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Mercado | 03/06/2015 | 19h03

FPT Industrial busca alternativas para driblar crise

Com previsão de queda de 10%, foco será em novas aplicações e clientes

SUELI REIS, AB

O maior desafio para o novo presidente da FPT Industrial para a América Latina, Marco Rangel, será justamente o de fazer crescer a atuação da fabricante de motores em um cenário de mercado em queda livre no Brasil, principalmente nos segmentos de veículos comerciais pesados e de off-road, como máquinas agrícolas e de construção, seus setores-chave de atuação. O executivo, que acaba de assumir o cargo (leia aqui) aposta na consolidação da marca para conduzi-la no difícil contexto regional e destaca a vantagem de sua independência para fornecer tanto para as empresas do Grupo CNH Industrial, a quem ela pertence, quanto para clientes fora do grupo.

“Somos o segundo maior produtor de motores na região em termos de volume e inovação é o maior valor que nós temos. O nosso foco neste momento desafiador está relacionado com a ampliação da capacidade de desenvolvimento em novas aplicações: adequar os produtos existentes no portfólio para atender novas demandas e necessidades dos mercados latino-americanos”, disse Rangel durante seu primeiro encontro com a imprensa especializada na quarta-feira, 3, em São Paulo.

Segundo o executivo, com a baixa das vendas de veículos, a FPT Industrial não pretende, por enquanto, investir em aumento da capacidade. “Neste contexto, estamos trabalhando com uma queda de 10% das vendas neste ano: em 2014 produzimos 60 mil motores, dos quais 60% foram para veículos comerciais. Neste ano, o volume deve chegar a 54 mil unidades”, projeta.

ENCONTRANDO CAMINHOS

Focar em outras aplicações e prospectar novos clientes é a maneira que a empresa encontrou para atravessar a crise instalada na indústria. Na América Latina, 80% dos negócios da empresa ainda são focados em clientes do Grupo CNH, como Case, Iveco e New Holland, enquanto apenas 7% são destinados a clientes fora do grupo, diferente do contexto global, no qual 47% das vendas são para empresas fora do Grupo CNH.

No Brasil, a preocupação é generalizada: “O segmento de motores para geração de energia é o único mercado que demonstrou algum crescimento, pelo menos no primeiro trimestre deste ano, mas já aparenta dar sinais de arrefecimento, uma vez que a questão de energia está em parte aliviada com o retorno das chuvas. Por outro lado, todos os demais segmentos – automotivo, agrícola, de construção – estão em tendência de queda, um cenário de contração que não é exclusivo do Brasil, é mundial”, aponta.

Para veículos comerciais – caminhões e ônibus – Rangel é incapaz de cravar um índice, mas afirma que “potencialmente, o mercado de caminhões pode ficar abaixo das 100 mil unidades, com situação mais grave para os pesados, cuja queda verificada até agora é de 69%.”.

Em sua avaliação, até três anos atrás, quando o mercado gozava do bom momento de veículos comerciais, incentivados por medidas governamentais, o empresário soube aproveitar o que para ele, era mais uma oportunidade do que antecipação de compra. “Aproveitou quem pode comprar e renovar sua frota com juros subsidiados. Tenho exemplo de um cliente cuja a idade média de sua frota não passava de 2,5 anos. Seguramente, ele me disse recentemente: ‘posso deixar essa média crescer para 3 ou 4 anos, sem problemas’, exatamente porque o cenário não é propício. No curto prazo, não vejo um cenário positivo, é difícil uma recuperação”, disse em tom de alerta.

No segmento agrícola, que representa 25% dos negócios no País, ele sustenta uma expectativa de pequena chance de recuperação, com alguma antecipação de compra para a próxima safra. “Aqui temos uma sazonalidade interessante, mas desde que mantidas as intenções prévias de investimento, vislumbramos alguma melhora”. Já para o mercado de construção, o executivo prevê uma queda geral em torno de 35%.

Para os demais países da região, a empresa verifica potencial no mercado off-road, além de projetos pontuais, como a chegada de motores Euro 5 para a Argentina, prevista para 2016, e o Euro 4 na Colômbia.

AJUSTES EM FÁBRICAS E PLANO DE PÓS-VENDA

Ele explica que nos últimos três anos, a companhia fez investimentos pontuais nas duas unidades que mantém na região, a de Sete Lagoas (MG) e a de Córdoba (Argentina), para modernização, que, segundo ele, são capazes de atender a demanda prevista para a América Latina nos próximos cinco anos.

Na planta brasileira, foram incluídos processos semiautomatizados na linha de motores leves, onde ainda existem métodos manuais, e aumentou significativamente o nível de automatização na linha de média, que fabrica os motores NEF. Já na fábrica argentina, investiu em usinagem e introduziu a plataforma para os motores NEF.

“Isso nos dará fôlego para aumentar a produtividade e acelerar o processo de desenvolvimento de outras aplicações dentro da gama de motores que temos, desde os de 100 cv de potência até os de 500 cv”, afirma.

Apesar do aumento da automatização em suas unidades, a FPT Industrial, assim como outras empresas do setor, estão adequando seu volume de produção ante demanda fraca. Rangel conta que mesmo antes de chegar a empresa, em meados de maio, a unidade de Sete Lagoas já passava por ajustes de custos e gastos, bem como no ritmo e cadenciamento da produção. “Foram tomadas diversas medidas para evitar o impacto principalmente na força de trabalho humano”, comentou.

O plano de fazer crescer a atuação da empresa em mais segmentos a partir de novas aplicações de motores também contempla o pós-venda, a partir da estratégia de criar condições para atender clientes multimarcas. “Estamos com um projeto, ainda em refinamento, para 50 novos pontos de atendimento na região nos próximos cinco anos. Depende da evolução deste processo, mas podemos sim chegar a ter uma rede com bandeira própria, uma vez que estamos inseridos na rede CNH, que hoje conta com 5213 pontos espalhados por toda a América do Sul”.

Assista a entrevista exclusiva de Marco Rangel a WebTV:



Tags: FPT Industrial, vendas, mercado, negócios, motores, CNH Industrial, Marco Rangel.

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