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Financiamento de veículos ensaia reação

Crédito | 27/01/2015 | 20h28

Financiamento de veículos ensaia reação

Novas concessões para compra de carros crescem 25% no fim de 2014

PEDRO KUTNEY, AB

Após um ano em que os bancos chegaram a recusar cerca de 70% dos pedidos de financiamentos para compra de veículos, houve expressiva reação nas concessões de crédito do segmento no fim de 2014, que acompanharam o aquecimento da vendas de carros novos e usados. Em dezembro, pela primeira vez em cerca de três anos os novos contratos superaram a marca de R$ 10 bilhões em um mês; foram concedidos R$ 10,1 bilhões, um salto de 24,4% sobre novembro, ou quase R$ 2 bilhões a mais no intervalo de 30 dias. Os números fechados da movimentação de crédito do ano foram divulgados na terça-feira, 27, pelo Banco Central.

Graças ao bom desempenho de dezembro, o volume de novas concessões de financiamentos para compra de carros (novos e usados) fechou o ano com crescimento de 2,3% sobre 2013, totalizando R$ 95,4 bilhões em 2014 inteiro, contra quase R$ 93 bilhões um ano antes. Para se ter ideia da rápida recuperação ocorrida no último mês do ano, os novos contratos nos 11 meses anteriores nunca ultrapassaram os R$ 9 bilhões, indo do pior resultado de R$ 6,6 bilhões em março ao máximo de R$ 8,6 bilhões em outubro.

INADIMPLÊNCIA EM BAIXA

O movimento de reação do crédito no setor de veículos no fim de 2014 já pode ser reflexo da aprovação da legislação que permite a retomada extrajudicial do bem de clientes inadimplentes, tornando mais rápida a recuperação da garantia, que antes podia levar dois anos com índice baixo de sucesso. Mais importante que isso, além da perspectiva positiva trazida pela nova legislação, após cerca de dois anos de maior seletividade nas aprovações de empréstimos os bancos conseguiram limpar suas carteiras e assim já houve substancial redução da inadimplência.

Em dezembro os atrasos de pagamentos superiores a 90 dias, que formalizam a inadimplência, foram de apenas 3,9% do universo total de contratos ativos, contra 5,2% um ano antes e 6,4% dois anos antes. Os atrasos entre 15 e 90 dias, que indicam a inadimplência futura, também mostram queda constante: foram de 6,7% da carteira de veículos no último mês de 2014, em comparação a 7,7% em dezembro de 2013 e 8,4% ao término de 2012. Com as carteiras bem mais limpas da inadimplência e legislação favorável à retomada do bem os bancos puderam voltar a financiar com maior vigor as vendas de carros.

Essa “limpeza” na inadimplência também é notada no saldo da carteira de veículos, que fechou 2014 com R$ 184,2 bilhões em contratos ativos, cifra que encolheu R$ 8,6 bilhões, ou 4,4%, em relação ao estoque de R$ 192,8 bilhões verificado em dezembro de 2013. Portanto, houve maior valor de quitações do que de concessão de novos empréstimos.

Outro dado positivo, provavelmente também provocado pela redução da inadimplência e do risco, é que os sucessivos aumentos da taxa básica de juros (Selic) promovidos pelo BC para conter a inflação, ao menos até agora, não se refletiram em grandes aumentos de custos ao consumidor nos financiamentos de veículos. A taxa anual média praticada pelos bancos ficou estabilizada ao longo dos últimos 12 meses e terminou o ano em 22,3%, um ponto porcentual acima dos 21,3% a.a. de dezembro de 2013, mas ligeiramente menor ao verificado no início do ano (22,7%) e 0,9 ponto porcentual abaixo da maior alta de 2014, de 23,2% em agosto.

PERSPECTIVA

Apesar da maior propensão à aprovação de fichas, o desempenho das concessões de crédito para aquisição de carros nos próximos meses não deve repetir o bom resultado de dezembro. Existe a perspectiva de redução de vendas de automóveis devido ao cenário econômico desfavorável, com possíveis novos aumentos de juros no horizonte, o que encarece os financiamentos.



Tags: Crédito, financiamento, empréstimo, mercado, Banco Central.

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