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Venda de caminhões pode crescer 7% em 2016, prevê Fenabrave

Mercado | 17/11/2015 | 21h20

Venda de caminhões pode crescer 7% em 2016, prevê Fenabrave

Safra recorde tende a aquecer as compras de veículos pesados

PEDRO KUTNEY, AB

A Fenabrave tem visão mais otimista para o mercado de caminhões em 2016. Bem diferente do cenário negativo que projeta para automóveis e comerciais leves, em que prevê nova queda anual das vendas (leia aqui), a associação que representa os concessionários revendedores dos fabricantes calcula que a demanda por veículos comerciais de carga pode crescer quase 7% em relação a este ano, chegando a 75 mil unidades emplacadas. “A safra recorde de 209 milhões de toneladas deve ajudar. São 90 milhões de toneladas só de soja, que não têm silo para armazenar, precisa ser levada até o porto pelos caminhões”, justifica Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave.

Embora seja um resultado positivo após dois anos consecutivos de queda, caso se concretize a projeção da Fenabrave ainda mostra um mercado bastante deprimido em relação a anos anteriores, já que desde 2007 os volumes de caminhões vendidos no País giravam acima 100 mil unidades/ano. A interrupção desses níveis de vendas acontece justamente em 2015. A entidade estima que de janeiro a dezembro sejam emplacados 73 mil caminhões no País, o que significará expressiva retração de 46,7%.

Os números do mercado vão nessa direção. Desde janeiro até o fim da primeira quinzena de novembro, o volume de caminhões vendidos somava 64,2 mil, o que contabiliza queda de 45,3% em comparação com o mesmo período de 2014.

Nos dez primeiros dias úteis deste mês, foram emplacados 2.750 caminhões, número 10,6% inferior ao verificado no mesmo período de outubro e impressionantes 56,7% menores em relação a igual quinzena de 2014.

SAFRA E PSI

Assumpção reconhece que as taxas de juros muito baixas praticadas nos últimos anos pelo BNDES, na linha de financiamento para caminhões Finame-PSI, acabaram criando uma enorme frota subutilizada de veículos novos, comprados só para aproveitar o crédito barato. Mesmo assim, ele aposta que a safra recorde a ser colhida no primeiro semestre de 2016 vai aquecer novamente as vendas. “Foram comprados muitos caminhões novos, mas ainda existem muitos velhos rodando para serem substituídos”, avalia.

Também ajuda a concretizar negócios o recuo do governo em cancelar o PSI mais cedo este ano, estendendo na semana passada para 27 de novembro o prazo final para receber novas propostas de financiamento pela linha (leia aqui). “Muitos correram para aproveitar este último mês de PSI, isso ajudou a salvar o ano. Alguns desses negócios só serão concretizados no início de 2016” diz Assumpção.

Para o ano que vem, no entanto, não se espera por nenhuma renovação do PSI: “Não vemos nenhuma chance. O que esperamos é a continuação do Finame normal, com TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, variável), que ainda será a taxa mais barata do mercado”, prevê o presidente da Fenabrave.

Outra expectativa é a criação do esperado programa de renovação da frota de caminhões, com potencial para acrescentar 200 mil novos veículos ao mercado. “O brasil tem uma frota de cerca de 2,3 milhões de caminhões, sendo 80% deles nas mãos de autônomos com média de 24 anos de uso. Os outros 20% são de transportadoras com média de 14 anos. Essa situação não se sustenta para transportar os 90 milhões de toneladas de grãos de soja previstos para a próxima safra. A renovação é essencial”, defende Assumpção.

ÔNIBUS

Para o mercado de ônibus, as projeções da Fenabrave seguem no campo negativo. A entidade estima que 2015 fecha com 19,8 mil unidades vendidas, o que representa queda de 38% sobre 2014. Para 2016 a previsão é de 19 mil ônibus emplacados, o que significa nova retração de 4,2%.

Os números apurados na primeira quinzena de novembro mostram o emplacamento de 570 ônibus, em recuo de 10,8% sobre o mesmo período de outubro e queda de 64% em relação aos mesmos 15 dias de novembro de 2014.

De janeiro até a primeira meta de novembro, foram emplacados 18,2 mil ônibus no Brasil, número 35,4% inferior ao registrado no mesmo intervalo do ano passado.



Tags: Fenabrave, projeção, mercado, emplacamentos, caminhões, ônibus, veículos pesados, comerciais.

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