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Mercado em queda, novatos em alta

Indústria | 06/04/2015 | 22h21

Mercado em queda, novatos em alta

Novos fabricantes mantêm previsões de crescimento em cenário adverso

POR GUSTAVO HENRIQUE RUFFO, PARA AB, E PEDRO KUTNEY, AB

Como a indústria automobilística tem ciclos longos, como reagem os novos empreendimentos diante de um cenário de retração econômica, dólar em alta e instabilidade política? Depende de quem está empreendendo, conforme ficou claro com os depoimentos dos executivos do painel “A evolução dos empreendimentos”, que encerrou o VI Fórum da Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 6, em São Paulo. Boa parte das novas fábricas mantém previsão de crescimento, ainda que o mercado tenha perspectiva inversa, de queda.

Nissan e Toyota, por exemplo, falam em crescimento acima de 10% para 2015. A BMW, confiante no crescimento do mercado premium, também espera ampliação de mercado, especialmente quando sua fábrica de Araquari (SC) estiver em plena operação, até o fim deste ano. Tudo em um cenário de estimativa de queda de 10% a 15% no total de vendas, com apostas entre 2,7 milhões e 2,9 milhões de veículos leves novos vendidos este ano.

Na avaliação de Vitor Klizas, diretor geral da consultoria IHS Automotive, apesar do cenário de contração de vendas, é preciso lembrar que o Brasil continua a ser um dos maiores mercados automotivos do mundo e isso justifica os investimentos, mesmo que no curto prazo as novas fábricas provoquem excesso de capacidade que já encosta nos 50% este ano. As projeções da IHS consideram a volta do crescimento das vendas de veículos no País a partir de 2016, mas ainda em ritmo tímido, em torno de 2%. "O mercado brasileiro só deve voltar a superar 3,7 milhões de unidades depois de 2018", projeta.

A Chery, que começou a produzir este ano em Jacareí (SP), é a única chinesa que efetivamente concretizou a promessa de fábrica no País até o momento, mas também é a primeira das novatas a enfrentar uma greve, deflagrada hoje. “Passei a manhã sobre este problema, mas era mais do que previsível. Tínhamos certeza de que, quando começássemos a produzir, o sindicato tentaria mostrar que sabe bater. Só lamentamos o momento, que é delicado para quem está se implantando, como nós. Não dá para atender a tudo que o sindicato pede. Esse é um momento em que precisamos de entendimento”, disse Luis Cury, vice-presidente da Chery Brasil.

A greve já havia paralisado, há uma semana, a fabricação de motores. “Foi parte da estratégia do sindicato impedir a entrega de um item essencial à fabricação do Celer”, apontou Cury. Mas esse não é o único problema que a chinesa enfrenta. “A desvalorização do real diante do dólar nos prejudicou enormemente. Nós prevíamos ter de atingir uma nacionalização de componentes de 70% em cerca de dois anos, mas o câmbio obrigou essa nacionalização a acontecer agora para que nos mantenhamos competitivos. Hoje essa é a prioridade número um”, destacou.

Foi a alta do dólar, por exemplo, que impede a chegada da nova geração do QQ ainda neste semestre. “A necessidade de aumentar a taxa de nacionalização dos carros vai atrasá-lo”, diz Cury, prevendo o lançamento para depois de setembro.

CRISE

A grande queixa dos executivos, mais do que o aumento do dólar, é a volatilidade da moeda. “Não saber com que taxa trabalhar é o que mais atrapalha”, diz Cury. Luiz Carlos Andrade Júnior, vice-presidente executivo da Toyota, complementa: “Até podemos ter uma boa taxa de nacionalização, mas isso não ajuda nada se os nossos fornecedores estiverem suscetíveis a essa volatilidade.”

A maior nacionalização também está nos planos do Grupo Caoa, que monta veículos Hyundai em Anápolis (GO), incluindo o minicaminhão HR e os SUVs Tucson e ix35. No segundo semestre está prevista a volta da produção do caminhão médio HD, desta vez com maior conteúdo nacional, incluindo o motor comprado no Brasil da FPT, o que vai garantir mais de 60% de itens nacionais em peso e valor, o suficiente para habilitar ao financiamento com taxas atrativas do BNDES Finame. “Já temos um índice médio de nacionalização de 62% nos veículos que fazemos em Anápolis e conversamos com fornecedores para aumentar esse porcentual”, informa Antonio Maciel Neto, presidente do Grupo Caoa.

Apesar de não ter nenhum novo projeto em vista para a fábrica goiana, Maciel afirma que ainda há bastante espaço para crescer ali. “Temos capacidade para produzir até 80 mil unidades por ano em dois turnos, mas estamos produzindo cerca da metade disso em um turno. É possível avançar mais, é o que queremos”, disse, explicando que os contratos de produção com a Hyundai são feitos carro a carro.

As exportações, apontadas como tábua de salvação, especialmente agora com o real depreciado, não são uma solução tão simples. “É preciso ter produtos pensados para os mercados a atingir, coisa de médio a longo prazo”, diz Ronaldo Znidarsis, vice-presidente de vendas e marketing da Nissan. “Se eu pudesse pedir algo ao governo, seria para que ele estabeleça novos acordos comerciais com parceiros relevantes, a fim de incentivar as exportações”, diz Arturo Piñeiro, presidente da BMW do Brasil.



Tags: VI Fórum da Indústria Automobilística, novos empreendimentos, Caoa, Toyota, Nissan, BMW.

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