos premium com preços convidativos alteraram bastante o cenário dessa faixa do mercado. Algumas marcas praticaram preços para fazer volumes e essa situação não pode ser sustentada por muito tempo. Em algum momento essa conta terá de ser paga”, diz.

De todas as 27 marcas associadas à Abeifa, considerando só as vendas de importados, apenas três registraram crescimento em 2015 contra 2014: Jaguar (+34,6%), Rolls-Royce (+150%, de duas para cinco unidades) e Volvo (+22,3%). Outras seis marcas tiveram quedas menores do que a média do mercado: Changan (-23,9%), Land Rover (-6,3%), Lifan (-6,5%), Mini (-17,8%). Porsche (-3,4%) e Suzuki (-17,2%). Todas as demais apresentaram retração acima da média de 25,6%.

Quando entram na conta os emplacamentos de carros já montados no Brasil, a BMW sai de recuo de 61% para avanço de 5,3%, porque os nacionais da marca alemã, Série 3, Série 1, X1 e X3, são os mais vendidos e substituíram boa parte das importações durante 2015, ano em que a fábrica de Araquari (SC) operou em todos os seus 12 meses e vendeu 10.203 dos quatro modelos, ou quase dois terços dos 15.852 BMW vendidos no País.

As outras duas associadas que também já têm linhas de produção brasileiras, Chery e Suzuki, também melhoram o desempenho ao somar as vendas de veículos montados aqui, mas não tiram o desempenho do campo negativo. O tombo da Chery em 2015 foi de 44% considerando 3.948 unidades importadas e seus 1.380 Celler hatch e sedã produzidos em Jacareí (SP), somando 5.328 veículos emplacados.

Já a Suzuki registrou recuo de 12,9% contabilizando 3 mil importações e 2.251 Jimny montados no País, no total de 5.259 emplacamentos – a marca japonesa em 2015 fechou sua linha de montagem em Itumbiara e se integrou à fábrica da Mitsubishi em Catalão, também em Goiás e pertencente ao mesmo grupo do empresário Eduardo Souza Ramos.

Os três associados da Abeifa que têm linhas de produção no Brasil, BMW, Chery e Suzuki, emplacaram em 2015 o total de 13.834 veículos montados no País, número incomparável com 2014, quando só a Suzuki já montava o Jimny em Goiás.



Tags: Abeifa, importações, importadores, mercado, 2015, 2016, projeção.

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