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Concorrência faz preço insustentável, diz BMW
Piñeiro: de mudança para os Estados Unidos

Mercado | 18/12/2015 | 15h40

Concorrência faz preço insustentável, diz BMW

De saída, Piñeiro relativiza perda de liderança no segmento premium

PEDRO KUTNEY, AB

Prestes a assumir novo posto na empresa nos Estados Unidos (leia aqui), após missão de três anos na presidência do BMW Group no Brasil, Arturo Piñeiro deixa o País em meio a um cenário político e econômico sombrio, com números de vendas e produção na recém-concluída fábrica brasileira de Araquari (SC) abaixo das expectativas iniciais. Para piorar, a marca perdeu a liderança de anos no segmento premium brasileiro, ficando atrás das rivais também alemãs Mercedes-Benz e Audi (leia aqui).

Mas Piñeiro relativiza a situação, que classifica de temporária e casual. “Uma série de fatores afetou essa porção do mercado este ano: o primeiro é que os concorrentes entraram no Inovar-Auto mais tarde e agora estão usufruindo de sua cota de importação (sem sobretaxação) que nós tivemos antes; outro e principal motivo é que não temos carros no segmento de entrada deste segmento, nossos preços começam em patamar mais alto (quase R$ 130 mil pela BMW Série 1 mais barata), enquanto o concorrente compra mercado com valores até abaixo de R$ 100 mil”, avalia o executivo.

Embora tenha evitado citar nominalmente a Audi e seu A3 Sedan, o comentário teve esse endereçamento lógico. Piñeiro classificou a estratégia adotada pela concorrência para ganhar clientes como “dumping”. Para ele, pratica-se preços para alguns modelos abaixo até dos vistos na Alemanha. “Não fazemos isso, porque é insustentável ao longo do tempo”, destaca. Por isso, apesar da perda da liderança em volumes, o executivo garante que a BMW segue no topo do segmento em rentabilidade. De acordo com uma classificação interna feita pelo grupo que divide o mercado premium em nove categorias, a BMW segue líder em cinco. “São categorias de lucro maior, mas volume menor, por isso saímos do primeiro lugar em 2015, mas ainda assim será o melhor ano do grupo no Brasil”, explica.

A BMW deve preencher essa lacuna de mercado onde não atua a partir do segundo semestre de 2016, quando começa a fabricar mais um modelo em Araquari: muito provavelmente o Série 2, um sedã com o mesmo porte do A3 Sedan e do Mercedes-Benz CLA. Será uma forma de ocupar mais a fábrica brasileira, que foi projetada para ter flexibilidade de produzir diversos modelos.

O grupo deve terminar 2015 com cerca de 15,3 mil carros BMW vendidos e perto de 2 mil Mini, volumes muito parecidos com os de 2014. Destes, pouco mais de 11 mil terão sido produzidos no primeiro ano inteiro de operação da fábrica de Araquari, que trabalha atualmente em um turno com 670 empregados para fazer todos os cinco modelos programados para a unidade: BMW Série 3, Série 1, X1 e X3, além do Mini Countryman, último a entrar em produção. Operando com um terço da capacidade total de 32 mil unidades/ano, Piñeiro reconhece que é um bom resultado para o primeiro aniversário da planta, mas diz que as expectativas eram mais altas e já deveriam estar trabalhando na linha catarinense cerca de 800 pessoas.

REVISÃO PARA BAIXO

Com a forte crise econômica que se instalou no País, Piñeiro afirma que não é mais possível prever quando o mercado premium no Brasil chegará à casa das 100 mil unidades, o que era previsto para 2018. “Agora ninguém mais sabe, a crise tirou o dinamismo do mercado. O segmento premium é menos afetado, mas também cai. Houve crescimento de 16% no ano, mas já em novembro aconteceu queda de 9%. Muitos de nossos clientes são empresários, nesse momento eles também têm perda de faturamento e estão demitindo, comprar um carro não é prioridade”, pondera. Ele projeta que o segmento deve fechar o ano em torno de 56 mil unidades. Para 2016, a aposta gira entre estabilidade e queda de 10%, incluindo a BMW nisso.

A esse quadro Piñeiro acrescenta o continuado aumento de preços de toda a linha, na média de 12% em janeiro próximo. Segundo ele, mesmo fabricando no Brasil os modelos mais vendidos, ainda há muita dependência de componentes importados, com custos que não param de subir com a desvalorização do real. “Continua sendo mais caro produzir aqui do que importar”, ressalta. Existe um grupo trabalhando para elevar o conteúdo local, mas muitos dos componentes ainda não são fabricados no País e nem têm escala de produção suficiente para isso, como é o caso de transmissões automáticas. O esforço é para nacionalizar peças que não exijam grande investimento dos fornecedores.

O cenário adverso congelou o plano de expansão de concessionárias, atualmente de 48 lojas. “É melhor fazer a rede se consolidar e se manter rentável nesse momento. Se precisar crescer será fácil retomar o plano, pois já temos os pontos identificados e muitos grupos interessados”, diz. “Se fala muito em volumes. É importante, mas não é tudo que se deve considerar em nosso segmento. Também é preciso garantir qualidade e imagem, com atendimento de primeira, para justificar cobrar mais pelos nosso produtos”, completa.

Ainda assim, Piñeiro garante que não há arrependimento na matriz alemã sobre o investimento de € 200 milhões para fazer carros no Brasil. Apesar da retração, em 2007 as vendas da BMW mal passavam de 2 mil unidades/ano, ou sete vezes menos do que o volume atual. “O País segue sendo um mercado importante, um dos maiores do mundo mesmo com os volumes atuais. A decisão de investir aqui não foi financeira, mas estratégica. É fundamental para a BMW estar em um mercado assim, onde a classe A sozinha supera a população de um país como a Dinamarca”, compara.

Há 21 anos trabalhando no BMW Group em diversos países, Piñeiro garante que não sente alívio em estar indo embora do País justamente quando a situação tende a piorar. “Estou feliz em assumir um novo posto nos Estados Unidos, vou morar em Manhatthan (em Nova York, onde presidirá os negócios de um grupo de concessionárias da BMW na cidade que juntas vendem algo em orno de 10 mil carros/ano), isso já estava previsto há alguns meses, mas também ficaria contente em ficar. Os próximos anos serão muito interessantes no Brasil, com bons desafios”, resume. A partir de fevereiro, o português Helder Boavida assume o posto de Piñeiro no Brasil e ficará com esse desafio.



Tags: BMW, Mini, Arturo Piñeiro, mercado, Audi, Mercedes-Benz, premium, vendas, projeção.

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