NOTÍCIAS
16/07/2015 | 18h30

Indústria

PST cresce com som e centrais multimídia

Empresa nacionaliza desenvolvimento e produção de infoentretenimento


PEDRO KUTNEY, AB

Ao renovar toda sua linha Pósitron de som e sistemas multimídia para automóveis, a PST Electronics também comemora a venda de 2 milhões de unidades desde que decidiu entrar nesse segmento, em 2009. A divisão de negócios já representa cerca de um quarto do faturamento da empresa, de R$ 500 milhões em 2014, e pouco mais de 10% da produção da fábrica de Manaus (AM), onde foram produzidos em torno de 450 mil aparelhos no ano passado. A nova família de produtos, com 12 modelos, é a primeira 100% desenvolvida e produzida no Brasil, com engenharia dedicada e processos próprios que vêm sendo instalados pela PST desde 2013 – antes disso os dispositivos eram importados semiacabados da China, com apenas 10% a 20% da montagem feita no Brasil.

“Nessa nova etapa (da divisão) passamos a ter total independência de projetos externos. Agora temos processos próprios de desenvolvimento, com engenharia dedicada, o que permite atualização constante dos produtos. E com a produção nacional podemos controlar melhor os insumos e a qualidade”, diz Nelson Godoy, gerente de varejo da Pósitron. Segundo o executivo, o nível de nacionalização dos sistemas de som, DVD, TV digital, conexão com celular e navegação feitos em Manaus vêm subindo gradativamente, inclusive como forma de compensar a alta do dólar, que tem influência direta no custo dos componentes eletrônicos importados, praticamente sem fabricação no Brasil. “Produzir aqui é uma forma de reduzir essa exposição. Controlamos os insumos e já fizemos algumas localizações importantes, como peças de plástico injetado. Mas a maioria dos eletrônicos tem de ser importada”, conta. A marca da PST é mais reconhecida pelos sistemas de segurança como alarmes e bloqueadores para automóveis, mercado que lidera no País há 15 anos, tanto no fornecimento direto às fabricantes de veículos como no pós-venda de assessórios. A incursão no segmento de som e navegação foi feita como complemento à linha de alarmes e módulos de levantamento de vidros, mas vem experimentando avanço importante. “Este ano esperamos crescer 10% em relação a 2014”, afirma Godoy.

A PST fica sediada em Campinas (SP), onde nasceu no fim dos anos 1980 de uma encubadora de empresas da Unicamp. Em 1997 a empresa se associou ao grupo norte-americano Stoneridge. A produção de todas as linhas, altamente dependentes dos componentes eletrônicos importados, está sendo transferida integralmente para a fábrica de Manaus (AM), onde é possível fazer as importações com isenções fiscais. Somente as áreas administrativas serão mantidas no interior paulista. A empresa também mantém uma pequena linha de montagem na Argentina, com o objetivo de usar o país vizinho como base de exportação para outros mercados latino-americanos.

AFTERMARKET E FABRICANTES

A entrada da PST no segmento de som automotivo foi feita pelo aftermarket. Ainda sem ter o renome de alguns gigantes do setor, como a Pioneer, a Pósitron foi a primeira marca a vender aparelhos de rádio com CD/MP3 player em blisters pendurados em gôndolas de supermercados. Para driblar a desconfiança natural dos consumidores, aposta em oferecer boa relação custo-benefício e dá dois anos de garantia em todos os produtos. Hoje a oferta vai desde aparelhos de som mais simples até centrais multimídia com tela sensível ao toque que incluem DVD, TV digital e navegação por GPS.

Mas a PST já conquistou também o fornecimento a três fabricantes de veículos, que juntos representam atualmente 15% das vendas da divisão. Duas montadoras compram para venda como acessório original nas concessionárias e uma, a Fiat, tem carros que saem de fábrica com o sistema Pósitron instalado.

O fornecimento direto à fábrica ganha importância à medida que boa parte dos fabricantes de veículos no País vem aumentando os equipamentos de série e o sistema de som está incluído na maioria dos novos modelos. Favorece o aumento dos negócios o fato de que a PST já fornece alarmes e sistemas de rastreamento originais para mais de 10 marcas de automóveis e caminhões feitos no Brasil. “Estamos em negociação constante com as montadoras, mas no Brasil o aftermarket é muito importante para o segmento de som automotivo. Quase todos que compram um carro usado também compram ao menos um rádio novo”, diz Celso Santos, diretor comercial e de marketing da PST.

NOVOS PRODUTOS

Com o desenvolvimento local, a PST acompanha com maior velocidade as principais tendências do segmento, principalmente o aumento da conectividade esperado dos novos sistemas multimídia automotivos. Toda a linha 2015 de 12 produtos, desde o rádio MP3 player mais simples em torno de R$ 100 até a central multimídia com navegador mais cara de R$ 1,6 mil, vem equipada com conexão Bluetooth, que permite a ligação sem fio com o telefone celular ou smartphone, para reprodução de músicas gravadas no aparelho, lista de contatos e conversas por viva-voz. Os aparelhos também têm entrada USB e SD Card.

“O Bluetooth é obrigatório hoje, por isso incluímos em todos os nossos aparelhos. É a nova conexão USB e a tendência é que todos os sistemas de som automotivo vão incorporar isso”, afirma Godoy. “Costumo dizer que ter telefone com viva-voz no carro é mais barato do que a primeira multa que você pode tomar por conversar ao celular e dirigir ao mesmo tempo.”

Outra tendência seguida é o espelhamento do smartphone e todos os seus aplicativos na tela da central multimídia. No caso da Pósitron a função, chamada de MirrorLink, já foi incorporada aos modelos mais sofisticados da linha 2015, assim como os sistemas operacionais CarPlay (Apple) e Android Auto, capazes de rodar 100% do conteúdo e funcionalidades dos aparelhos baseados nos sistemas IOS e Android. “Com a maior integração com o celular, nos próximos lançamentos já oferecemos centrais multimídia sem entrada para CD, que perde sua utilidade”, explica Godoy.

Comentários: 0
 

Comente essa notícia

Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de questões técnicas ou comerciais. Os comentários serão publicados após análise. É obrigatório informar nome e e-mail (que não será divulgado ao público leitor). Não são aceitos textos que contenham ofensas, palavras chulas ou digitados inteiramente em letras maiúsculas. Também serão bloqueados currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.
Seu nome*: Seu e-mail*:

QUEM É QUEM NO SETOR AUTOMOTIVO

Encontre empresas e profissionais do setor.
Confira seus perfis e biografias.

Encontre empresas e profissionais do setor.

Encontre empresas e profissionais de comunicação.

Confira seus perfis e biografias.

COLUNISTAS

ALTA RODA | 22/11/2017
Frota brasileira de 42 milhões exige controle apropriado

Esta coluna é apoiada por:

Advertisement Advertisement Advertisement Advertisement
MERCADO | 16/01/2015
Utilização do potencial só deve melhorar a partir de 2016
AUTOINFORME | 09/11/2017
Luguez firmou parceria com o governo de Ohio
COMPETITIVIDADE | 08/04/2014
Interrupção do crescimento desafia fabricantes
Novas palavras, expressões e siglas podem levantar dúvidas sobre o futuro
QUALIDADE | 03/07/2017
Rota 2030 terá missão de levar a indústria automotiva nacional até o futuro
DE CARRO POR AÍ | 17/11/2017
Chineses entregam operação brasileira à administração dos brasileiros
QUALIDADE | 23/11/2016
Empresas do setor automotivo precisam atualizar sistema de qualidade até 2018
Indústria | 01/08/2016
Declaração do presidente da FCA evidencia crise no setor de autopeças
Pressão de montadoras adia controle de estabilidade obrigatório
Tecnologia | 13/03/2015
Setor enfrentará grandes mudanças nos próximos anos
INOVAÇÃO | 25/10/2017
Indústria precisa questionar qual será o seu papel no futuro
DISTRIBUIÇÃO | 03/08/2017
Marca percorreu caminho árduo e conseguiu destronar a Toyota da 1ª posição
Tecnologia | 23/07/2015
Novas ferramentas de desenvolvimento encurtam caminho para a competitividade