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Indústria | 16/07/2015 | 16h51

VW leva tecnologia dos videogames à produção

Recurso permite avaliar em detalhes a ergonomia dos postos de trabalho

REDAÇÃO AB

A VW do Brasil inovou ao trazer para o setor automobilístico a tecnologia dos videogames. A “Fábrica Digital” da montadora utiliza esse recurso para garantir a ergonomia de novos postos de trabalho e aprimorar as tarefas já executadas. O recurso permite avaliar em detalhes a ergonomia dos postos da produção.

Durante as análises, um colaborador simula o mesmo movimento necessário no processo produtivo. Com uma câmera são captadas as imagens do operador em movimento. A tecnologia permite que os especialistas avaliem se os movimentos são ergonômicos.

Uma das principais vantagens é a praticidade de uso dessa tecnologia, cujo aparelho é transportado e montado facilmente, permitindo simulações rápidas.

A Volkswagen atribui o emprego dessa tecnologia à equipe brasileira de engenharia de manufatura. “‘A Fábrica Digital’ é um dos grandes exemplos de inovação da VW do Brasil. A tecnologia permite avaliar a ergonomia para aperfeiçoá-la ainda mais (...) Aplicada com pioneirismo em 2008, a tecnologia da Fábrica Digital é utilizada por todas as marcas do Grupo Volkswagen”, afirmou o diretor de engenharia de manufatura Celso Placeres.

COMO É FEITA A ANÁLISE

Segundo a Volkswagen, as imagens do trabalhador são captadas e reproduzidas na tela do computador, já inseridas em uma cena virtual que simboliza a produção automobilística e reflete a realidade do ambiente de produção da empresa, inclusive com a linha de montagem e o veículo. Em seguida são informados aos softwares características da atividade como o peso da peça que está sendo manipulada, quantas vezes o operador repetirá o movimento por dia, seu campo de visão e postura. Com base nesses dados, os softwares analisam como pode ser aprimorada ainda mais a ergonomia do posto de trabalho.

Os softwares utilizam como base características comuns da população. “Apesar desse fator, os ergonomistas podem incluir dados antropométricos dos próprios empregados. Dessa forma, a simulação também permite indicar quais são as alturas mínima e máxima para cada posto de trabalho, de forma que os processos atendam a maioria dos colaboradores. Outro ponto que contribui com a qualidade da simulação é que se trata de uma pessoa fazendo um movimento real, dentro das possibilidades e limitações humanas. Na simulação, o ergonomista consegue avaliar detalhes da interação do homem com o processo produtivo e com as máquinas”, afirma o responsável pela área de ergonomia corporativa da Volkswagen do Brasil, Rodrigo Filus.

A agilidade é outro ganho importante propiciado pela tecnologia de análise da ergonomia. Antes, a mesma cena do processo produtivo levaria cerca de três horas para ser montada manualmente no computador, com uso de personagens virtuais.

Um exemplo de resultado dos estudos de simulação de ergonomia é o equipamento Raku-raku, utilizado na montagem final da VW do Brasil. Trata-se de uma cadeira ajustada e apoiada em um suporte móvel que “carrega” o operário para dentro do veículo, para que ele possa montar as peças internas sem precisar fazer esforços para se movimentar.

ECONOMIA DE R$ 93 MILHÕES

A simulação dos processos produtivos antes da implantação permitiu que a empresa evitasse erros que demandassem correções posteriores. Ao somar apenas cinco cases recentes de sucesso, adotados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2013, a fabricante evitou o gasto de R$ 93 milhões. Esses cinco cases são:

- ampliação da fábrica de motores de São Carlos, para receber a produção da nova família de motores EA211;
- construção da nova seção de pintura de Taubaté (SP). A área teve 296 possíveis interferências detectadas durante as simulações feitas pela “Fábrica Digital”;
- nova Prensa PXL da unidade de Taubaté, que possibilita usar uma ferramenta para estampar simultaneamente quatro portas do Up!;
- armação da fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo, na qual a simulação auxiliou nos trabalhos de flexibilidade, permitindo que área esteja apta a produzir vários modelos;
- estamparia da fábrica Anchieta, que substituiu mãos mecânicas por robôs.

Ainda de acordo com a Volkswagen, as simulações da “Fábrica Digital” resultam na possibilidade de identificar futuras interferências na produção (em 100% dos casos); na otimização do fluxo produtivo (em até 80%); na melhoria do fluxo logístico (em até 70%); na redução do tempo de planejamento (em até 30%); na redução de insumos (em até 30%); e na diminuição de custos de fabricação (em até 20% dos casos).



Tags: VW, Volkswagen, Fábrica Digital, ergonomia, Celso Placeres, Rodrigo Filus, Raku-raku, EA 211, Up!.

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