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Ford ganha terreno e projeta 2016 pior
Armstrong: ganho de market share para compensar parte da queda do mercado brasileiro

Mercado | 01/12/2015 | 19h00

Ford ganha terreno e projeta 2016 pior

Marca espera cair menos com mais lançamentos e renovação de produtos

PEDRO KUTNEY, AB

“Esperamos por um novo ano difícil, com nova queda do mercado brasileiro. Espero que talvez em 2017 o crescimento volte, mas estamos bem preparados para quando a indústria se recuperar, vamos continuar a ampliar e renovar nossa oferta de produtos, com dez lançamentos na área de caminhões e seis automóveis em 2016.” Assim Steve Armstrong, presidente da Ford América do Sul, desenha o cenário logo à frente no Brasil, com projeção de que as vendas de automóveis e comerciais leves vão novamente cair no próximo ano, para algo entre 2 milhões a 2,2 milhões de unidades, número de 8% a 16% menor do que os 2,4 milhões esperados até o fim de 2015. A expectativa para caminhões também segue ladeira abaixo: cerca de 65 mil veículos, o que significará nova baixa de quase 10% sobre os 72 mil esperados até o fechamento deste ano.

Armstrong garante que, apesar do tombo, “o Brasil segue sendo um mercado importante”. Para enfrentar o momento adverso, segundo ele a Ford já vem se preparando para ajustar a produção para baixo. Há uma semana a montadora anunciou que vai fechar o terceiro turno de sua fábrica baiana em Camaçari (leia aqui). Na planta de São Bernardo Campo (SP) será adotado em janeiro o Programa de Proteção ao Emprego (PPE) com reduções de jornadas e salários. Na unidade de motores de Taubaté (SP) a empresa segue negociando com o sindicato local uma solução para reduzir o ritmo.

A expectativa, no entanto, é compensar parte da retração esperada com a conquista de terreno, como já aconteceu este ano. “Provavelmente fazemos um trabalho melhor no ambiente desafiador. Evoluímos em toda a região (das América do Sul) apesar da queda nas vendas”, destaca Armstrong. Em 2015 a Ford aumentou em 1,3 ponto porcentual sua participação nas vendas totais, somando 10,5% de janeiro a novembro com 236,2 mil automóveis e comerciais leves emplacados no período, mantendo-se como quarta marca mais vendida do País. O número representa queda de 13,2%, percentual bem menor do que a queda geral do mercado que chega a 24% no volume acumulado de 11 meses. “Focamos na oferta de mais tecnologia de segurança e conforto e isso trouxe dividendos”, explica o executivo.

Na área de caminhões acontece movimento parecido: a Ford ganhou expressivos 4,2 pontos de participação na soma das vendas entre janeiro e novembro, retomando assim o terceiro lugar no mercado que havia perdido em 2014. Com 18,2% de market share, os emplacamentos de 12 mil unidades configuram queda de 30% sobre o mesmo período do ano passado, mas ainda assim é bem melhor do que o tombo de 46,3% do mercado. A linha de leves Série F, relançada no ano passado, fez toda a diferença para a Ford, respondendo por cerca de 18% das vendas de caminhões da marca.

ESTRATÉGIA ACERTADA

“A Ford colhe os bons resultados de ter escolhido a estratégia certa para o mercado brasileiro, oferecendo uma linha de produtos globais que alcança os desejos do consumidor”, afirma Natan Vieira, vice-presidente de marketing, vendas e serviços da Ford América do Sul. Ele destaca o desempenho do novo Ka, lançado no ano passado, que este ano se tornou o modelo 1.0 mais vendidos do País – isso se explica porque dos 83,4 mil Ka 1.0 e 1.6 emplacados de janeiro a novembro, consideráveis 37% foram vendas diretas com grandes descontos a frotistas e locadoras, quase todos versões com motor 1.0, que fazem do modelo o segundo mais comprado nesse segmento do mercado em 2015.

Para Guy Rodriguez, diretor de marketing, vendas e serviços da Ford Brasil, o momento é de comemoração diante da situação da indústria. “Conseguimos passar melhor por esse momento com a oferta de uma linha global de produtos que traz tecnologia de segurança e conforto que o cliente busca”, avalia. “Estamos na frente nesse mercado”, diz, citando algumas das inovações introduzidas nos carros da marca este ano, como a chamada de emergência em caso de acidente inaugurada no novo Ka em 2014, a disponibilidade de controle eletrônico de estabilidade (ESC) para toda a linha de modelos, assim como o sistema de frenagem automática em velocidades abaixo de 30 km/h oferecida no novo Focus lançado este ano.

Entre os seis lançamentos de carros da Ford esperados para 2016, uma das maiores novidades deve ser a introdução em boa parte da linha do motor 1.0 EcoBoost, fabricado em Camaçari (BA), que deve gerar em torno de 125 cavalos, fazendo o Fiesta primeiro e depois EcoSport e Ka entrarem na era da motorização turbinada, a exemplo do que deve fazer a maioria dos fabricantes no Brasil. Para o segundo semestre, provavelmente no Salão do Automóvel, a Ford apresentará uma versão atualizada do EcoSport, para enfrentar mais de perto os novos concorrentes do segmento como Honda HR-V e Jeep Renegade. Também está prevista uma reestilização da picape Ranger produzida na Argentina. O primeiro lançamento do ano que vem deve ser o da nova geração do SUV Edge, que vem importado do Canadá.

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Natan Vieira, vice-presidente de marketing, vendas e serviços da Ford América do Sul:



Tags: Ford, mercado, participação, projeção, previsão.

Comentários

  • Luc Henri de Ferran

    Natan, abraço do Luc. Parabéns por sua descrição. Contamos com você. Precisando de algo, podes me chamar. Luc

  • Alfonso Abrami

    Parabéns. É isso, ser mais ágil que os concorrentes. O mercado aguarda produtos eficientes e seguros, em nível/padrão internacional. Para sair desta situação vamos caminhar mais rápido para as soluções adotadas por exemplo na Europa. Porque não podemos ter um Focus 1.0 EcoBoost? O mercado aqui também mudará com gasolina a R$ 4,00. As empresas precisam parar de se esconder atrás das barreiras protecionistas. Saiam para o jogo!!!

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