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Indústria | 07/05/2015 | 16h30

Produção de veículos cai e estoque chega a 50 dias

Anfavea sustenta projeção de volume 13% menor para 2015

GIOVANNA RIATO, AB

Abril foi o sexto mês consecutivo de queda na produção de veículos na comparação anual. Com 217 mil unidades produzidas entre modelos leves e pesados houve expressiva retração de 21,7% sobre o mesmo mês de 2014. Na comparação com março a baixa foi um pouco mais leve, de 14,5%. Os dados da Anfavea, associação que representa os fabricantes do setor, foram divulgados na quinta-feira, 7. No acumulado do ano foram feitos 881,7 mil veículos, com baixa de 17,5% sobre os primeiros quatro meses do ano passado.

-Veja aqui as estatísticas da Anfavea

A forte queda na produção no primeiro quadrimestre foi puxada pelo segmento de caminhões, que reduziu em 45,2% o ritmo no período para 30,1 mil unidades. A fabricação de ônibus também teve queda expressiva, de 26,6%, para 9,7 mil chassis. Já as linhas de montagem de veículos leves reduziram em 15,8% as atividades na comparação com janeiro a abril do ano passado. Foram feitos 841,8 mil automóveis e comerciais leves no período.

O tombo provocou nova subida no já elevado nível de estoques. Foram adicionados 6,8 mil carros aos pátios das fábricas e concessionárias, totalizando 367,2 mil unidades armazenadas. O volume é o suficiente para 50 dias de vendas, um a mais do que o apontado na estatística de março. “Admito que os estoques ainda estão bastante altos. A tendência é de que sejam feitos novos anúncios de férias coletivas, layoffs e outras medidas para adequar o nível de produção à demanda do mercado”, prevê Luiz Moan, presidente da Anfavea.

Em abril houve mais uma sensível redução no número de trabalhadores atuantes nas montadoras, de 0,9% para 139,5 mil pessoas. No acumulado do ano, no entanto, a diminuição do quadro de funcionários é expressiva, de 9,5% na comparação com os primeiros quatro meses de 2014. Foram cortadas 14,6 mil vagas da indústria automotiva nos últimos 12 meses considerando apenas as fabricantes de veículos.

Apesar de reconhecer que não há perspectiva de que o ritmo das fábricas tenha aceleração expressiva nos próximos meses, Moan assegura que a indústria concentra esforços na manutenção dos empregos. “Mesmo com excedente de pessoal as empresas querem preservar ao máximo seus funcionários, que são treinados e qualificados”, aponta. Como medida nesta direção a Anfavea negocia com o governo a implementação do Plano de Proteção ao Emprego (PPE), capaz de flexibilizar algumas regras e encargos para que as empresas consigam manter os trabalhadores mesmo em períodos de crise.

Uma das sugestões é aumentar o período permitido para a suspensão temporária de contratos de trabalho, os layoffs, que têm sido amplamente adotado pelas montadoras recentemente. Hoje o afastamento máximo é de cinco meses.

EXPECTATIVAS

Moan tenta amenizar o cenário para os próximos meses, apesar de não haver por enquanto nenhuma perspectiva de melhora da demanda e, consequentemente, da produção de carros. Ele espera que o governo conclua logo a fase de anúncio das medidas de ajuste fiscal. “O importante é esclarecer as regras do jogo e passar tranquilidade ao mercado, para que os setores recuperem a confiança”, analisa . Dessa forma, na visão dele, o mercado poderá paulatinamente voltar a um patamar mais saudável de vendas.

Paralelamente o executivo aposta na melhora do nível de exportações com o estabelecimento de novos acordos comerciais internacionais e com o fortalecimento de parcerias já existentes. O dirigente aguarda que seja aprovado ainda no primeiro semestre o Plano Nacional de Exportações, programa do governo que pretende tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional baseado em três pilares: novos acordos internacionais, financiamento às exportações, seguro às vendas externas.

Mesmo diante da complicação do cenário, a Anfavea sustenta as projeções anunciadas no início de março. Na análise da entidade a produção de veículos ficará 10% menor em 2015 na comparação com o ano passado, com a montagem local de 2,8 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Para convergir para este volume a indústria deve acelerar o ritmo nos próximos meses e manter média mensal de pelo menos 243,8 mil veículos até dezembro deste ano. O nível é elevado na comparação com o registrado no início 2015. De janeiro a abril a indústria local fez, em média, 220,4 mil carros por mês.

Moan reconhece que o mercado brasileiro “dificilmente voltará a registrar o crescimento de dois dígitos” anotado há poucos anos. Ainda assim, ele acredita que as empresas que investiram no País recentemente terão o retorno que procuram. “Estudo da Anfavea sobre o cenário para 2034 mostra que devemos atingir o patamar de 7 milhões de unidades por ano”, enfatiza. Segundo ele, é este panorama que as montadoras que decidiram produzir ou ampliar fábricas locais tinham em mente quando decidiram vir para cá.

Assista à entrevista exclusiva com Luiz Moan, presidente da Anfavea:



Tags: produção, veículos, Anfavea, indústria, fábrica, emprego, montadoras.

Comentários

  • Mário Tanno

    As vendas nãoestão boas, por que então não abaixar os preços dos carros que é tão caro no Brasil, muito se fala que é por culpa do governo, mas os empresários também querem ganhar muito, por isso não estão conseguindo vender. Eu fui comprar um cruse em Setembro, carro custava 62.000, só não deu certo por desvalorizarem muito o meu carro,hoje o carro custa 72,000, 10,000 a mais só por que mudou o modelo, nada muito expressivo par justificar esse valor.

  • Rodrigo

    Concordo plenamente com a opinião anterior sobre o motivo das quedas nas vendas, qual seja, ASSALTO AO MERCADO AUTOMOTIVO BRASILEIRO! Por exemplo, adquiri um Chevrolet Cobalt LT Prata ano-modelo 2014 em julho de 2014; paguei R$ 39.490,00, porém hoje este mesmo carro custa R$ 53.000,00. Poxa já está hora das montadoras e o mercado como um todo perceber que enquanto adotarem esta política exploratória de preços no Brasil, as vendas caíram ainda mais, pois já disse Abraham Lincoln “Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...”

  • Adriano Santos

    Muito se fala de margens exorbitantes das montadoras...mas o fato é que hj não se tem escala de nenhum produto.... a maioria dos veiculos custam caro por parte do baixo volume vendido aqui.... os investimentos são diluidos em volumes cada vez menores, o fato é o que o Brasil ja deveria estar fabricando algo próximo de 5 Mi de veiculos por ano...em especial pelo numero de fabricantes e perspectivas do passado recente, mas infelizmente produzimos 2.8 Mi em 2014 e ja fomos ultrapassados pelo Mexico 3.2 Mi... Governo onera muito e não se consegue crescer volumes !

  • Leandro

    A indústria automotiva mantém a estratégia de impor ao governo medidas paliativas como os layoffs e outros benefícios tributários para manter a lucratividade do veículo vendido no Brasil, que é estratosférica. O lucro do veículo vendido no Brasil é o maior do mundo. Busca manter ao máximo a força de trabalho mais qualificada, que custa caro para ser treinada, as custas de uma aliviada por parte do governo aqui e ali. Ela (a indústria) sabe que logo ali ocorre um reaquecimento das vendas e volta a ter o lucro do qual não vai abrir mão agora. Quem banca a conta é o governo, financiado pelo contribuinte que paga a conta duas vezes. Então prezado consumidor de carro zero (me incluo), fique mais tempo com o seu carro seminovo, o dobro do tempo que vç está pensando. Só aí a estratégia da indústria terá que ser outra.

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