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Autopeças | 15/01/2015 | 18h25

Master suaviza crise com gestão eficiente

Fabricante de freios para caminhões ganha Prêmio Nacional da Qualidade

PEDRO KUTNEY, AB

Ao ser escolhida entre as seis empresas, das 22 inscritas, que ganharam em 2014 o Prêmio Nacional da Qualidade, a Master demonstrou como conseguiu atravessar a retração do mercado de veículos pesados com danos menores. “As vendas caíram 20%, mas com a adoção do Modelo de Excelência da Gestão (MEG) os problemas são detectados antes e as ações corretivas são mais rápidas, por isso nossos resultados ficaram acima do que seria o normal para o período difícil”, explica Ailton Alves, diretor industrial da fabricante de sistemas de freios para caminhões, ônibus e carretas, fruto da associação do grupo Randon (51%) com a Meritor (49%). “Não foi um ano perdido para nós. Conseguimos solidificar melhor o caminho para 2015, que não deverá ser muito diferente do ano passado”, acrescenta o executivo.

A Master foi premiada pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), organização difusora dos princípios do MEG no País, justamente por ter conseguido adotar o modelo em toda sua amplitude, que envolve fatores como estratégia, liderança, clientes, processos, pessoas, resultados e conhecimento. Alves chegou à empresa em Caxias do Sul (RS) há cerca de seis meses, vindo da TRW, mas rapidamente integrou-se ao conceito de gestão aprimorada que a Master adota há mais de uma década. “Essa é justamente uma das maiores vantagens do MEG: o engajamento de todos os colaboradores na busca de metas que também são estabelecidas em conjunto. Não são objetivos impostos, mas construídos por todos, assim fica mais fácil de atingir”, destaca.

Os resultados da adoção do MEG podem ser medidos ao longo dos últimos 10 anos, período em que a produção de sistemas de freios cresceu 65% e a Master ampliou em dois pontos porcentuais, para 53%, a liderança de mercado em seu segmento de atuação. Esses ganhos foram obtidos mesmo em um mercado absolutamente volátil, com variações em torno de 30% para cima ou para baixo desde 2007. “Só a gestão muito eficaz pode lidar com tamanhas variações”, ressalta Alves.

GANHOS E INVESTIMENTOS

Os ganhos vêm sendo obtido com grandes saltos de produtividade, como a redução de 90% no índice de problemas por milhão de itens produzidos (ppm), que terminou 2014 em 27, após 10 anos de melhorias contínuas. No mesmo período, também houve diminuição de 76% nos indicadores de garantia (falhas em campo). Na fábrica instalada dentro do complexo industrial do grupo Randon em Caxias do Sul, a frequência de acidentes caiu 84% na última década e houve evolução de 36% na eficiência dos equipamentos produtivos.

Os investimentos têm sido constantes. Foram alocados R$ 150 milhões nos últimos 10 anos em pesquisa, desenvolvimento, melhoria de processos e ampliação de capacidade. Deve ser concluído até março o programa de R$ 22,5 milhões, iniciado há um ano, que aumentou em mais 3 mil metros quadrados a área da fábrica, com remodelação e reorganização das linhas para elevar a produtividade. “Novos investimentos serão anunciados em breve. Vamos comprar novas máquinas e aumentar a automação”, revela o diretor industrial.

O desenvolvimento de produtos também traz bons resultados: os novos sistemas de freios representaram 36% da receita líquida da Master, de R$ 518 milhões em 2013 (os números consolidados de 2014 ainda não foram divulgados). No mesmo ano a empresa requereu oito pedidos de patentes. Nos últimos três anos foram lançadas nove linhas de produtos, incluindo sistemas de ABS e EBS para semirreboques, freios para ônibus articulados e discos de frenagem para caminhões.

Com 870 empregados trabalhando em uma única unidade produtiva, os maiores clientes da Master são as montadoras de caminhões e ônibus, para os quais seguiram 69% da produção de sistemas de freios em 2014. Os fabricantes de veículos rebocados (implementos) consumiram 15%, enquanto 9% foram para o mercado de reposição e apenas 7% para exportação. “Temos planos de aumentar as exportações, mas por contrato não podemos explorar os mercados da (sócia) Meritor na América do Norte e Europa, por isso estamos limitados aos países da América do Sul e alguns outros”, explica Alves.

PRÊMIO

Master
Master recebe o Prêmio Nacional da Qualidade: excelência em gestão (foto: André Conti)

O Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) conquistado pela Master em 2014 foi o ápice de um processo que começou há mais de uma década. Conforme conta Alves, a empresa começou a adotar os princípios de excelência em gestão na década de 90. Primeiro, em 1997, a Master se qualificou para participar do Prêmio Gaúcho de Produtividade e Qualidade, do qual conquistou a graduação bronze em 1999, prata em 2000 e 2001, ouro em 2002 e 2003 e diamante em 2012. “A qualificação para o PNQ era um processo natural depois disso, com dois anos de trabalho para a conquista”, diz.

O diferencial do PNQ é que a empresa precisa se qualificar para concorrer, com a adoção do Modelo de Excelência da Gestão da FNQ, baseado em critérios internacionais. “O prêmio não é um fim, mas o começo de uma jornada maior, com melhor preparação para o futuro, pois o modelo aumenta nossa competitividade”, avalia Alves. Única premiada do setor automotivo brasileiro do PNQ em 2014, a Master agora faz parte de um rol restrito de empresas que adotam os melhores princípios de gestão no País – do mesmo setor já ganharam o prêmio a MAN e a Volvo (duas vezes).

“O objetivo do modelo que propagamos é melhorar a gestão, seguindo métodos globais de excelência, e o prêmio é uma régua que mede essa conversão em todos os seus critérios”, explica Jairo Martins, superintendente geral da Fundação Nacional da Qualidade, fundada há 23 anos por entidades públicas e privadas para difundir no País os melhores princípios de gestão. “Uma empresa é completa quando adota e cumpre todos os critérios do MEG, fica mais competitiva e melhor preparada para enfrentar desafios”, acrescenta.

A Fundação não presta serviços de consultoria para as empresas que querem adotar o MEG e se qualificar ao Prêmio, mas oferece cursos de capacitação. Cerca de mil companhias e procuram a FNQ todos os anos, que também mantém convênio com o Sebrae, onde 51 mil pequenas e médias empresas participaram em 2014 de programas de qualificação desenhados pela organização. O superintendente Martins avalia que existe grande número de corporações de todos os tamanhos no Brasil que caminham rumo aos melhores modelos de gestão. “Só isso explica como conseguem sobreviver em ambiente adverso, com tantas intempéries”, diz. “Ganhar competitividade por meio da gestão aprimorada é uma necessidade de qualquer empresa”, finaliza.



Tags: Master, Randon, Meritor, Prêmio Nacional da Qualidade, gestão, resultado, balanço.

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