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Nissan confirma investimento para fazer Kicks
O Kicks mostrado como carro-conceito no estande da Nissan no Salão de São Paulo em 2014

Indústria | 04/01/2016 | 20h00

Nissan confirma investimento para fazer Kicks

Fábrica de Resende receberá R$ 750 milhões para produzir o SUV em 2016

PEDRO KUTNEY, AB | Do Rio de Janeiro (RJ)

Em sua já costumeira passagem pelo Brasil no início de cada ano para passar as festas com a família, o presidente da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, sempre aproveita a oportunidade para fazer algum anúncio em relação às operações no País. Desta vez ele confirmou a já amplamente aguardada produção de mais um carro na fábrica da Nissan em Resende (RJ), que após receber investimento de R$ 2,6 bilhões desde 2012 para construção da planta e fabricação do March, Versa e motores 1.0 e 1.6, terá agora nova injeção de recursos. Serão aportados R$ 750 milhões nos próximos três anos, para ampliação da capacidade industrial e introdução na linha do Kicks, SUV compacto mostrado pela primeira vez ao público brasileiro na forma de conceito no Salão do Automóvel de São Paulo de 2014.

O início da produção do Kicks em Resende abrirá o segundo turno na fábrica, com a criação de 600 novos empregos, que se somarão aos 1,5 mil funcionários já contratados. “Será um produto global, mas primeiro será produzido e vendido no Brasil”, afirmou Ghosn em seu anúncio. Ele não confirmou a data de lançamento, mas o comunicado oficial da montadora informa que o modelo “será vendido globalmente, começando por mercados da América Latina em 2016”.

Ao mesmo tempo, Ghosn destacou que a intenção é transformar já a partir deste ano a fábrica brasileira em base de exportação para países latino-americanos e que Resende, devido ao declínio das vendas domésticas no Brasil, é a única planta na região com capacidade ociosa a aproveitar. A unidade tem potencial para produzir até 200 mil veículos/ano e, segundo o executivo, deverá complementar a oferta de produtos feitos pela Nissan no México.

Para ter competitividade para isso, a meta é acelerar ao máximo a nacionalização do Kicks, que deverá nascer já com 74% de conteúdo local. A Nissan vem tentando elevar as compras de componentes nacionais em Resende: o March começou a ser produzido no Brasil há menos de dois anos com 54% de peças brasileiras e hoje chega a 68%, com meta de alcançar 80% até o fim de 2016. “Montadoras com alto índice de nacionalização sofrem menos. Com importações é difícil manter o negócio rentável. A ideia é só importar o que não tem aqui”, afirma Ghosn.

PARA GANHAR MERCADO

A Nissan aposta boa parte de suas fichas no boom de SUVs compactos no Brasil para acelerar seu ganho de participação de mercado, que de 2014 para 2015 aumentou levemente de 2,1% para 2,5% – ainda abaixo do objetivo divulgado pelo próprio Ghosn há um ano, que estimava chegar a 3% em 2015 e 5% este ano. A marca japonesa está há três anos estacionada como a nona mais vendida no País e seus dois únicos produtos nacionais, March e Versa, estão posicionados no segmento de entrada, justamente o que mais vem caindo nos últimos tempos. Os dois modelos, sozinhos, são insuficientes para levar a fabricante a atingir sua ambição de estar entre as três maiores montadoras da América Latina, algo difícil de conseguir sem aumento substancial de preferência entre os brasileiros.

“A Nissan passou bastante tempo estudando o segmento de SUVs compactos no Brasil, que cresceu 20% em 2015 na comparação com 2014. Isso acontece porque o brasileiro gosta de carros versáteis. Nós temos experiência e tradição nesse setor com modelos como o Murano, Qashqai e Juke. Os testes que fizemos com o Kicks foram muito positivos e por isso estamos muito otimistas com o produto, mesmo chegando depois dos concorrentes”, avalia Ghosn.

O Kicks foi inspirado claramente no consumidor brasileiro, por isso seu conceito foi mostrado primeiro no Brasil, em 2014, e um ano depois no Salão de Buenos Aires, na Argentina. O projeto foi liderado pelo centro global de design da Nissan no Japão, mas com a colaboração estreita dos estúdios da montadora em San Diego, nos Estados Unidos, e de seu satélite inaugurado em 2015 no Rio de Janeiro, sede da empresa no País.



Tags: Nissan, Kicks, investimento, fábrica, Resende, lançamento, Carlos Ghosn.

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