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Produção de motores da Cummins deve diminuir 16,8%

Autopeças | 23/03/2015 | 18h04

Produção de motores da Cummins deve diminuir 16,8%

Companhia projeta mercado de 117 mil caminhões em 2015

GIOVANNA RIATO, AB

A Cummins, fabricante independente de motores, traça projeções pouco animadoras para os negócios este ano. A companhia espera que sua produção de propulsores acumule retração de 16,8% na comparação com 2014, com a fabricação de 45 mil unidades na planta de Guarulhos (SP). A expectativa foi anunciada por Luis Afonso Pasquotto, presidente da companhia para a América do Sul, durante encontro com a imprensa em São Paulo (SP) na segunda-feira,23.

O executivo admite que o mercado brasileiro decepcionou no início de 2015. “Infelizmente não temos clareza de que haverá recuperação em breve. Mas mantemos a esperança: pior do que está não dá para ficar”, avalia o dirigente da fabricante. Ele defende que o fundo do poço já foi atingido e que a tendência é de que as coisas se estabilizem e apresentem leve melhora, ainda que distantes de voltar ao patamar registrado há alguns anos.

A expectativa de queda no Brasil contrasta com a projeção global da companhia, que aposta em crescimento do 2% a 4% sobre o faturamento recorde do ano passado, quando os negócios da empresa somaram US$ 19,2 bilhões. A expansão deve ser puxada pela retomada da demanda nos Estados Unidos, que responde por mais de 56% das receitas da empresa. “Esta é a vantagem de ser uma companhia global. Conseguimos equilíbrio no resultado mesmo quando algumas regiões não estão bem”, avalia o dirigente.

Pasquotto acredita que os negócios tímidos no Brasil refletem quedas importantes nas vendas de veículos pesados. Na visão do executivo, os caminhões devem acumular em 2015 retração de cerca de 13%, para o máximo de 117 mil unidades. O executivo sinaliza que, com a retração da economia, parte da frota brasileira está subutilizada e, por conta disso, há pouco interesse em adquirir novos veículos. A situação afeta até mesmo a área de aftermarket, que tradicionalmente é a saída para que as empresas estanquem a queda no faturamento em períodos de crise.

Já a demanda por ônibus tende a diminuir 8% na estimativa da Cummins, para em torno de 25 mil chassis. “Os programas governamentais, como Caminho da Escola, arrefeceram”, lembra o executivo. Diante do enfraquecimento das vendas, a utilização da capacidade instalada na fábrica de motores brasileira da companhia está em apenas 40%. Desde o ano passado a empresa adota medidas para adequar a produção ao novo ritmo do mercado.

A primeira iniciativa, ainda em 2014, foi enxugar o quadro de funcionários. Foram fechadas 145 vagas na linha de montagem. Para este ano estão previstos 13 dias de interrupção na produção: cinco emendas de feriados somados a oito sextas-feiras com a fábrica parada. Pasquotto espera que as medidas bastem para evitar excesso de produção, mas admite que outras iniciativas podem ser necessárias se a queda do mercado se aprofundar nos próximos meses.

A empresa espera amenizar a queda nos negócios da divisão de motores com a evolução das vendas de outras áreas. Uma delas é a de geração de energia, que registrou expansão em 2014 para 4 mil unidades produzidas e tem crescimento de 10% esperado para este ano. Outro negócio promissor está no aftermarket, que incluí não só o segmento de motores, mas outras divisões da empresa, como componentes. Outra aposta é o segmento de fora de estrada, que passa a contar com legislação de emissões a partir deste ano, regulação que exigirá a adoção de novas tecnologias.

INVESTIMENTOS E NACIONALIZAÇÃO

Apesar do cenário negativo, a Cummins enfatiza que trabalha continuamente solidificar sua liderança de mercado e fortalecer presença na América do Sul. A companhia investe na nacionalização de dois motores de uma mesma família. No segundo semestre deste ano começa a sair da linha de montagem nacional o ISF 3.8, com projeção de produção de 15 mil unidades. O propulsor é voltado para picapes e caminhões leves e equipa modelos como Ford Série F.

Em 2016 começa a ser feito na planta de Guarulhos o ISF 2.8, que atenderá caminhões da Foton, JAC e o Agrale Marruá. O projeto de produzir localmente os propulsores atende à demanda por mais conteúdo local nos veículos e também protege as empresas da valorização acelerada do dólar.

A companhia também mantém o programa de investimentos. São US$ 50 milhões anunciados para fazer melhorias nas instalações da fábrica de Guarulhos. O programa foi anunciado em 2011 e vai até 2016. Adicionalmente há ainda aportes anuais. Em 2014 foram aplicados US$ 34,7 milhões. Para este ano está previsto investimento de US$ 48 milhões. O montante é destinado à construção de salas de testes e também ao programa de nacionalização dos motores da família ISF.

A empresa também pretende adequar a planta paulista para elevar a produção da divisão de geradores de energia. O plano inicial, anunciado em 2011, era construir nova planta em Itatiba para acompanhar o aumento da demanda. O projeto, no entanto, foi cancelado no ano passado. “Já que o cenário mudou e temos agora espaço na fábrica de Guarulhos, que está produzindo menos motores, decidimos manter tudo ali”, explica o executivo.

Assista à entrevista exclusiva com Luiz Afonso Pasquotto, presidente da Cummins América do Sul:



Tags: Cummins, motores, vendas, investimento, autopeças.

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